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	<description>Gralhas que por aí grasnam, erros que por aí grassam</description>
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		<title>&#8220;O amor é…&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 21:45:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Etimologia]]></category>
		<category><![CDATA[Adolphe Tanquerey]]></category>
		<category><![CDATA[Júlio Machado Vaz]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O amor é&#8230;&#8221;, foi, neste Natal de 2011, uma longa exposição sobre Cristo, eu diria um longo sermão cristológico, em que foi evidenciado o ‘homem’ mas não negligenciado o ‘deus’… Durou para aí uma hora (dava para ouvir um belo sermão de Vieira), e foi proferido pelo ateu (acho que ele se diz) Júlio Machado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=978&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O amor é&#8230;&#8221;, foi, neste Natal de 2011, uma longa exposição sobre Cristo, eu diria um longo sermão cristológico, em que foi evidenciado o ‘homem’ mas não negligenciado o ‘deus’… Durou para aí uma hora (dava para ouvir um belo sermão de Vieira), e foi proferido pelo ateu (acho que ele se diz) <strong>Júlio Machado Vaz</strong>. E eu cheguei a uma conclusão: com ateus assim, os cristãos podem prescindir de cardeais a pregar mensagens de Natal. Poderia, ao menos, o Senhor Professor Psi substituir o epíteto ‘ateu’ pelo seu eufemismo ‘agnóstico’, tão do gosto de políticos que, tendo uma prática ateísta (e decerto um pensar…), preferem o eufemismo para não dificultar uma certa relação frontal e não afastar o povo mais ou menos crente de votar neles. Gostaria de perguntar ao ilustre professor, psiquiatra e sexólogo (talvez não ficasse nada mal, aqui, acrescentar teólogo…) como é que ele explica que todos os grandes dogmas de todas as religiões, incluindo o cristianismo (ou sobretudo o cristianismo?) têm na base um mito, uma lenda, qualquer coisa inacreditável e inexplicável a não ser por milagre, por intervenção sobrenatural, que ninguém ainda provou até hoje, parece-me a mim (o ónus da prova não está do lado dos descrentes…). Experimente abrir qualquer um dos quatro volumes da <em>Synopsis Theologiae Dogmaticae</em>, de Tanquerey, e veja como tudo ali é provado… Só, como exemplo, uns tantos dogmas: pecado original; virgindade de Maria – antes, durante, e depois do parto; imaculada concepção; infalibilidade do papa; divindade de Cristo; etc, etc. Folheie, são quatro volumes. Posso emprestar… E, já agora, fora do Tanquerey, mas bem oportuna na actualidade, já que foi há pouco proclamado o ano da proclamada Padroeira da América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe. Vale a pena investigar a origem da Senhora de Guadalupe. Posso dar uma ajudinha…</p>
<blockquote><p>Guadalupe (Nossa Senhora de) – REL. Dois famosos santuários conhecem a mesma designação de “Nossa Senhora de Guadalupe”.</p>
<p>Em Espanha. Na prov. de Cáceres, Estremadura, no fim do séc. XIII, o pastor Gil Cordero, por indicação de Nossa senhora teria descoberto uma imagem da Virgem que haveria sido enviada pelo Papa S. Gregório a S. Leandro de Sevilha e ali enterrada, c. 711, durante a invasão sarracena. Em 1329 já existia uma pequena capela. Prodígios vários fizeram acudir cada vez mais peregrinos. Igreja (estilo mudéjar, séc. XIV) e mosteiro (jerónimo) constituem o santuário de N. S. G., de muita devoção em Espanha, sobretudo nos sécs. XIV-XVII, e que por isso foi divulgado pelos novos países de colonização espanhola. N. S. G, em 1928, foi coroada, por Afonso III, como padroeira da Hispanidade.</p>
<p>No México. Nos subúrbios da capital, a 9.12.1531, o nativo João Diogo teria ouvido Nossa Senhora que o mandava ao bispo Zumárraga, para ali, em Tapeyrac, construir uma igreja em sua honra. Ao apresentar, como comprovação, rosas e flores (em pleno Inverno) no bornal em que as levava apareceu pintada uma imagem de Nossa Senhora. É esta a ‘tela’ que se venera no santuário mexicano, elevado a verdadeiro símbolo nacional. A humilde ermida, construída em 14 dias após as aparições, converteu-se em magnífico templo, construído em 1622, substituído, em 1709, pelo actual. O nome de Guadalupe é a forma castelhana, por semelhança com esta invocação mariana, muito conhecida dos Espanhóis da designação náhoa de coatlaxope* – “Aquela que esmagou a serpente”. N. S. G., coroada solenemente, em 1895, como “Rainha do México”, foi declarada, por Pio X, em 1910, Padroeira da América hispânica, e invocada por Pio XII, a 12.10.1945, como Imperatiz da América”. Assina M. Alves de Oliveira.  (<em>Enciclopédia VERBO</em>, Edição Século XXI).</p></blockquote>
<p>* Nota minha: [“A etimologia talvez esteja no ár. <em>uad al-lubb</em>”. (<em>Dic. Onomástico</em> Pedro Machado]</p>
