Caixautomática

Caixa. Segundo os dicionários, esta palavra, na acepção geral que se lhe dá, como recipiente, é do género feminino: uma caixa de surpresas, a caixa de Pandora, etc.

Na acepção de ‘livro de registo dos valores contidos em cofre‘, é do género masculino.

Na acepção de ‘pessoa que exerce as funções de recebedor e de pagador de uma casa comercial’, pode ser do género masculino ou do género feminino, consoante a função seja desempenhada por homem ou mulher.

Daqui passámos para a caixautomática, neologismo que serve para designar isso mesmo: as “caixautomáticas” que o progresso electrónico trouxe para os bancos, a fim de reduzir as(os) dos balcões. Para facilitar o serviço; para favorecer os clientes, diziam… Palavra que se formou por aglutinação (caixa+automática), como, por exemplo, aguardente, vinagre, etc. No caso presente – caixautomática – sempre do género feminino. Porquê? Porque, sendo formada por nome substantivo mais adjectivo, este concorda com o nome. Dai, fica o aglutinado feminino que é o género do nome. Muito simples, não é?

E o que sucedeu? Sucedeu que, ao princípio, tudo correu bem, na CGD, como fora prometido. Não precisávamos de ir tantas vezes ao balcão. Quando não sabíamos operar, vinha um funcionário ou funcionária ensinar-nos gentilmente, e o cliente até ficava pasmado quando depressa verificava que … já sabia, muito obrigado!

Eis senão quando, como por encanto, a(s) máquina(s) recusam-se a trabalhar! Ou uma trabalha e a(s) outra(s) não! Ou então, trabalham, sim senhor, mas o(s) cliente)s) terá(ão) de aceitar condições. E que condições? Assim: clica-se e a caixautomática, antes aceder ao pedido, mostra um boneco publicitário que o cliente tem de ver durante uns largos segundos. Clica-se novamente, e outro boneco nos aparece, obrigando o cliente a estar ali especado a olhar para ele mais uns tantos segundos. E assim sucessivamente, em todos os cliques que tenha de fazer até ao clique final e termo da operação!

E então não será caso para perguntar: com que direito a instituição pode assim faltar ao respeito, tantas vezes numa só operação (e é se a máquina, mesmo assim, está disponível)?!…

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