“Irão [sic] haver alterações”? Não!

Eram precisamente catorze horas e dez minutos deste dia  27 de Agosto, ia eu a deitar-me ao comprido para a indispensável sestinha, pois então, ligo o rádio-despertador e logo um repórter da Antena 1, não sei a que propósito: “…irão [sic] haver alterações”! E não fui capaz de me entregar logo nos braços de Morfeu, só a pensar neste desgraçado verbo haver que, ao contrário do seu etimológico latino – habere -, ou do verbo ‘sum’ que lhe fazia as vezes de forma pessoal, ao contrário desses – ia eu dizendo –, nas novilatinas virou impessoal nesta acepção. Em francês, il va y avoir des altérations…; em castelhano, no creo em brujas, pero que las hay, hay…

“Irão haver alterações”? Não senhores! Irá haver alterações.

Quando o verbo haver impessoal (ou qualquer outro impessoal) se usa com auxiliar, é o auxiliar que, na conjugação, assume a impessoalidade. Remete-se o deparante de acaso ou adrede visitante para as várias rubricas de Tento na Língua! que falam do “desgraçado verbo haver”.

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