<p>Por mim, sugeria: <em>Memória do Fogo 1. Os Nascimentos</em> de Eduardo Galeano, tradução de António Marques, ed. Livros de Areia, p. 96: &#8220;A Virgem de Guadalupe&#8221;, que remete para as fontes: Nigel Davies, <em>Los aztecas</em>, Barcelona, Destino, 1977; Juan Friede, <em>Bartolomé de las Casas: precursor del anticolonialismo</em>, México, Siglo XXI, 1976.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/978/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=978&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma nota – alheia – de fim de ano</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 21:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acordo Ortográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Com a devida vénia, emprestada de Vasco Graça Moura (in DN de 28/12/2011, p. 54: &#8220;Duas notas de fim de ano&#8221;): “2. A nossa língua tão acrisoladamente dinâmica, que se mais mundo houvera lá chegara, teve há poucos dias mais uns vislumbres de triunfal expansão. O Governo admitiu a hipótese de Portugal passar a exportar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=984&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a devida vénia, emprestada de <strong>Vasco Graça Moura</strong> (in DN de 28/12/2011, p. 54: &#8220;Duas notas de fim de ano&#8221;):</p>
<p>“2. A nossa língua tão acrisoladamente dinâmica, que se mais mundo houvera lá chegara, teve há poucos dias mais uns vislumbres de triunfal expansão. O Governo admitiu a hipótese de Portugal passar a exportar os seus tão habilitados professores para os quatro cantos do mundo, e, em especial, para as Áfricas e para os Brasis.<br />
Parece todavia que esses ingratos países, aos quais nos tínhamos dignado dar a língua, a independência e a razão de ser, não apreciaram a oferta por aí além. E terão feito saber que passam bem o magistério assim prestimosamente disponibilizado de tantos agentes pedagógicos, tão lastimáveis quanto impreparados, ministrado naquela que, com pouca corrupção e alguma hiperbólica fantasia, os deuses costumavam crer que era a língua latina.<br />
Foi uma atitude deveras displicente, tomada não apenas na quadra natalícia que atravessamos, mas numa ocasião em que se proclama com base nos mais acurados estudos especializados em metafísicas de bláblá, que a língua lusitana, essa “última flor do Lácio”, só ela, imagine-se, vale nada menos do que 17% do PIB. Mas compreende-se: nem Angola nem Moçambique estão interessados em professores que se ponham a ensinar criancinhas e adultos analfabetos a escrever grafias suculentas como &#8216;percessão&#8217;, &#8216;recessão&#8217;, &#8216;espetador&#8217;, &#8216;precetor&#8217;, e mais coisas assim, porque nos seus territórios nacionais está oficialmente adoptada a ortografia portuguesa e não um reles enxovalho para a língua comum.<br />
Quanto ao Brasil, com todas as divergências lá implicadas pela ortografia brasileira, o saudável país irmão também não está interessado em que as turmas escrevam &#8216;percessão&#8217;, &#8216;recessão&#8217;, &#8216;espetador&#8217;, &#8216;precetor&#8217;, e coisas assim, que lhe desfiguram a maneira de escrever e de falar.<br />
O resultado está bem à vista: o statu quo ortográfico, no universo da língua portuguesa, vai manter-se com três grafias oficiais e divergentes: a portuguesa propriamente dita, a vigorar plenamente em Angola e Moçambique, a brasileira propriamente dita, institucionalizada e praticada no Brasil desde há décadas; e, last but not least, a imbecil utilizada e imposta em Portugal por políticos que não sabiam nem sabem o que estão a fazer, que atropelaram a Constituição e a Lei e que só fazem jus ao qualificativo de irresponsáveis sem escrúpulos.<br />
Duas conclusões neste fim de ano tão nefasto. […] e o Acordo Ortográfico não está em vigor. Enquanto estas coisa não forem corrigidas, Portugal continua a ser […] uma vergonha cultural e um estado de torto.”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/984/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/984/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=984&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carta ao Director do &#8220;Diário de Notícias&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 01:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acordo Ortográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Exmo Senhor Director do Diário de Notícias: Uma vez que, segundo a notícia da página 43 do DN de 31/12/2011, “DN ‘adota’ novo acordo depois de amanhã” [agora, amanhã, pois], amanhã será o dia em que este leitor assíduo do DN, há tantos anos que já não se lembra desde quando, deixará de o ser, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=976&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Exmo Senhor Director do <em>Diário de Notícias</em>:</p>
<p>Uma vez que, segundo a notícia da página 43 do DN de 31/12/2011, “DN ‘adota’ novo acordo depois de amanhã” [agora, amanhã, pois], amanhã será o dia em que este leitor assíduo do DN, há tantos anos que já não se lembra desde quando, deixará de o ser, porque este leitor assíduo não ‘adota’ o acordo e, por uma razão de coerência, de sensatez e mesmo de honra (nem que ficasse sozinho, que não fica, muito longe disso!) suspender assinatura de jornal ou revista que o ‘adote’ (não se trata de assinatura mas é como se o fosse: é uma compra e leitura diária que, pois, deixará de o ser).</p>
