Considerações sobre uma virtude teologal

“As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade”. Foi assim que me ensinaram na catequese, em pequenino, e nunca mais me esqueci; foi assim que ensinaram a toda a gente e decerto nunca mais ninguém se esqueceu… Quem tiver curiosidade, pode encontrar em qualquer dicionário a definição das três, incluindo a acepção RELIGIÃO. Agora aqui, para o efeito, interessa-nos a da esperança.

Esperança: “2. RELIGIÃO. Virtude teologal que inclina a vontade a confiar na bondade e omnipotência divinas, e a esperar na vida eterna pelos méritos de Cristo. (Do lat. tardio sperantia (Ibidem)” (no lat. clássico temos a palavra spes).

Considerando essas três virtudes na sua acepção ‘teologal’, poderíamos talvez afirmar que ela não se aplica aos descrentes (agnósticos ou ateus). E, mesmo aos crentes, que a tenham ou não aprendido na catequese, elas não se aplicarão, todas três igualmente, já que, segundo a sabedoria do povo (cristão, claro), “a última a morrer é a esperança”, o que quererá dizer que todas elas morrerão, mas a última a morrer é a esperança. Será, então, caso para pensar que em qualquer situação de crise – moral, social ou política -, por mais dramática que seja, ninguém perca a esperança…

Valha-nos, pois, ao menos a esperança! Deve ser esta a mensagem que podemos deduzir de certos rumores, (mais que rumores, prenúncios e anúncios), procedentes do lado da Obra, que querem instalar a esperança e transmiti-la através de um novo partido, vejam bem, o Partido da Esperança. É claro que, vindo desses lados, o que só nos faltava era mesmo um partido. Sim, porque a Obra já atingiu os cumes da nossa pátria: Governo, Assembleia, e até, como é bem sabido, as mais altas e poderosas instâncias bancárias, que se fazem ornar de grandes palavras com um certo halo carismático!… Da Obra, só nos falta, pois, experimentarmos um partido e um Presidente da República. Mas não desanimemos, porque a esperança é a última a morrer. Vejam.

À espera de vez no dentista, tive tempo para folhear a Nova GENTE nº 1650, 28/4 a 4/5/08 e ler na página 10: “De volta? […] Coincidência que poderá devolver a política à sua vida ou início de operação de charme para conquistar Belém em 2011 e suceder a Cavaco Silva, actual Presidente da República”. Isto referido a alguém que abandonou o país em pleno pântano que ele mesmo ajudara a criar. Ou consentira. E até parece que é destino nosso (ou pecha?): primeiros-ministros abandonarem-nos, fugindo sempre para cima!….

Será esta a Esperança que é a última a morrer?… Vê lá se abres os teus olhinhos, meu Povo!

P.S.: Os jornais de hoje, 11/07, anunciam que os Alegristas lançaram uma revista on-line para ‘resistir à colonização ideológica’, a que deram o nome de Ops. E eu fiquei cheio de esperança, porque ops é um substantivo comum, latino, que significa abundância, recursos, ou então um substantivo próprio, também latino, que é o nome da Deusa da Abundância, Cibele. Mas ia sofrendo um sobressalto quando reparei que só lhe falta um ‘u’ para termos, por outro ínvio caminho, a ‘Obra’ aí de volta…

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