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	<title>Tento na língua!...</title>
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	<description>Gralhas que por aí grasnam, erros que por aí grassam</description>
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		<title>Tento na língua!...</title>
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		<title>A &#8220;mafia&#8221; que eu aprendi</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 13:23:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acentuação]]></category>
		<category><![CDATA[Acordo Ortográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Etimologia]]></category>
		<category><![CDATA[mafia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Mafia ou Máfia?&#8221; (Carta ao DN, 3/11/2009, p. 11). O leitor José Correia de Almeida “opta por Mafia dizendo que o título do DN &#8216;Mafia mata em Gomorra&#8217; está correcto.”
Eu, também leitor do DN, opto por Mafia, como aprendi, como sempre tenho usado. Passo a justificar.
Desde que comecei o meu processo de aprendizagem da língua [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=396&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em>&#8220;Mafia ou Máfia?&#8221; </em>(Carta ao DN, 3/11/2009, p. 11). O leitor José Correia de Almeida <em>“opta por Mafia dizendo que o título do DN &#8216;Mafia mata em Gomorra&#8217; está correcto.”</em></p>
<p>Eu, também leitor do DN, opto por <strong>Mafia</strong>, como aprendi, como sempre tenho usado. Passo a justificar.</p>
<p>Desde que comecei o meu processo de aprendizagem da língua portuguesa, ou seja, desde a barriga da minha mãe e, depois, por aí fora, em todo o meu percurso escolar, desde a primária, na década de 30 até meados da década de 50 – primária, secundário, superior e por aí fora na continuação da aprendizagem da Língua Portuguesa que foi a minha vida &#8211; de ensino/aprendizagem. objecto/objectivo que só acabará quando acabar o sujeito que sou eu – sempre aprendi a dizer/escrever <strong>Mafia</strong>, assim, <strong>palavra grave</strong> sem qualquer acento gráfico. Nunca ouvi/li ninguém no meio escolar, no tempo de discente ou no tempo de docente, dizer/escrever <strong>Máfia</strong>. E foi há poucos anos, acho que já depois de me ter aposentado como professor, ou pouco antes, que comecei a deparar, com alguma insistência, com a grafia e a pronúncia &#8220;Máfia&#8221;, palavra esdrúxula, com acento, pois.</p>
<p>Depois de ler esta carta no DN, lembrei-me de escrever este texto para postagem neste blogue e dei-me ao trabalho de consultar os dicionários e enciclopédias que tenho aqui à volta da minha mesa de trabalho. Passo a referir todos estes meus &#8220;colaboradores&#8221; com a respectiva &#8220;opinião&#8221;. Por ordem da idade, o que não me parece de somenos importância:</p>
<p><strong>Complementar de Augusto Moreno</strong>, 1936 – não regista.</p>
<p><strong>Grande Enciclop. Portuguesa e Brasileira</strong> (reprodução fac-similada da edição inicial anterior à reforma ortográfica de 1945) – regista<strong> </strong><em>Mafia</em><strong>, </strong>palavra grave sem acento gráfico.</p>
<p><strong>Dicionário da Língua Portuguesa </strong>(7 volumes, Sociedade da Língua Portuguesa, coorden. de José Pedro Machado, 1958) – não regista. Assim como, do mesmo autor, a</p>
<p><strong>Enciclopédia VERBO, Edição Século XXI </strong>– regista<strong> </strong><em>Máfia</em>, palavra grave.</p>
<p><strong>Dic. Etimológico da Língua Portuguesa</strong> (Livros Horizonte, 3ª edição, 1977) – não regista. Mas, do mesmo autor,</p>
<p><strong>Dic. Onomástico Etimológco da L. P. – </strong>regista <em>Máfia</em>. E o seu</p>
<p><strong>Grande Vocabulário da L. P.,</strong> (para Sociedade de Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, 2001) – regista <em>máfia</em><strong>.</strong></p>
<p><strong>Novo Dic. Compacto da Língua Portuguesa, Morais </strong>(5 volumes, Horizonte/Confluência, 8ª edição, 1994) – não regista.</p>
<p><strong>Lello Universal</strong> (2 volumes, 1973) – regista <em>Mafia</em>, palavra grave sem qualquer acento gráfico. De notar que, neste dicionário, a palavra <em>Mafia </em>é seguida de um alfa entre parênteses, preocupação indicativa da pronúncia.</p>
<p><strong>Dic. Prático Ilustrado Lello</strong>, edição de 1981 – regista<em> mafia</em>, palavra grave sem qualquer acento gráfico. Como estes dicionários Lello são traduzidos e adaptados dos franceses Larousse, teve decerto alguma influência a correspondente palavra usada na língua francesa e registada nesses dicionários : “<em>Mafia </em>ou <em>Maffia</em>” [sic].</p>
<p><strong>Enciclopédia Diário de Notícias/Dicionário Enciclopédico </strong>(distribuído em fascículos de 21.04.1996 a 14.09.1997) – regista <em>mafia</em>, palavra grave sem qualquer acento gráfico.</p>
<p><strong>Dicionário da Língua Portuguesa Cntemporânea, Academia das Ciências de Lisboa </strong>(Verbo, 2001) – regista <em>máfia </em>, com a indicação da pronúncia em caracteres do alfabeto fonético.</p>