<p>Há um dia da semana – quarta-feira – em que irei continuar a comprar e a ler, para não perder a crónica de Vasco Graça Moura. Espero que ao menos esse vosso colaborador leve até às últimas consequências a sua coerência de militante anti-acordo e que, de duas uma: ou ele escreve a crónica não ‘adotando’, ou o DN terá de o despedir…, pois não creio que ele fosse capaz de ‘adotar’ “uma coisa obscena chamada acordo”, a “grafia imbecil” das três que vão agora ficar adoptadas. (As aspas marcam citações <em>ipsis verbis</em> do bom escritor, bom poeta e poeta-tradutor Vasco Graça Moura).</p>
<p>Aproveito o ensejo para referir um acontecido que não deixa de ser interessante. Na <em>Notícias Magazine</em>, secção FAÇA-SE OUVIR, naquela letrinha rosa, estatuto da secção, dizia-se (escrevia-se) que “a revista arroga-se o direito de…”. Enviei por email a seguinte mensagem:</p>
<blockquote><p>&#8220;Caros Senhores da revista Notícias Magazine,Permito-me vir lembrar-vos um pequeno lapso linguístico (a língua portuguesa é muito traiçoeira, não é?). Não acredito que vocês se <em>arroguem</em> o direito do que quer que seja, pois parto do princípio de que a revista não é <em>arrogante</em>; nem a “antiga” nem a “remodelada” que, aliás, acho que está na boa linha. Permito-me, então, sugerir que “a revista arroga-se o direito” (FAÇA-SE OUVIR, &#8220;Instruções de utilização&#8221;, linha 4) seja substituído por “a revista se reserva o direito”. E parabéns!</p>
<p>António Marques&#8221;</p></blockquote>
<p>(Note-se a delicadeza da linguagem, indo ao ponto de usar o eufemismo ‘lapso’).</p>
<p>Verifiquei que aceitaram a minha correcção, mas não tiveram a coragem de publicar a minha mensagem. Concluí que, afinal, me enganara: a revista é arrogante ou, pelo menos, não tem a humildade que é, como sabemos, a mãe da sabedoria…</p>
<p>Vou enviar este texto por email e, amanhã, por via postal c/ AR.</p>
<p>Com os meus melhores cumprimentos.</p>
<p>António Marques</p>
<p>Pombal, 1 de Janeiro de 2012</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/976/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=976&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Considerações sobre haplologia</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2011/12/01/consideracoes-sobre-haplologia/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 15:04:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Erros]]></category>
		<category><![CDATA[Ortografia]]></category>
		<category><![CDATA[Haplologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Haplologia – “(Gr. Haplóos+logos – palavra simplificada, reduzida). Contracção ou redução dos elementos similares de um vocábulo. Diz-se também da supressão de um vocábulo repetido. Contracção ou redução de duas sílabas semelhantes de um vocábulo, para facilidade da prosódia (p. ex.: bondoso por bondadoso)” (Ver dicionários). É claro que se trata de um fenómeno linguístico, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=969&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Haplologia</strong> – “(Gr. <em>Haplóos</em>+<em>logos</em> – palavra simplificada, reduzida). Contracção ou redução dos elementos similares de um vocábulo. Diz-se também da supressão de um vocábulo repetido. Contracção ou redução de duas sílabas semelhantes de um vocábulo, para facilidade da prosódia (p. ex.: <em>bondoso</em> por <em>bondadoso</em>)” (Ver dicionários).</p>
<p>É claro que se trata de um fenómeno linguístico, mais comum do que se possa imaginar. E, antes de prosseguir, quero dizer que este texto me foi sugerido pela leitura da crónica &#8220;Um plano alvar&#8221; de Fernanda Câncio (in <em>Diário de Notícias</em>, 11/11/11, página 9):</p>
<blockquote><p>“Não me parece que o discurso da competitividade, tão caro ao ministro Álvaro Santos Pereira (que aliás insiste em articular &#8216;competividade&#8217; como articula &#8216;precaridade&#8217; e &#8216;empreendorismo&#8217;), só serve para justificar a entrega dos transportes públicos aos privados – porque, dogma intocável para este Governo, a gestão privada é sempre boa e a pública sempre má.”</p></blockquote>
