Premissas / (permissas) – parónimos e outras coisas

Põe-se, no título, a segunda parónima entre parênteses, porque praticamente essa palavra não se usa. Basta dizer que, procurando em todos os dicionários que rodeiam a minha mesa de trabalho, apenas a encontrei registada no de José Pedro Machado 7 volumes, para dizer que é ‘o m. q. premissa’, o que a mim me oferece alguma dúvida, e na G. Enc. Port. e Bras. , justificando, a palavra assim usada por Castilho, (Fastos, II, Nota D, p. 214). Mas, não seria para considerarmos que é mau uso desses dois autores (Que diabo! Até o papa se engana! Quanto mais um escritor, por ‘grande escritor’ que ele seja!). Partimos, então, do princípio de que permissa(s) não se usa mais na nossa língua, a não ser como adulteração da palavra primícia(s) (D. Lello Prático Ilustrado). Se se usasse, seria parónima de premissa, de largo uso na linguagem filosófica, e que, esta sim, todos os dicionários registam como: “Cada uma das duas proposições, maior e menor, de um silogismo”, “antecedente lógico de uma conclusão”.

Linguisticamente, o caso é parecido com o da rubrica 472 ( vide ‘prefeito / perfeito’): a pequenina diferença entre os prefixos ‘pre-‘ e ‘per-‘ (das preposições/prefixos latinos: prae- e per- que entram na formação, respectivamente, dos verbos latinos praemittere, praemisi, praemissum (= enviar antes) e permittere, permisi, permissum (= permitir).

Vem tudo isto a propósito de uma gralha encontrada no editorial do DN de 4 de Dezembro último:  “o Ministério […] alterou muitas das suas permissas [sic] e sentou-se à mesa para negociar”. Deveras, considero-a gralha, porque, sabido que normalmente o editorial de jornal é atribuível ao director, nem pela cabeça me passou que o competente jornalista João Marcelino (como tal o considero, na minha leitura diária do DN) cometesse um lapso destes a não ser por gralha, decerto atribuível à revisão… E, já que estamos com os olhos nas gralhas, não se perca estoutra (nem por azar!), no início da 2ª frase do último parágrafo: “Rogando-se o direito…” [sic] por “arrogando-se o direito”.

E porque dei eu tanta importância ao editorial desse dia? Porque quis verificar se ele insistia na linha editorial que está bem visível desde o princípio do 3º parágrafo: “Mas sindicatos e professores insistiram numa posição de irredutibilidade inadmissível. Rogando-se [sic] o direito de impor condições ao Governo…” É claro que, assim, o leitor é inclinado (levado?…) a ver o jornal como um durão guarda-costas do establishment. Editorial, pois, com pechas na forma e no conteúdo…

Mas o que me parece merecer aqui realce é chamar a atenção de quem queira estar atento para o facto de o jornal, na linha editorial e de opinião, v. g. a maior parte dos cronistas estarem em uníssono com as ideias bem à mostra, carregadamente à mostra: “insistiram numa posição de irredutibilidade inadmissível.” E esta “irredutibilidade inadmissível” dos editoriais (virado o feitiço contra o feiticeiro…), só pode ser atribuível ao director ou outro jornalista de serviço (isto é, mandado) ou, no limite, à LUSA, dona do órgão. Mas nem tudo nele é irredutível e, ao menos valha-nos isso, a parte noticiosa não está nada ‘irredutível’ e muito menos ‘inadmissível’. Em todo o caso, isto dá para vermos de que lado estão os jornais, alguns jornais, entre os quais o DN! Com ou sem isenção.

Seria caso para perguntar: quem é que se arroga aqui algum direito de impor seja o que for? Francamente, deveria ser proibido certos editoriais e certas crónicas serem lidos por algum professor e mais ainda por algum professor habituado ao ‘vício’ de corrigir…

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