<p><strong>Dicionário </strong><strong>Aurélio Século XXI</strong> – regista<strong> </strong><em>máfia</em>, palavra esdrúxula</p>
<p><strong>Dicionário </strong><strong>HOUA</strong><strong>Ï</strong><strong>SS DA LÍNGUA PORTUGUESA</strong> (Círculo de Leitores, 2002) – regista <em>máfia</em>, palavra esdrúxula.</p>
<p><strong>Dicionário da Língua Portuguesa</strong> (Porto Editora, 2003) – regista <em>máfia</em>, indicando a origem: (Do dialecto siciliano <em>mafia</em>, “bazófia”).</p>
<p><strong> </strong><strong>Petit Robert </strong>e<strong> Petit Larousse</strong> – registam: ‘<strong>mafia ou maffia</strong>’ (sic)<strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Considerações / conclusões sobre máfia / máfia</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>1. Diz o senhor José Correia de Almeida, autor da carta, que “opta por Mafia porque a palavra é grave e assim a ‘Mafia mata em Gomorra’ está correcto&#8221; (DN 30 Outubro, p. 23). E diz ainda: “A grafia Máfia (…) já por muitos é admitida&#8221; (DN, mesma edição, p.7, rodapé).  Além do DN, que também opta por <strong>mafia</strong>, o que não me surpreende, pois tenho o DN em boa consideração ortográfica e linguística, há pelo menos dois leitores que fazem a mesma opção, a saber: <strong>mafia</strong>, palavra grave.</p>
<p>2. Pelo meu testemunho &#8220;autobiográfico&#8221; (ver acima) relativo à palavra <strong>mafia/máfia</strong>, acho  podemos  concluir que a palavra entrou como neologismo/italianismo na língua portuguesa provavelmente na primeira metade, adiantada, do século XX , como <em>mafia</em>, palavra grave, sem qualquer acento gráfico.</p>
<p>3. Mas, certamente, porque de ‘mafia’ se tratava, ela entrou, muito a medo, (sabe-se lá de que ‘mafia’…), porquanto dicionários importantes da nossa língua pura e simplesmente ignoraram a palavra, que só começa a aparecer, em alguns dicionários apenas, já na segunda metade do século. Esta afirmação, além do meu testemunho pessoal, ganha muita força ao sabermos que as enciclopédias consultadas e dicionários da importância dos “LELLO” assim a registam.</p>
<p>4. Com medo ou sem medo, o neologismo foi usado entre nós, sobretudo nos meios académicos ou escolarizados, no seu registo de palavra grave, até porque, originário do dialecto siciliano, por lá devia e deverá ser usado com a pronúncia siciliana &#8220;mafia&#8221;, que nos franceses, segundo o testemunho do<em> Petit Larousse</em> e do <em>Petit Robert</em>, também por mim consultados, é &#8220;mafia ou maffia&#8221;, com a pronúncia assim indicada: [mafja].</p>
<p>5. Também o <em>Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa</em><em> </em>(Notícias, 47ª edição) se terá entretanto deixado contaminar, optando por<strong> </strong><em>máfia </em>(na minha edição). Gostaria eu de saber como está a palavra registada nas primeiras edições…</p>
<p>6. O facto dos dois dicionários brasileiros mais conhecidos e com a autoridade que lhes advém do prestígio dos seus autores registarem <em>máfia</em>, não menoriza o que antes fica dito, pois é sabido que a Língua Portuguesa, no Brasil, tem seguido o seu caminho, ignorando qualquer acordo com a parte lusitana do universo falante do Português.</p>
<p>7. O próprio facto de o meu computador se encarregar de acentuar a palavra, transformando a que eu escrevo grave em esdrúxulo, substituindo, sem minha ordem, o &#8220;a&#8221; não acentuado pelo &#8220;á&#8221; acentuado, é mais uma prova de que a &#8220;máfia&#8221; está a ser imposta, pelos meios informáticos ao seu alcance, como esse tal acordo ortográfico que também, absurdamente,  nos querem impor, <em>coûte que coûte</em>… Critérios mercantilistas ou neocolonialistas ao invés?&#8230; Não é?</p>
<p>8. Mas o autor da carta começa por dizer que &#8220;há que uniformizar em termos de redacção/escrita [quereria ele dizer em termos de ortografia]&#8220;. Pois é. Enquanto os falantes do francês têm como garante a Académie Française, e os falantes do castelhano a Academia Real, os falantes do português têm uma coisa que se chama Academia das Ciências de Lisboa que mandou elaborar uma coisa a que chamaram <em>Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea</em>, onde essa nossa língua é tão maltratada. E assim anda ela sem rei nem roque por esse mundo lusófono, enquanto o &#8220;brasileiro&#8221; [<em>le brésilien,</em> dizem os franceses] se vai orientando, por Lá, pela Academia Brasileira de Letras. Por Lá e… por Cá…</p>
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		<title>&#8220;Se eu puser: com &#8217;s&#8217; ou com &#8216;z&#8217;?&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 12:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Verbos]]></category>
		<category><![CDATA[verbo pôr]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi o que alguém me perguntou há poucos dias.