<p>Se eu peguei neste parágrafo foi para mostrar que as “articulações” do ministro, ironizadas pela jornalista, não são as formas correctas que hoje se usam na linguagem corrente, mas podem muito bem vir a sê-lo, pelo menos algumas, pois elas têm a ver com o fenómeno da <strong>haplologia</strong> que acontece primeiro num uso restrito e se vai depois alargando até um belo dia se tornar a forma de uso normal generalizado. Querem ver alguns casos? Como se deve usar (dizer/escrever): <em>caridadoso</em> ou <em>caridoso</em>? <em>bondadoso</em> ou <em>bondoso</em>? <em>piedadoso</em> ou <em>piedoso</em>? E as duas seguintes, registadas, ambas, em dicionários recentes: <em>computadorizar</em> ou <em>computorizar</em>? <em>consultadoria</em> ou <em>consultoria</em>? (Ver Dic. Porto Editora, 2003). Eu, por mim, vou pela <em>consultoria</em> e <em>computorizar</em>. Das “articulações” do ministro, eu usaria, já, pelo menos, <em>competividade</em> e <em>empreendorismo</em>; <em>precaridade</em>, não, porque a norma geral de substantivo em -<em>ade</em> formado de adjectivo em -<em>io</em> é ele terminar em –<em>iedade</em>: <em>contrariedade</em>, <em>piedade</em>, <em>variedade</em>, <em>precariedade</em>.</p>
<p>E, já agora, <em>cuidoso</em> ou <em>cuidadoso</em>? Vejam o que diz o dicionário:</p>
<blockquote><p>“cuidoso, <em>adj</em>. o mesmo que cuidadoso, hapl.” [abrev. de haplologia, claro] (Dic. Porto Editora 2003).</p></blockquote>
<p>Pode-se dizer que esta forma haplológica, que foi usada no passado por grandes poetas e escritores (quiçá o próprio Camões), hoje em dia é praticamente um arcaísmo. Contrariando a tendência, calhou-lhe a sorte arcaizante…</p>
<p>Mas não queria terminar sem um último comentário. Na crónica referida, ou alhures, usa-se a linguagem de alguém, que se considera incorrecta, como argumento. Nisso, eu sou contra. E não é porque tenha alguma confiança no que diz o ministro, não: é porque a argumentação contra o que alguém diz perde a força argumentativa se nos virarmos para a linguagem mal dita ou supostamente incorrecta, por muito alvar que possa ser&#8230; Não deixará de ser uma espécie de argumento <em>ad hominem</em>, ou, se preferirem, <em>ad sermonem</em>…</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/969/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/969/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=969&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Presidenta&#8221;: extravagância caprichosa, gratuita e inútil</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2011/10/24/presidenta-extravagancia-caprichosa-gratuita-e-inutil/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 20:08:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Erros]]></category>
		<category><![CDATA[Verbos]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[Particípio presente]]></category>
		<category><![CDATA[Pilar del Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Presidenta]]></category>

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		<description><![CDATA[Pretender que presidenta seja a forma feminina de presidente não é mais do que… uma pretensão, extravagante, caprichosa, gratuita e inútil (e talvez antifeminista…). Ao mesmo tempo, revela um certo desconhecimento do processo evolutivo-etimológico das línguas em geral, e, em particular, da nossa língua – a língua portuguesa. Feminino forçado. E nem me venham dizer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=963&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pretender que <em>presidenta</em> seja a forma feminina de <em>presidente</em> não é mais do que… uma pretensão, extravagante, caprichosa, gratuita e inútil (e talvez antifeminista…). Ao mesmo tempo, revela um certo desconhecimento do processo evolutivo-etimológico das línguas em geral, e, em particular, da nossa língua – a língua portuguesa. Feminino forçado. E nem me venham dizer que a notoriedade de quem lançou, por aqui, a extravagante ideia, ou a sua relação com o falecido Nobel, só por isso, para tanto lhe dá autoridade. Nem tão-pouco, no segundo caso mais conhecido, o facto de ter sido a primeira mulher eleita para o cargo de presidente do Brasil, nem tão pouco isso, lhe dá a faculdade de se arrogar o direito de poder impor tal extravagância linguística aos falantes que lhe deram o voto para a presidência; considerando, essas agora ilustres senhoras, que se trata de atitude legítima de militância feminista. De maneira nenhuma. Já diremos porquê. Mas, antes de prosseguir, que fique bem claro, aqui, o meu grande respeito por essas duas figuras femininas, grandes mulheres progressistas, cada uma pelas suas razões, cada uma na sua circunstância. (Se feministas correctas, isso é outra coisa…).</p>
<p>“Presidenta” porque é mulher? Não! Por motivo nenhum. Por motivo gramatical, muito menos! E é simples. <em>Presidente</em> é o <strong>particípio presente</strong> do verbo <em>presidir</em>. Particípio, que também em português é uniforme, o que em linguagem gramatical quer dizer que tem uma única forma para os dois géneros: o <em>presidente</em> homem, a <em>presidente</em> mulher. Vejam bem: o machismo, que abunda nas regras gramaticais tradicionais, no caso do particípio presente, é uma bela excepção: igualdade para todos os géneros. Pode-se dizer ‘todos’ porque, em latim, é uniforme para os três géneros – masculino, feminino e neutro. Querem ver? <em>Homo præsidens</em> – o homem presidente (que preside); <em>mulier præsidens</em> – a mulher presidente (que preside); <em>animal præsidens</em> – o animal presidente (que preside, em linguagem de fábula, claro, mas real em linguagem gramatical). Convém acrescentar que, na flexão latina, apenas é biforme no acusativo: <em>pr<em>æ</em>sidentem</em>, <em>præsidens</em>; mas note-se que, para os dois géneros de gente, homem e mulher, continua uniforme – <em>pr<em>æ</em>sidentem</em>; para o neutro, <em>præsidens</em>, porque o neutro tem sempre o acusativo igual ao nominativo. Desculpem lá esta deriva gramatical, mas achei que era conveniente para dizer que, ao menos neste ponto, parece que o processo linguístico respeita, e, quiçá…, preconiza, a igualdade entre os dois géneros que têm a ver com homem e mulher.</p>
