Tenho aqui um Q. Horatius Flaccus (Hachette, Paris 1872), comprado há uns anos nas arcadas do Terreiro do Paço, em que se pode verificar que a expressão tão conhecida ‘carpe diem’ está no verso 8 da ode X, portanto em I, X, VIII (e não I,XI,VIII, como vi em algum dicionário e outros sítios) . Para que possam lê-la na íntegra, aí vai:
Carmen X
AD LEUCONOEN
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
Finem, Di dederint, Leuconoe; nec Babylonios
Tentaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati!
Seu plures hiemes, seu tribuit Jupiter ultimam,
Quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum, sapias, vina liques, et spatio brevi
Spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida
Aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.
(Q. Horatius Flaccus, Carmina, I, X, VIII)
Para entender a Ode X:
Esta ode é dirigida a uma pessoa imaginária ou a uma amiga de Horácio (Ad Leuconoen = A Leucónia, Leucónoe), e é também dirigida contra a superstição, tão espalhada então, das consultas astrológicas: não vale a pena procurar penetrar os mistérios do futuro. Foi escrita entre o ano de Roma 724 e o ano 728 (correspondentes a 30 AC e 26 AC).
Tradução:
Não procures saber – saber é proibido – qual o fim que os Deuses terão destinado a mim ou a ti, Leucónia; nem sejas tentada a desvendar os números Babilónios. O melhor mesmo é aceitar o que vier! Sejam os vários invernos, seja o último que Júpiter nos mandou,
O qual agora subleva o mar Tirreno contra os rochedos, saboreia a boa comida, degusta os bons vinhos e do breve espaço da vida procura sacar uma longa esperança. Enquanto falamos, já a invejável vida se escapou: colhe (frui) o dia que vai passando, de modo nenhum sejas supersticiosa sobre o que virá depois.
(Tradução: A. Marques)