Com ‘s’ sem dúvida. E a razão é, também sem dúvida, etimológica. Assim o decidiram os reformadores da reforma ortográfica de 1945, que é, ainda, a que vigora, felizmente. Oxalá a porta não se abra ao tal &#8220;acordo ortográfico&#8221;, que ronda por aí tão desacordado!
E então, com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=393&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Foi o que alguém me perguntou há poucos dias.</p>
<p>Com ‘<strong>s</strong>’ sem dúvida. E a razão é, também sem dúvida, etimológica. Assim o decidiram os reformadores da <strong>reforma ortográfica de 1945</strong>, que é, ainda, a que vigora, felizmente. Oxalá a porta não se abra ao tal &#8220;acordo ortográfico&#8221;, que ronda por aí tão desacordado!</p>
<p>E então, com ‘s’ porquê?</p>
<p>Ora vamos lá ver. Na conjugação verbal, há uns tantos tempos verbais que derivam do chamado tema do perfeito. E esse jeito já nos vem do latim. São eles: futuro imperfeito do conjuntivo – se eu <strong>pus</strong>er; pret. imperfeito do conjuntivo – se eu <strong>pus</strong>esse; pret. mais-que-perfeito do indicativo – eu <strong>pus</strong>era. O negrito realça o radical (o tema) do perfeito (pretérito perfeito do indicativo) &#8211; <strong>pus. </strong>E esta regra é claramente válida para todos os verbos em geral, embora, para alguns verbos, como é o caso de <strong>pôr </strong>e outros, se torne mais clara a achega desta teoria para ser correcta a nossa ortografia. E o que tem isto a ver com a etimologia? Tem muito, como vamos verificar. Veja-se a forma verbal latina da qual deriva a correspondente portuguesa do verbo <strong>pôr</strong>:</p>
<p><strong>Pretérito per</strong>feito (do pretérito perfeito latino)<em>: posui </em>&gt; pus, <em>posuisti </em>&gt; puseste, <em>posuit </em>&gt; pôs, <em>posuimus </em>&gt; pusemos, <em>posuistis </em>&gt; pusestes, <em>posuerunt </em>&gt; puseram.</p>
<p><strong>Futuro imperfeito do conjuntivo</strong> ( do futuro perfeito latino): <em>posuero </em>&gt; puser, <em>posueris </em>&gt; puseres, <em>posuerit </em>&gt; puser, <em>posuerimus </em>&gt; pusermos, <em>posueritis </em>&gt; puserdes, <em>posuerint </em>&gt; puserem.</p>
<p><strong>Imperfeito do conjuntivo </strong>(do m.-que-perf. do conjuntivo latino):<strong> </strong>se eu pusesse <em>&lt; posuissem</em>, se tu pusesses <em>&lt; posuisses</em>, se ele pusesse <em>&lt; posuisset</em>, se nós puséssemos &lt; <em>posuissemus</em>, se vós pusésseis <em>&lt; posuissetis</em>, se eles pusessem <em>&lt; posuissent.</em></p>
<p><strong>Mais-que-perfeito simples</strong> (do m.-que-perf. do ind. latino): <em>posueram </em>&gt; eu pusera, <em>posueras </em>&gt; tu puseras, <em>posuerat</em> &gt; ele pusera, <em>posueramus </em>&gt; puséramos, <em>posueratis </em>&gt; puséreis, <em>posuerant </em>&gt; puseram.</p>
<p>E, como se pode ver, lá está o ‘s’ do tema em todas as pessoas, no latino e no português.</p>
<p>Agora em outros verbos (só com a primeira pessoa): eu quis <em>&lt; quaesii</em>, se eu quiser <em>&lt; quaesiero</em>, eu quisera &lt; <em>quaesieram</em>; eu fiz <em>&lt; feci</em> (o ‘ci’ latino deu ‘z’), se eu fizer &lt; fecero; se eu fizesse <em>&lt; fecissem</em>; eu fizera <em>&lt; feceram.</em> Do verbo dizer. O perfeito português  é <strong>disse</strong> que deriva do latino <strong><em>dixi</em></strong>, então: se eu disser &lt; <em>dixero;</em>; se eu dissesse &lt; <em>dixissem</em>; eu dissera &lt; <em>dixeram</em>.</p>
<p>E, já agora, uma curiosidade que põe uma questão fonético-etimológica. O verbo trazer cujo étimo latino é <em>trahere</em>: traxi &lt; trouxe; traxerim &lt; trouxer;  <em>traxissem &lt; trouxesse</em>;  <em>traxeram &lt; trouxera. </em>Só para dar corda à curiosidade, veja–se o processo evolutivo de ‘trouxe’: traxi&gt;trauxi&gt;trouxe (Ditongação e a vulgar substituição do ditongo ‘au’ pelo ditongo ‘ou’).</p>
<p>Mas a tal questão é esta: se <em>dixi</em> deu disse, porque é que traxi, o mesmo fonema, no primeiro escreve-se com dois ‘ss´ e no segundo com ‘x’? Pergunte-se aos eruditos que assim convencionaram a ortografia.</p>
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		<item>
		<title>&#8220;…eu sou dos que acredito…”? Não!</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 01:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Erros]]></category>
		<category><![CDATA[oração relativa]]></category>