<p>Para que a coisa não fique no ar, dando lugar a elucubrações sobre esta minha opinião (mais do que opinião, parece-me tese comprovada), continuemos. O particípio presente verbal é, pois, já dos tempos latinos, <strong>adjectivo uniforme</strong> como fica dito. E aí estará a razão por que, no processo evolutivo do português, não se lhe atribuiu a forma feminina diferente da masculina, nem mesmo quando o particípio (adjectivo), pela chamada derivação imprópria, se substantiva, como no caso de <em>presidente</em>. Se não, vejamos se em outros (ou em todos os outros), alguma vez teve sucesso a tentativa de usar o particípio no feminino forçado. Basta referir alguns exemplos. Alguma mulher estudante quer ser considerada &#8220;estudanta&#8221;? Alguma mulher amante quer ser &#8220;amanta&#8221;? Uma mulher pedinte quer ser tratada por &#8220;pedinta&#8221;? Ou uma mulher lente, por &#8220;lenta&#8221;? Uma escrevente quer ser &#8220;escreventa&#8221;? E por aí fora: experimente todos os verbos que lhe apeteça. Nenhum admite essa flexão à força…</p>
<p>Nenhum mesmo? Ah! Apenas me lembro agora de um que admitiu, na história da língua e da pátria, a excepção que, é bem de ver, terá sido convencionada por imposição protocolar e conveniência das dinastias (Portugal e Espanha): trata-se da palavra <em>infanta</em> que, desde fins do século XV, foi determinada como tratamento das filhas dos reis que não fossem herdeiras do trono. Decidiu-se, pois, que uma qualquer D. Maria, princesa não herdeira, fosse a <em>Infanta</em> D.Maria. “Infante” tem a ver com o particípio presente do verbo depoente latino – <em>for, fatus sum</em> – que significa <em>falar</em>; <em>fans</em>, <em>fantis</em>, na negativa, deu <em>infans</em>, <em>infantis</em> (que não fala).</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/963/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/963/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=963&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Memória do Fogo&#8221; de Eduardo Galeano</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 19:41:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Galeano]]></category>
		<category><![CDATA[Memória do Fogo]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos trabalhos que ultimamente têm ocupado, muito proficuamente – parece-me – o autor deste blogue, é nem mais nem menos do que a tradução desta obra, Memória do Fogo (edição da Livros de Areia) importante trilogia do grande escritor uruguaio Eduardo Galeano. Para não dizerem que sou eu que o digo…, vejam o que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=958&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tentolingua.files.wordpress.com/2011/10/memoriadofogo_capafoto.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-959" title="memoriadofogo_capafoto" src="http://tentolingua.files.wordpress.com/2011/10/memoriadofogo_capafoto.jpg?w=426&#038;h=385" alt="" width="426" height="385" /></a><br />
Um dos trabalhos que ultimamente têm ocupado, muito proficuamente – parece-me – o autor deste blogue, é nem mais nem menos do que a tradução desta obra, <a href="http://livrosdeareiaeditores.com/livros_Memoria.html" target="_blank"><strong>Memória do Fogo</strong></a> (edição da Livros de Areia) importante trilogia do grande escritor uruguaio <strong>Eduardo Galeano</strong>. Para não dizerem que sou eu que o digo…, vejam o que se diz sobre o autor e a obra. Eu, tradutor, digo simplesmente que foi o melhor livro que li ultimamente. E, bons leitores que aqui cheguem, de visita ou deparantes de acaso, saberão em que consiste a leitura de tradutor que se preze: complexa e profunda. Mas deixemos considerações que sobre este grande livro se possam fazer. Remeto-vos para o que, a partir do original em castelhano, se diz do livro e do autor.</p>
<blockquote><p>&#8220;O autor nasceu em Montevideu, Uruguai, em 1940. Eduardo Hughes Galeano é o seu nome completo. Iniciou-se no jornalismo no semanário socialista <em>El Sol</em>, publicando desenhos e caricaturas políticas com o pseudónimo Gius, devido à dificultosa pronúncia castelhana do seu primeiro apelido. Em breve foi chefe de redacção do semanário <em>Marcha</em> e director do diário <em>Época</em> e de alguns semanários em Montevideu. Em 1973 exilou-se na Argentina, onde fundou e dirigiu a revista <em>Crisis</em>. Desde 1977, viveu em Espanha. Em 1985, regressou ao seu país.Publicou vários livros, entre eles <em>Las venas abiertas de América Latina</em>, editado por Siglo XXI em 1971, e os prémios da Casa das Américas<em> La Canción de nosotros</em> (1975) e <em>Días y noches de amor y de guerra</em> (1978).&#8221;</p>
