Sondagens: manipulação, evolução, semântica e ética

“Sondagem. f. Operação de sondar.

“Sonda f. ( de sondar ou do L. sub+unda)

“Sondar (L. subundare [ = mergular, andar por baixo da onda] ), t. Examinar com a sonda; fazer a sondagem de; tentear; investigar; profundar; examinar com cuidado; observar; analisar; tatear; perscrutar; i. (gír.) morrer. (Dic. Complem. da Língua Portuguesa, Augusto Moreno. c/ o meu acrescenti entre rectos).

“Escafandro s. m. fato impermeável e hermeticamente fechado, provido de ar para respiração e próprio para ser utilizado pelo mergulhador que tenha de ficar muito tempo debaixo de água (Do gr. skaphos, “barco” + anér, andrós, “homem”) “ (Dic. Porto Editora).

Estão vocês a ver? Quando as sondagens políticas eram coisa séria, ou seja, coisa feita por gente sábia e séria, isto é, “pesquisa feita por meio de questionário a um conjunto de pessoas considerado representativo de um grupo ou de uma população” (Porto Editora), para tentar acertar no resultado da consulta (por exemplo eleitoral) antes de se saber o resultado final na contagem dos votos…; quando as sondagens – repete-se – eram à séria (por gente séria e sábia), podíamos nós, antecipadamente, ter uma ideia do que os resultados iriam revelar…

Agora não. E porque não? Porque, agora, os sábios (da Católica e outos da mesma competência, sábia e séria) deixaram de acertar. E porquê? Ora, porque agora, eles não fazem sondagens: fazem operações imitando as técnicas das sondagens, mas não é para acertarem no resultados finais: é sim para os influenciarem. Quer isto dizer que eles já não são sábios? Não, pelo contrário, eles são mais sábios; o que eles são é menos sérios. Usam técnica mais apurada, é certo, não para anteciparem o conhecimento do resultado, sim para o influenciar. E influenciam sem dúvida, na medida em que o pobre do Zé Povinho, crédulo no que vê/ouve/lê na comunicação social, deixa-se levar pela manipulação e zás catrapás!… Mas então o Zé é assim tão influenciável, tão susceptível, tão manipulável?!… Pelo menos até aqui tem sido muitas vezes.

A coisa parece, no entanto, que está a mudar. Haja em vista as sondagens das europeias. Qual era o partido sempre mais votado nas sondagens? O PS, claro! E à esquerda? O BE, nas sondagens, subia sempre lá para perto dos 20; a CDU descia lá para perto dos 4; e o CDS, na sondagem, ia sumindo… No fim, foi o que se viu!…

É que, em vez de construir um diagnóstico que ajude a um prognóstico o mais aproximativo possível do resultado final, elas demonstram já, às claras e desavergonhadamente (vejam bem ao que nós chegámo!) a intenção de condicionar o próprio resultado!… E se nem tanto, é porque o Zé já vai abrindo os olhos…

Mais uma sondagem para o Porto, e agora mais uma para Lisboa. Mas para quê? Até que ponto é que esses sábios desacreditados, qui subundant ‘skaphandrati’  in sapientissima manipulatione – relevem-me o macarrónico latinório (vide conceitos acima) e voltemos outra vez ao vernáculo – até que ponto, pois, essa gente, da Católica e quejandos, que quer passar por sábia e séria, espera que o Zé acredite minimamente nas suas soi-disant sábias e sérias sondagens?…

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