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		<description><![CDATA[Na entrevista ‘Michael Moore, O bom americano’, texto de Rui Pedro Tendinha, Notícias Magazine 01/Nov/2009, p. 82, 3ª coluna:
“Este filme [Capitalismo – Uma história de amor] já tem mais de duas horas, cinco minutos mais, já com os créditos finais, e eu sou dos que acredito [sic] que nenhum filme deva ter mais do que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=386&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Na entrevista ‘Michael Moore, O bom americano’, texto de Rui Pedro Tendinha, Notícias Magazine 01/Nov/2009, p. 82, 3ª coluna:</p>
<blockquote><p><em>“Este filme</em> [Capitalismo – Uma história de amor]<em> já tem mais de duas horas, cinco minutos mais, já com os créditos finais, e <strong>eu sou dos que acredito</strong></em> [sic] <em>que nenhum filme deva ter mais do que duas horas.”</em></p></blockquote>
<p>Perversão sintáctica grassando muito por aí, de mais; saída de plumas muito escolarizadas, mesmo algumas superiormente escolarizadas. Ora vamos analisar essa sintaxe:</p>
<p><strong>… dos que acredito</strong></p>
<p>Oração relativa ‘<strong>que acredito</strong>’</p>
<p>Predicado/verbo – <strong>acredito </strong>está errado: deve ser <strong>‘acreditam’</strong>.</p>
<p><strong> </strong>Sujeito – ‘<strong>que’</strong> com o antecedente<strong> ‘os’ </strong>de<strong> ‘dos’.</strong></p>
<p><strong> </strong>Numa relativa com ‘que’ por sujeito, o verbo tem de concordar com o antecedente do ‘que’: neste caso, o pronome demonstrativo ‘os’. Plural, logo o verbo tem de estar no plural (3ª pessoa).<strong></strong></p>
<p>‘Eu sou dos que acredito’?  Não! <strong>‘Eu sou dos que acreditam’</strong></p>
<p>Vamos agora fazer aqui umas variantes. Imaginemos a frase com quatro relativas ou mais que fossem::</p>
<p>Sou eu <strong>que acredito</strong>; sou eu <strong>quem acredita</strong>, sou um <strong>que acredita</strong>, um dos <strong>que acreditam</strong>.</p>
<p>Na primeira relativa – que acredito – o verbo vai para a 1ª pessoa do singular, porque o sujeito é ‘que’ com o antecedente ‘eu’; na segunda – quem acredita &#8211; o sujeito é o relativo ‘quem’, que leva sempre o verbo para a 3ª  pessoa do singular; na terceira – ‘que acredita’ – o verbo vai para a 3ª pessoa do singular, porque o antecedente do relativo é o pronome indrfinido ‘um; finalmente na quarta – que acreditam – o verbo vai para a 3ª pessoa do plural, porque o sujeito ‘que’ tem como antecedente o pronome demonstrativo ‘os’. E já agora…, se sois vós <strong>que acreditais</strong> em mim, ou se sois vós <strong>quem em mim acredita</strong>, por mim, ficarei satisfeito.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>&#8220;Sobre Caim&#8221; de Pilar</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 00:31:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>
		<category><![CDATA[Caim]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[Pilar del Rio]]></category>

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		<description><![CDATA[O que aqui se disse relativo à crónica de Vasco Graça Moura (ensaio mais histórico), pode voltar a dizer-se agora, depois de se ter lido Sobre Caim, de Pilar del Rio (mais antropológico) (DN 29/10/2009, p. 50). Termina assim:
“Sigamos então por caminhos marcados por lendas, com interpretações simbólicas ou não, mas tenhamos ao menos a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=384&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O que aqui se disse relativo à crónica de <strong>Vasco Graça Moura</strong> (ensaio mais histórico), pode voltar a dizer-se agora, depois de se ter lido <em>Sobre Caim</em>, de <strong>Pilar del Rio</strong> (mais antropológico) (DN 29/10/2009, p. 50). Termina assim:</p>
<blockquote><p>“Sigamos então por caminhos marcados por lendas, com interpretações simbólicas ou não, mas tenhamos ao menos a decência de atribuir-nos a sua autoria: a de havermos criado a divindade e toda a dor e sacrifício que os deuses supostamente impuseram ao mundo. À imagem e semelhança do ser humano”.</p></blockquote>
<p>É assim. Quando alguém passa da crença em Deus para a descrença, é quando a sua cabeça virou ao contrário o versículo da Bíblia relativo à criação do homem e, com convicção, o adopta assim virado : <em><strong>“ …</strong>e diz </em>[Deus]<em>: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”</em> (Gen.<strong> 1, </strong>26<strong>).</strong> Lá dizia, há pouco tempo ainda, em Vila da Feira, o grande escritor <strong>Salman Rushdie</strong>: <em>“Deus é o maior erro da espécie humana”</em>. E então não será mesmo?</p>
