“Livros que já se leu”?

“Bem sei que é suposto só recomendar livros que já se leu.”
(Notícias Magazine, 20.07.08, p. 12)

Assim começa a crónica de jornalista que eu muito considero e aprecio. Mas, nesta sintaxe, estou em desacordo… Tentemos analisar a oração relativa (sublinhada), nas duas formas. Comecemos pela que eu considero correcta:
1. ‘que já se leram.’
Sujeito – ‘que’ (com antecedente no plural); predicado – ‘se leram’ (=foram lidos); ‘já’ – complem. de tempo.

2. ‘que já se leu’
Nesta forma, que aqui se considera incorrecta, o que seria, sintacticamente o ‘que’? Complemento directo? Ou teria de se considerar o ‘se’ como sujeito? Foi o ‘se’ que leu?… Vejam só a trapalhada que alguns plumitivos (de categorizada pluma…) estão lançando, só porque não querem aceitar a norma dos nossos grandes gramáticos: a tal partícula apassivante ‘se’, ou pronome apassivador, como dizem os gramáticos brasileiros.
Se quiséssemos dar-lhe forma activa, seria: ‘que nós já lemos’ ou ‘que a gente já leu’.

Aqui vai mais um caso, do DN de 25.07.08, p. 9, na carta destacada:
“… assim por cá, mas saúda-se as boas intenções do procurador.”
Na lógica do que aqui defendo, deveria ser: “saúdam-se (=são por nós saudadas) as boas intenções do procurador.” (Cf., mais uma vez, rubricas 21,22 e 146 de Tento na Língua!… e, neste blogue, a postagem “O ‘se’ apassivante”).

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