<p>&#8220;Este livro inicia uma trilogia. Divide-se em duas partes: numa, a América pré-colombiana aparece-nos através dos mitos indígenas da fundação; na outra, ocorre a história da América desde finais do século XV até ao ano de 1700. O volume seguinte de <em>Memória do fogo</em> abrangerá os séculos XVIII e XIX. O terceiro volume chegará aos nossos dias.<br />
Ao pé de cada texto, entre parêntesis, os números assinalam as principais obras que o autor consultou em busca de informação e marcos de referência. A lista das fontes documentais é facultada no fim.<br />
À cabeça de cada episódio histórico indica-se o ano e o local em que ocorreu.<br />
As transcrições literais distinguem-se em itálico. O autor actualizou a ortografia das fontes antigas citadas.&#8221;</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/958/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/958/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=958&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>“Equador” dobrado em brasileiro</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 21:08:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acordo Ortográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Equador]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Sousa Tavares]]></category>

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		<description><![CDATA[“‘Equador’: Sousa Tavares aplaude dobragem” (DN de 5/10/11, chamada, na primeira página, para a página 50) Agora, pode-se perguntar: querem vocês prova mais provada de que estamos aqui perante duas línguas – o português e o brasileiro? Se os telespectadores brasileiros não entendem a língua que se fala numa novela – o português, pois – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=953&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>“‘Equador’: Sousa Tavares aplaude dobragem”</em> (<a href="http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=2035872&amp;seccao=Televis%E3o" target="_blank"><strong>DN</strong> </a>de 5/10/11, chamada, na primeira página, para a página 50)</p></blockquote>
<p>Agora, pode-se perguntar: querem vocês prova mais provada de que estamos aqui perante duas línguas – o português e o brasileiro?</p>
<p>Se os telespectadores brasileiros não entendem a língua que se fala numa novela – o português, pois – é porque essa língua não é a mesma que se fala no Brasil. O negócio, diz o DN, foi discutido: ou dobragem ou legendagem. Vejam bem: dobragem ou legendagem; quer isto dizer que não entendem mesmo.</p>
<p>E agora, vejam melhor ainda. Como é que se pode pensar em acordo ortográfico entre duas línguas cujos falantes, pelo menos os de uma delas, não são capazes de apreender o que as personagens dizem em novela falada na outra?</p>
<p>Para o deparante de acaso ou adrede visitante que queira saber mais da opinião que se expende neste blogue sobre o tema aqui aflorado, não terá mais do que clicar <a href="http://tentolingua.wordpress.com/category/acordo-ortografico/"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/953/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/953/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=953&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Estranha forma de cantar</title>
		<link>http://tentolingua.wordpress.com/2011/10/02/estranha-forma-de-cantar/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 13:03:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alia]]></category>
		<category><![CDATA[Fausto]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Luís de Camões]]></category>

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		<description><![CDATA[Aparece às vezes, em ondas, uma espécie de febre de cantar canções de outros, sobretudo de outros que foram grandes entre os maiores. E pergunto: qualquer pessoa das cantigas se pode arrogar o direito de cantar a sua versão de cantigas de outros? Há tempos, a vítima foi o Zeca Afonso. Todos os dias, a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=950&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aparece às vezes, em ondas, uma espécie de febre de cantar canções de outros, sobretudo de outros que foram grandes entre os maiores. E pergunto: qualquer pessoa das cantigas se pode arrogar o direito de cantar a sua versão de cantigas de outros? Há tempos, a vítima foi o Zeca Afonso. Todos os dias, a toda a hora, a gente ouvia na(s) rádio(s) uma canção que logo se percebia que era do grande cantor – o maior. E os meus botões de ouvinte iam ouvindo a cantiga, sempre resmungando a saudade da genuína, cantada pelo génio, ali pretensamente imitado. Quanto ao Zeca, foi uma praga. De tal forma que nos íamos esquecendo dele enquanto nos entediávamos com a imitação: deles, delas, de todos. São os cantores-cucos, que até são, alguns deles, muito grandes, os maiores no seu próprio ninho! Mas atenção: nada de abusos!</p>
