Tento na Língua, tento na bola, tento na pantalha!…

Outra vez o Euro! Agora o ‘Euro 2008′! Quando, das varandas de muitas casas, ainda pendem bandeiras rotas e sujas, trapos de bandeiras, desde há quatro anos, do Euro 2004’, lembrando-nos uma tremenda falta de respeito pelos símbolos pátrios, lá vem outra vez a campanha manipuladora, centrada no ‘Euro’! Apelando ao amor da Pátria, confundindo patriotismo com patrioteirismo (mórbido, pois, jogando com a alienação mórbida das pessoas) que poderá, provavelmente, distrair as cabeças deste desgraçado País, para o deus-bola, para a religião-futebol, numa manobra de tentar, certamente, desviar as atenções de famintos, despedidos, desempregados, empregados precários ou pequenos empresários falidos, milhões no limiar da pobreza, nesta Europa que nos querem fazer crer que vai de vento em popa!

Sobre a memória ( de resto, frustrada…) de Viriato, Viseu é, para o efeito, a capital de Portugal (na cabeça de muitos, quiçá a capital do mundo!) Lá se encontra, em regime de estágio, um garboso exército, preparando-se para a luta, para as batalhas que aí vêm. Sob o comando de um ‘Condestabre’ rezando à Madonna de Caravaggio, para não desmerecer do outro (rezando a Santa Maria, claro), apelando à devoção dos Portugueses para que o milagre seja possível.

-Milagre?! Então, desporto é milagre, já não é força? Já não é jeito? Já não é mérito? É milagre?! Vejam bem, a figura que nos oferecem grande parte dos jogadores, benzendo-se, persignando-se, de mãos erguidas ao Céu, mostrando a superstição ou a devoção religiosa acima da fé no seu próprio mérito desportivo…

Quem poderá não estar convosco, Mário Correia e Miguel Tavares, e uns poucos que, na comunicação social, felizmente ainda resistem a este duche escocês, forçado e interminável, de ‘Selecção Nacional’? Todas as horas, todas as primeiras partes de horários nobres! Tenho pena de quem tenha de almoçar e jantar a ver/ouvir telejornais. Não se livrarão da ‘Selecção Nacional em Viseu’!

Com a devida vénia, transcrevo:
1- “No dia em que se ficou a saber que em Portugal 9% da população vive com apenas 10 euros/dia, a RTP 1 abre o seu telejornal com 11 minutos (!) de Selecção Nacional. Pobre País este!” (Mário Correia in DN, Domingo 25/5/08, p.9)
2- “Ora se nenhum estudo científico deu como provado que o contacto com símbolos nacionais destrua a massa encefálica dos indígenas, como explicar este estranho ímpeto nacinalista, que tudo aceita e nada pergunta?” […] “Quando a Federação Portuguesa patrocina uma conferência de imprensa a Luís Felipe Scolari abrilhantada por Roberto Leal e seu filho, o que tu tens a fazer não é pedir para Scolari dedilhar umas notas na guitarra enquanto Roberto canta de improviso uma versão homicida de Uma Casa Portuguesa. Uma Casa Portuguesa, ainda por cima, é toda ela “conforto pobrezinho do meu lar”, grande defensora de um Portugal satisfeito com a sua menoridade. […] Além de que colar a selecção à música sofisticadíssima de Roberto Leal e Tony Carreira é pôr Portugal ao nível da rulote das bifanas”. (Recomenda-se vivamente a leitura, na íntegra, da crónica de João Miguel Tavares in DN 27/5/08, p. 9).

Tento na Língua! Tento na Bola! Tento na Pantalha! Sobretudo na pantalha, senhores!…

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