<p>Mas vejam só se pode falar de coerência  o cronista habitual do DN Domingo, penúltima página. À afirmação de Pilar <em>“os chamados seres racionais estão loucos, por isso talvez não mereçam a existência”</em>, ele responde: <em>“eu não chegaria a tão dramática conclusão, mas é notável ver uma comunista de sempre </em>[sic] <em>falar com tamanha franqueza do credo que professou e que, contra toda a coerência, continua a professar </em>[sic]<em>.”</em></p>
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		<title>A crónica de Vasco Graça Moura</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 00:17:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>
		<category><![CDATA[Caim]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[Vasco Graça Moura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém que esteja de algum modo interessado na polémica Caim/Bíblia/Deus/ Saramago/Igreja deverá dar por terminada a sua tarefa de participar ou simplesmente acompanhar sem ler a crónica de Vasco Graça Moura (VGM) Melhor crer do que ler? (DN, 28/10/2009, p. 54). Ali está tudo, tratado em género ensaio histórico, tudo o que Saramago disse, primeiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=378&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ninguém que esteja de algum modo interessado na polémica Caim/Bíblia/Deus/ Saramago/Igreja deverá dar por terminada a sua tarefa de participar ou simplesmente acompanhar sem ler a crónica de <strong>Vasco Graça Moura </strong>(VGM) <em>Melhor crer do que ler?</em> (DN, 28/10/2009, p. 54). Ali está tudo, tratado em género ensaio histórico, tudo o que Saramago disse, primeiro em género ficção (sátira ou &#8220;escárnio e maldizer&#8221;?) e, depois em debate, em entrevista, em conferência.</p>
<p>Quem leu ontem a crónica de Miguel Tavares sobre o assunto, e hoje a de VGM!…</p>
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		<title>Heresia e blasfémia</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2009/10/29/heresia-e-blasfemia/</link>
		<comments>http://tentolingua.wordpress.com/2009/10/29/heresia-e-blasfemia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 00:13:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Caim]]></category>
		<category><![CDATA[João Miguel Tavares]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Heresia (L. haeresis &#62;Gr.haeresis) f. Doutrina contrária aos dogmas da Igreja; contra-senso; acto ou palavra ofensiva da religião.
Blasfémia ( L.&#62;Gr. Blaspemia) Palavras ultrajantes da divindade ou da religião; ultraje dirigido contra pessoa ou coisa respeitável; dito absurdo.
(Dos dicionários)
Começo por dizer que geralmente leio e aprecio as crónicas de João Miguel Tavares. Mas esta As afirmações [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=376&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><blockquote><p><strong>Heresia </strong>(L. <em>haeresis </em>&gt;Gr.<em>haeresis</em>) f. Doutrina contrária aos dogmas da Igreja; contra-senso; acto ou palavra ofensiva da religião.</p>
<p><strong>Blasfémia</strong> ( L.&gt;Gr. <em>Blaspemia</em>) Palavras ultrajantes da divindade ou da religião; ultraje dirigido contra pessoa ou coisa respeitável; dito absurdo.</p>
<p>(Dos dicionários)</p></blockquote>
<p>Começo por dizer que geralmente leio e aprecio as crónicas de <strong>João Miguel Tavares</strong>. Mas esta <em>As afirmações religiosas do ateu José Saramago</em> (DN, 27/OUT/2009, p. 9) mais me parece uma série de excertos da homilia que o autor terá ouvido no último domingo. Que grande confusão, meu Deus! Confusão semântica, confusão teológica, confusão filosófica. Então digam-me: um ateu, por ser ateu, não pode falar de ética? Não pode analisar um texto do ponto de vista da ética? Pois! Sócrates (nada de confusões aqui!), quando estava a virar a juventude grega contra os deuses do Olimpo, que pelos vistos estavam acima de toda a ética humana, foi obrigado a tomar  a cicuta letal. Ele, que &#8220;só sabia que nada sabia&#8221;! Vejam:</p>
<blockquote><p>“… o escritor português defendeu ‘o direito à heresia’. Carreira das Neves respondeu, e muito bem, que Saramago não pode ser herético se não acredita em Deus. Tivesse o nosso Prémio Nobel da Literatura mais cuidado com as palavras e perceberia que aquilo que está a defender é, isso sim, o direito à blasfémia.”</p></blockquote>
<p>E mais adiante:</p>
