O futuro do presente e o futuro do pretérito…

Há décadas que as nossas gramáticas oficialmente autorizadas, tratando-se do futuro, tempo verbal, nos ensinavam: futuro imperfeito do indicativo – eu amarei; futuro imperfeito do conjuntivo – se eu amar; futuro perfeito do indicativo – eu terei amado; futuro perfeito do conjuntivo – se eu tiver amado. Quatro futuros, dois em cada modo. Depois, havia o modo condicional, que tinha o presente – eu amaria, e o pretério – eu teria amado. Pode-se verificar que assim era na generalidade das gramáticas mais adoptadas nas escolas, da Texto, da Didáctica, da Porto Editora, da Plátano. Tenho aqui a Gramática do Português Moderno (Plátano, 6ª Edição 2005), que adopta ainda esta terminologia, apenas titubeando quanto ao condicional, que deixa de ser modo para ser apenas tempo. Decerto, sob influência de Celso Cunha e Lindley Cintra, passaram a chamar-llhe futuro do pretérito, e ao futuro imperfeito (indicativo) futuro do presente. E gramáticas e guias de verbos, com o ónus da normatividade, aceitam as opiniões como norma e passam a adoptar o ‘futuro do presente’ e o ‘futuro do pretérito’!

E – digo eu cá com os meus botões – isto é uma degraçada confusão! A gente vai ensinar a uma criança o presente do indicatico e logo adiante o futuro do presente do indicativo; depois, o futuro do pretérito do indicativo, etc., por aí fora… Ora, imaginem lá vocês, estamos a ensinar uma criança a conjugar um verbo:

– Estás a ver, meu menino, por exemplo o verbo amar: presente do indicativo – eu amo; imperfeito do indicativo – eu amava; futuro do presente…
– Do indicativo, professor?
– Sim, futuro do presente, do indicativo – eu amarei. Agora, futuro do pretérito..
– Do pretérito, quer dizer, do passado, não é, professor?
– Sim. Futuro do pretérito – eu amaria

Lembrei-me de abrir gramáticas recentes das nossas mais próximas vizinhas novilatinas e zás: Indicatif:  présent, imparfait, futur, conditionnel, e por aí adiante, sem qualquer futuro do presente ou do passado… (Cf. Grammaire du français contemporain, Larousse-Bordas, 1997)

Depois, o castelhano. Presente, perfecto simple, futuro, pretérito imperfecto, futuro hipotético (é o tal futuro do pretéritoconditionnel do francês). (Cf. Gramática Básica del Español – norma y uso, SGEL, 10ª edição, 2001).

Estão a ver? É ou não é inovar por inovar?!… É ou não é vontade de complicar? Para quê? Ainda se fosse gratuito, mas não complicasse…Mas é gratuito e complica!…

4 Respostas

  1. parabens gostei

  2. demaisssssssssssssssssssssssssssssssssssss

  3. esse texto é´demaissssssssssssssss e eu gostei muitooooooooooooooooooo

  4. Muito bom e esclarecedor.

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