<p>Depois, foi a grande Amália: <em>Estranha forma de vida </em>(e outras) inspirava a ideia dessa estranha forma de cantar. A seguir, o grande Variações. E lá vinha sempre o resmungo dos meus botões que me obriga a clicar o <em>off</em>! Safa!&#8230;<br />
E, pelos vistos, nem os próprio génios se livram da tentação! Agora é o génio do fado, o grande Carmo, acompanhado por outro génio – o grande Sassetti do piano e do jazz. Tiveram juntos a infeliz ideia de pegar numa canção genial do genial Fausto. E, agora, por tudo e por nada, se queremos ouvir a bela canção <em>Foi por ela</em>, bela, perfeita, genial, só nos é permitido ouvir a imitação de que se faz propaganda como se ela fosse “a perfeição aperfeiçoada”… E tal não é possível. &#8220;Perfeito&#8221; é um daqueles adjectivos que, no grau normal, já é superlativo, absoluto ou relativo. O que é perfeito é insuperável, mesmo que o(s) imitador(es) seja(m), como é o caso, o(s) melhor(es) em determinado género da canção ou da música.<br />
Ora vejam. Vamos supor que o grande Pessoa um dia se tivesse lembrado de imitar <em>Os Lusíadas</em>… O ridículo que ele sentiria pelo seu pastiche! E no entanto ele, como grande poeta, de certo modo ombreando com o Épico, não era artista para imitar, mas, inspirado nele e na sua obra, criou coisas, algumas de algum modo esteticamente mais ricas do que as da Fonte…<br />
Daqui peço, encarecidamente, a todos os radialistas, com especial referência aos da Antena 1, que me dêem, muitas vezes, <em>Foi por ela,</em> sim, mas a original genuína, do genial Fausto por Fausto!&#8230; Se não, é estragação que prejudica: o criador, o imitador e, é claro, o ouvinte! Ficamos todos prejudicados!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/950/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/950/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=950&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Acordo Ortográfico: a bancarrota da língua!</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 20:34:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acordo Ortográfico]]></category>

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		<description><![CDATA[Começo por convidar, na minha colaboração de hoje, todos os meus possíveis leitores a lerem o grande artigo assinado por Fernando Venâncio, publicado na revista LER n.º 105, Setembro de 2011, página 36, com chamada na capa: “ACORDO ORTOGRÁFICO – VISITA GUIADA AO REINO DA FALÁCIA”. E, para alguém que possa ter dúvidas sobre a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=940&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começo por convidar, na minha colaboração de hoje, todos os meus possíveis leitores a lerem o grande artigo assinado por <strong>Fernando Venâncio</strong>, publicado na revista LER n.º 105, Setembro de 2011, página 36, com chamada na capa: “ACORDO ORTOGRÁFICO – VISITA GUIADA AO REINO DA FALÁCIA”. E, para alguém que possa ter dúvidas sobre a palavra <em>falácia</em>, a seguir se explica o significado: “(Do latim: <em>fallacia</em>) Falatório; ruído de vozes; engano (de quem se engana) manha; arteirice; estratagema; artifício; ardil; logro; erro; engano (de quem quer enganar)&#8221; (Ver dicionários ).</p>
<p>Leram vocês bem: “reino da falácia”, do caos, da confusão, do agora-é-que-ninguém-se-entende! Ora vejam. A gente pega num simples semanário, por exemplo <em>O Correio de Pombal</em> ou, não vamos mais longe, <em>O Rodilha</em>. E qual é o panorama com que deparamos? Uma salgalhada de escritos, de textos, de artigos ou notícias, de comentários, que nos deixam a impressão de que a Língua Portuguesa, a nossa querida língua (que na feliz expressão de Pessoa é &#8220;a minha pátria&#8221;), vemos essa língua como que regressada uns séculos atrás, aos tempos em que não havia norma ortográfica única e cada falante/escrevente escrevia como muito bem lhe desse na veneta. Abra-se, por exemplo, uma edição antiga das Crónicas de Fernão Lopes ou da Peregrinaçom de Mendes Pinto, ou um qualquer livro dos tempos medievais; demo-nos ao trabalho de folhear as Crestomatias Arcaicas (v.g. a de Rodrigues Lapa), ou mais para diante, sim passando mesmo por Camões, por Vieira, por Camilo, por Eça, tudo antes da primeira grande reforma ortográfica que se deu já na República 1911: Leite de Vasconcelos, Carolina Michaëlis e C.ª- grandes linguistas)…</p>
