Que eu “gira”?… Conjuntivo do verbo gerir

Foi o eng. António Tomás, nosso primo, que, no telefonema pré-natalício, pôs assim a questão: ouvira alguém ilustre ficar baralhado a meio do discurso com o conjuntivo do verbo gerir. Que eu gira, que tu giras , que ele gira… E será para tanto, se não nos lembrarmos que há verbos defectivos (= que, por qualquer razão, não se usam em todas as formas). E a razão tem a ver com as vicissitudes por que passa uma palavra, um verbo, no proceso evolutivo da língua.

E porque é que o conjuntivo de gerir atrapalha assim? Simplesmente porque não se usa, fazendo com que este verbo seja considerado defectivo. Mas porquê? Então temos de conjecturar e facilmente se nos deparará a tal razão. Está-se mesmo a ver: que eu gira, que tu giras, que ele gira, que nós giramos, que vós girais, que eles giram. Então não é isto o presente do indicativo do verbo girar? E que grande confusão!

E como proceder então num atrapalhanço desses? Se não se usa, só temos um caminho: arranjar uma perifrástica ou outro verbo que o substitua. Por exemplo: substituir “que eu gira” por “que seja eu a gerir” ou “que assuma eu a gestão”…

Há mais casos parecidos. E há outras razões… que podem ter a ver com uma dissonância ou mesmo uma cacofonia. Há sempre maneira de evitar o sapato…

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