Sophia, poetisa

É claro que li o DN Gente dedicado a Sophia (suplemento do DN 27/Junho/2009).

“Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhante
E brilha sobre campos mais floridos
Mas os olhos que vêem essas maravilhas
São olhos apodrecidos”

Traduzido de Kleist – Livro Sexto

E vou reler a Sophia. Pela estética e ideologia greco-latina-lusa. Porque

“O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu”…

Mas estou convencido de que ela ficaria zangada com certa sintaxe da página 2. Vejam:

“Há mulheres que querem ser chamadas de poetas, como os homens, e outras que se chamam poetisas. Sophia de Mello Breyner Andresen dizia-se poetisa, e por isso é assim que se a chamará (Negrito meu).

“… que se a chamará?!”… Penso que ela ficaria zangada com semelhante sintaxe. Experimentemos com o “lhe”: que se lhe chamará. Em todo o caso fica, sempre feio; seja com o pronome “a” ou o “lhe”, só estraga a beleza da sintaxe. Vamos então evitar a fealdade do discurso, aplicando a norma de todas a gramáticas normativas que me rodeiam, deixando apenas a partícula apassivante “se” ou pronome apassivador, como diz Celso Cunha e Lindley Cintra. Se assim fizerem, vejam, agora, a beleza da frase:  e por isso é assim que se chamará (= será chamada).

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