Pérolas da língua sobre a língua

Já que estamos com as mãos na massa, que é como quem diz com os olhos em pérolas da nossa língua (não na nossa língua: piercing, não, nada disso credo!…), aqui vai mais uma, desta vez de Olavo Bilac, um dos maiores sonetistas em língua portuguesa. Vejam: “…os admiráveis sonetos de Tarde (1919), só comparáveis aos de Camões, aos melhores de Bocage e aos de Antero, quer pela perfeição formal, quer pela elevação de pensamento.” (in Dicionário de Literatura, Dir. de Jacinto do Prado Coelho, 1.º Vol., p. 108, Livraria Figueirinhas, Porto)

“FLOR DO LÁCIO

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: ‘meu filho!’,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!”

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