<blockquote><p>“… uma série de gestos muito atinados mas que passam ao lado do essencial: um ateu pode perfeitamente dizer que a Bíblia é um manual de má literatura; não pode é dizer que é um manual de maus costumes”.</p></blockquote>
<p>E porque não? E agora esta barbaridade:</p>
<blockquote><p>“Só quem acredita que a Bíblia tem alguma relação com a palavra de Deus está habilitado para sobre ela fazer considerações éticas”.</p></blockquote>
<p>Esta, é de pasmar! Ainda para mais saída da pena de um escriba jornalista! Pena que eu tantas vezes tenho visto passar com o bico sobre a ética de figuras políticas e não só! Poderá um jornalista fazê-lo: ler um texto e analisá-lo do ponto de vista ético? E porque não um escritor? E porque não um ateu?</p>
<p>E agora vejam só mais esta:</p>
<blockquote><p>“… A maior parte dos cristãos dirá que a Bíblia é um Manual de bons costumes. Mas seja para dizer que os costumes são bons, seja para dizer que os costumes são maus, é preciso acreditar no ‘poder ético’ daquele livro, ou seja, na transformação da palavra em acção. Ora, um ateu necessariamente não acredita nessa transformação, e por isso tem de olhar para a Bíblia como olha para outro livro qualquer: estética e nada mais.”</p></blockquote>
<p>Nada mais porquê? Quer isto dizer que um crente terá de deixar de se preocupar com a ética quando deixar de crer em Deus? Não haverá aqui uma grande <strong>confusão de ética com teologia moral</strong>?</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Jogo da Língua polémico</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2009/10/29/jogo-da-lingua-polemico/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 00:06:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Erros]]></category>
		<category><![CDATA[Jogo da Língua]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei com pena daquele concorrente ao Jogo da Língua (Antena 1, 14:30 h) que ligava da linda terra das alheiras, Mirandela. Foi-lhe posta a questão assim: &#8220;Qual é o plural de decreto-lei?&#8221; E ele disse logo: &#8220;Decretos-leis&#8221;. Mas em seguida o problema foi-lhe proposto assim: &#8220;Tem de escolher uma destas duas: decretos-leis ou decretos-lei?&#8221; E [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=374&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fiquei com pena daquele concorrente ao <strong>Jogo da Língua</strong> (Antena 1, 14:30 h) que ligava da linda terra das alheiras, Mirandela. Foi-lhe posta a questão assim: &#8220;Qual é o plural de decreto-lei?&#8221; E ele disse logo: &#8220;Decretos-leis&#8221;. Mas em seguida o problema foi-lhe proposto assim: &#8220;Tem de escolher uma destas duas: <em>decretos-leis</em> ou <em>decretos-lei</em>?&#8221; E o homem, muito baralhado, pensou pensou e disse: &#8220;bom, decretos-lei&#8221;… Veio a senhora doutora e explicou: decretos-leis, porque não sei quê não sei quantos, porque era assim mesmo… E o homenzinho ficou sem o livro. E eu sou capaz de dizer: em um &#8220;jogo da língua&#8221; assim, questões polémicas não se devem pôr! Polémica, esta? Sim.</p>
<p>Embora o tal <em>Dicionário da Academia</em> diga que o plural de <em>decreto-lei</em> é <em>decretos-leis</em>, e mais nada, há quem, com muita autoridade, diga que esse nome substantivo composto pode ter como plural: <em>decretos-lei</em> ou <em>decretos-leis</em> ou vice-versa (Cf. <em>Dicionário Aurélio</em> e <em>Dicionário Houaiss</em>). Mas a polémica não fica por aqui. A<em> Nova  Gramática do Português Contemporâneo</em>, de  Celso Cunha e Lindley Cintra (Sá da Costa, 3.ª ed., p. 188) diz: <em>“c) também só o primeiro toma a forma de plural quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico: navios-escola…”</em>, opinião seguida por gramáticas adoptadas nas escolas. Ora se decreto é um diploma com força de lei emanado do Governo, e lei é um diploma legislativo emanado do órgão propriamente legislador, no composto <em>decreto-lei</em>, o segundo elemento bem pode(deve) ser considerado um <strong>determinante específico</strong>. E ainda, conforme o <em>Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa</em>, Notícias, 47ª edição, p. 56:</p>
<blockquote><p><em>“- Nos compostos formados por dois nomes (normalmente ligados por hífen) em que o segundo elemento tem uma <strong>função adjectival</strong> só o primeiro elemento vai para o plural: escolas-modelo, expressões-chave, projectos-piloto, etc.” </em></p></blockquote>
<p>Neste &#8220;etc.&#8221; poderíamos acrescentar, entre outros, os nossos &#8220;decretos-lei&#8221;.</p>
