Pronome “hiatado”

Relevem-me o neologismo que, não sendo usado nem sequer registado nos dicionários, ninguém poderá dizer que não é formado pelos normais processos da nossa língua… A coisa ocorreu-me ao deparar o caso no texto a seguir citado:

“Neste momento temos de considerar que todos os países são zonas infectadas”, disse ontem a ministra Ana Jorge. Não há, ainda, razões para alarme, mas há-as para se estar atentíssimo” (negrito nosso) (DN 1/7/09, “Editorial”)

“Há-as!” Não terá o escritor jornalista, como qualquer falante bem escolarizado, obrigação de evitar os hiatos dissonantes?… Dissonantes sim, porque, ao depararmos com eles, mesmo lendo, soam mal ao ouvido… Como fazer? Por exemplo, pondo outra vez o nome em vez do pronome: “mas há razões para se estar atentíssimo”. Ou então, sem nome nem pronome, e perfeitamente entendível: “…, mas sim para estar atentíssimo”.

Até faz lembrar as formas anedóticas, em contextos um tanto brejeiros, mas bem conhecidos de todos: “Aqui hai-os, Aqui hai-as!”… Não há dúvida que o recurso anedótico releva de conhecimentos linguísticos que nos ensinam os especialistas da gramática ou da história da língua: tendência do povo para resolver o hiato acrescentando um “i” epentético, que muitas vezes nem se escreve.

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