<p>Mas voltemos, p. e, a O Correio de Pombal em que, na generalidade dos escritos (uns assinados, outros anónimos…), a bagunça é real. À “exceção” (é assim que o Acordo manda escrever…) do director e pouco mais, todos se estão arrogando o direito (ou pensarão no dever?&#8230;) de o aplicarem, um pouco ao calhas, cada um como pensa ou ouviu dizer que ele é, dando aquela impressão da ‘crestomatia arcaica’ de que atrás se fala. Nem o Director Prates Miguel, o bom Prates (como diriam os renascentistas), nosso bem conhecido grande cronista, bom cultor da língua, nem ele escapa a uma traiçãozinha (involuntária, é claro) dos revisores, que, na sua crónica do n.º 1119 de 15/9/11, lhe tiraram o hífen de &#8220;super-ministro&#8221; e lhe transformaram o maremoto em &#8220;marmoto&#8221;…</p>
<p>O que se está passando com a dita implementação do dito Acordo é simplesmente uma bagunça, é o caos linguístico; é uma desgraça! É a bancarrota da Língua! Uma desgraça, sim! Semelhante à desgraça política a que conduziram o país: os que assinaram o dito acordo foram, são, os mesmos que conduziram o País ao trágico Estado em que estamos! E os que consentem na assinatura passada e, com o poder na mão, não cuidam de pôr travão ao caos linguístico que se está verificando nas escolas (nas escolas, <em>my god!</em>), na comunicação social, falada/escrita/ouvida/lida.</p>
<p>Só para se ter uma ideia do que se exorciza no artigo cuja referência deu início a este texto, dele se transcreve aqui um quadro comparativo (&#8220;Descubra algumas diferenças&#8221;):</p>
<p><a href="http://tentolingua.files.wordpress.com/2011/09/untitled-22.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-945" title="Untitled-2" src="http://tentolingua.files.wordpress.com/2011/09/untitled-22.jpg?w=426" alt=""   /></a></p>
<p>Temos aqui um pequeno espelho da arbitrariedade, da desrazoabilidade, da insensatez “dessa coisa obscena chamada Acordo”, na acertada expressão de Vasco Graça Moura.</p>
<p>Quem nos acode?! Quem acode à nossa língua?!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/940/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/940/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=940&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Sabo, saibo ou não tem?&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 14:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Verbos]]></category>
		<category><![CDATA[Latim]]></category>
		<category><![CDATA[Verbos defectivos]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais uma vez, era no &#8220;Jogo da Língua&#8221; (Antena 1). Perguntava-se a primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo saber (= ter sabor). Três hipóteses: a) sabo; b) saibo; c) não tem. O concorrente não acertou porque atirou à alínea c), pensando, se calhar, que o verbo seria defectivo. Errado. E a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=936&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma vez, era no &#8220;Jogo da Língua&#8221; (Antena 1).</p>
<p>Perguntava-se a primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo <em>saber</em> (= ter sabor). Três hipóteses: a) sabo; b) saibo; c) não tem.</p>
<p>O concorrente não acertou porque atirou à alínea c), pensando, se calhar, que o verbo seria defectivo.</p>
<p>Errado. E a senhora professora explicou então. Resposta certa seria a alínea b): <em>eu saibo</em>. Mas à senhora doutora não lhe ficaria nada mal estender um pouco mais a explicação. Não é <strong>defectivo</strong>, porque se pode usar em frases de cariz mais ou menos figurado. Quando, por exemplo, a mamã morde ou faz que come a orelha do filhito, este pode-lhe perguntar: “estás-me comendo a orelha, mamã. E eu saibo a quê?” Lá está: <em>eu saibo, tu sabes, ele sabe, nós sabemos, vós sabeis, eles sabem</em>. Isto, do verbo <em>saber</em> (=ter sabor). Mas há outro verbo saber, de sabedoria: eu sei, tu sabes, ele sabe, nós sabemos, vós sabeis, eles sabem, Diremos que, em português, o presente do indicativo dos dois verbos é homónimo em todas as pessoas, excepto na primeira: eu sei / eu saibo. E acho que é a única forma em que o verbo saber (= ter conhecimento) se distingue do verbo saber (=ter sabor). O que quer dizer que o verbo <em>sapere</em> do latim mais vulgar, no processo evolutivo, levou a palma ao verbo <em>scire</em> do latim clássico. E podia-se fazer aqui referência à etimologia de <em>saibo</em> que tem como étimo nem mais nem menos do que o correspondente latino: <em>sapio</em>. Têm ambos as mesmíssimas letras, só que, na evolução, deram-se fenómenos que costumam dar-se no processo evolutivo – <em>sapio &gt; saibo</em>: o ‘i’ do latino saltou, em metátese, para junto do ‘a’ formando com ele ditongo (saipo); e o &#8216;p&#8217; abrandou em ‘b’ (saibo). Aí está. Não custava nada e olhem que a coisa, parece-me, não deixa de ser bem curiosa. Será que a senhora doutora acha que o latim não tem nada a ver?&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tentolingua.wordpress.com/936/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tentolingua.wordpress.com/936/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tentolingua.wordpress.com&amp;blog=2849154&amp;post=936&amp;subd=tentolingua&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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