<p>Mas o Jogo da Língua não acaba aqui. Há dois dias, a pergunta era: &#8220;deve-se escrever/dizer <strong>precaridade </strong>ou <strong>precariedade</strong>?&#8221; A senhora doutora explicou: precariedade, porque é assim nos nomes deste tipo derivados de adjectivos terminados em –ário. Está bem. Mas eu acho que a senhora doutora podia muito bem alargar a explicação, porque esta não abrange substantivos do mesmo tipo, como <em>ansiedade </em>(de ânsia), <em>piedade </em>(de pio), <em>sobriedade </em>(de sóbrio), <em>sociedade </em>(de sócio), <em>seriedade </em>(de sério); e decerto alguns outros que não derivam de adjectivos terminados em –ário, mas simplesmente em –io (ou –ia). Há, ainda, o caso de <em>saciedade </em>que nos vem do latino <em>satietate</em>, derivado não de adjectivo ou substantivo, mas sim de advérbio – <em>satius</em> – comparativo de superioridade de <em>satis</em>. Saciedade é, pois, o estado de qualquer coisa que é &#8220;mais que bastante&#8221;, ou seja, o estado de <em>saturação</em>.</p>
<p>Até porque, de minha experiência, não posso considerar o <em>Dicionário da Academia</em> o &#8220;papa&#8221; dos dicionários da língua portuguesa, muito ao contrário.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Adenda à postagem &#8220;A polémica e o insulto&#8221;</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2009/10/24/adenda-a-postagem-a-polemica-e-o-insulto/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 21:42:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Pontuação]]></category>
		<category><![CDATA[Caim]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>
		<category><![CDATA[Sinais diacríticos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tendo em vista o penúltimo parágrafo, relativo à pontuação, achei oportuno acrescentar algo. O problema da pontuação, remete para aquilo a que os linguistas chamam sinais diacríticos e volto a dizer que me parece que o seu uso mais normativo, em Caim como em outras grandes obras anteriores do Autor (v.g. O Evangelho), não só [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=372&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Tendo em vista o penúltimo parágrafo, relativo à pontuação, achei oportuno acrescentar algo. O problema da pontuação, remete para aquilo a que os linguistas chamam <strong>sinais diacríticos</strong> e volto a dizer que me parece que o seu uso mais normativo, em <em>Caim</em> como em outras grandes obras anteriores do Autor (v.g. <em>O Evangelho)</em>, não só não prejudicariam o estilo, como, ainda, aumentariam a clareza do discurso e, em consequência, facilitariam a leitura. Lendo Caim, não raras vezes me aconteceu parar para ver se  determinada vírgula era interrogativa ou não. E reparei que em muitos casos, o narrador vê-se obrigado, para confirmar a interrogação, usar a intercalada &#8220;respondeu&#8221;, &#8220;perguntou&#8221; e outras. Estaria também resolvido o problema didáctico do ensino/aprendizagem, quando, na escola, se recorre a textos saramaguianos.  Mesmo o uso da maiúscula em nomes próprios. Mas, repito,  a genialidade da narrativa lá está sempre, seja com o desvio diacrítico original ou fosse com a pontuação de uso universal.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/372/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/372/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/372/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/372/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/372/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/372/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/372/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/372/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/372/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/372/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=372&subd=tentolingua&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>A polémica e o insulto</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2009/10/24/a-polemica-e-o-insulto/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 21:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Pontuação]]></category>
		<category><![CDATA[Caim]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[As palavras, na sua forma, na sua significação e no seu uso, têm muito que se lhes diga; precisam de ser bem definidas antes de serem usadas, seja em monólogo, em diálogo, ou em debate.  Quem estudou um pouco de Lógica, devia saber isto e mais coisas.
Vem isto a propósito de Saramago e o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=367&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>As palavras, na sua forma, na sua significação e no seu uso, têm muito que se lhes diga; precisam de ser bem definidas antes de serem usadas, seja em monólogo, em diálogo, ou em debate.  Quem estudou um pouco de Lógica, devia saber isto e mais coisas.</p>
<p>Vem isto a propósito de Saramago e o seu<em> Caim, </em>da Bíblia e o seu Deus,<em> </em>e a polémica que daí vem. Dizem alguns crentes, a começar pelos que se consideram guardiões da crença e da fé em Deus, que o que escreve Saramago, o que ele diz, é insulto à fé dos crentes (ou aos crentes da fé), confundindo polémica, opinião e insulto. Antes de mais, vamos lá então definir.</p>
<blockquote><p><strong>Polémica </strong><em>s. f.</em> discussão acesa, controvérsia; debate (Do grego <em>polemike, </em>feminino do adjectivo que deriva do substantivo <em>pólemos </em>que significa guerra).</p>
<p><strong>Insulto</strong> s. m. (Do lat medieval <em>insultu). </em>O verbo insultar, do lat. <em>insultare (in+saltare</em> com o afrouxamento do ‘a’ em ‘u’ = saltar sobre, atacar, injuriar).</p>
<p><strong>Opinião</strong> s. f. modo de ver pessoal ou subjectivo; parecer emitido sobre um assunto…</p>
<p>(Dos dicionários)</p></blockquote>
<p>E agora vamos lá ver.</p>
<p>O senhor A diz que isto é assim. O senhor B diz que isto é assado</p>
<p>O senhor A diz que o que diz o senhor B é insulto ao que aquele diz e crê.</p>
<p>E então podemos perguntar. Se o que o senhor B diz de uma coisa é insulto ao senhor A pelo que ele diz dessa coisa, não será também insulto ao senhor B o que diz dessa mesma coisa o senhor A?</p>
<p>Mais concretamente. O senhor A diz que Deus existe. O senhor B diz que deus não existe. O senhor A diz que o senhor B está a insultá-lo ao dizer que Deus não existe.. Então e o senhor A não estará a insultar o senhor B ao dizer que Deus existe? São duas opiniões, contraditórias, subjectivas  que, no nosso caso têm, uma e outra, como referência a Bíblia, que o senhor A diz que tem Deus por autor e o senhor B diz que é da autoria de homens e está a ser lógico: não pode ter Deus por autor, porque ele não existe.</p>
<p>Então o melhor será, na base da Democracia e da Lógica, o senhor A e o senhor B, em liberdade de pensamento e expressõo, poderem expressar a sua opinião, sem que alguém possa arrogar-se o direito de ter mais direito de livre expressão do que o outro&#8230; Deixem o Caim de Saramago (e o da Bíblia) cumprir o seu destino de uma errância sem limite, como, de resto, lhe está traçado pelo autor da Bíblia, seja ele quem for.</p>
<p>Uma narrativa genial que só me põe um problema: a pontuação. Problema que, em minha modesta opinião, sem afectar o estilo e mesmo decerto a barroca fluidez do discurso,  podia ser resolvido pelo próprio Autor… Com duas vantagens: 1) não dificultava, aos alunos de português, a aprendizagem da pontuação normativa, e 2) tornaria o discurso mais claro e assim facilitaria a leitura.</p>
<p>Comentário complementar. Este <em>Caim</em> de Saramago assume notábvel relevo na linha satírica tradicional da nossa literatura. Camões, Vieira ( a quem Saramago tanto deverá felizmente), Eça, o próprio José da Silva o Judeu que foi queimado na fogueira da Inquisição, e da qual Saramago se livrou (pelo menos por enquanto!). E tantos outros, mesmo já no escárnio e maldizer medieval. O próprio Gil Vicente. Mas aquele de que me lembrei logo, ao começar a ler <em>Caim,</em> foi Guerra Junqueiro e a sua <em>A Velhice do Padre Eterno</em> contra a qual se insurgiram os guardiões infalíveis da Verdade/Dogmática. E fizeram constar que o velhinho Poeta morreu com os sacramentos… Tem cuidado Saramago! O que te valerá é que a Anjo da Guarda Pilar não deixará…</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow:hidden;position:absolute;left:-10000px;top:824px;width:1px;height:1px;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Uma narrativa genial que só me põe um problema: a pontuação. Problema que, em minha modesta opinião, sem afectar o estilo e mesmo decerto a barroca fluidez do discurso,  podia ser resolvido pelo próprio Autor… Com duas vantagens: 1. Não dificultava, aos alunos de português, a aprendizagem da pontuação normativa; 2. Tornaria o discurso mais claro e assim facilitaria a leitura.</span></div>
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		<title>Mais parónimos: contrato / contracto</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2009/10/23/mais-paronimos-contrato-contracto/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 01:39:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedromarquesdg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Etimologia]]></category>
		<category><![CDATA[Parónimos]]></category>

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		<description><![CDATA[“Oposição admite juntar-se para travar contracto (sic) com a Liscont” (DN 18/10/2009, p. 1, chamada para a p. 7).
Contrato, de contratar, sem ‘c’ antes do ‘t’; contracto, adjectivo sinónimo e ‘mano’ divergente de contraído. Podemos dizer que as três divergem do mesmo étimo (substantivo ou adjectivo) Contractu-: contrato da forma substantiva; contracto da forma adjectiva, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&blog=2849154&post=365&subd=tentolingua&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><blockquote><p><em>“Oposição admite juntar-se para travar <strong>contracto </strong></em>(sic) <em>com a Liscont”</em> (DN 18/10/2009, p. 1, chamada para a p. 7).</p></blockquote>
<p><strong>Contrato</strong>, de contratar, sem ‘c’ antes do ‘t’;<strong> contracto</strong>, adjectivo sinónimo e ‘mano’ divergente de <strong>contraído</strong>. Podemos dizer que as três divergem do mesmo étimo (substantivo ou adjectivo) <em>Contractu-</em>: <em>contrato </em>da forma substantiva; <em>contracto </em>da forma adjectiva, via erudita; <em>contraído </em>da forma adjectiva, via popular.</p>
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