Mia Couto

Não se destina este texto a dizer que considero ou não considero Mia Couto um grande escritor. Não podia. Pela simples razão de que não li, ainda, nenhum livro de sua autoria. Mas, desde há uns largos anos tenho lido tudo o que, sobretudo no DN e no JL, se tem escrito, dele ou sobre ele, incluindo naturalmente as entrevistas.

Poderá Mia Couto ou alguns leitores seus, que adreguem de deparar com esta postagem, perguntar por que razão um leitor como eu, eventualmente tão interessado no escritor, não leu ainda um livro seu. Mas eu explico a coisa. Tudo o que li e ouvi, entrevistas na íntegra, excertos, comentários e críticas, tornou-se para mim uma barreira no acesso. Nem é tanto o  estilo que me foi dado entrever, mas antes a preocupação, que se me apresentou primordial na sua obra, de criar palavras novas com tal profusão que, mesmo só pelos excertos lidos, me debilitaram a vontade que algum dia tive de ler as obras completas. Não via nisso suficiente interesse para o leitor que me prezo.

Quando li/ouvi ele escrever/dizer que no novo romance tinha mudado o estilo, eu disse para os meus botões: “Agora é que vai ser. Vou comprar o livro”. Mas, depois de ler a reportagem do JL (Nº 1013) “MIA COUTO PELA ESTRADA FORA” e só então reparei que o livro não se chamava Jerusalém, como o DN escreve mais do que uma vez em negrito, mas sim Jesusalém ,  torci o nariz e pensei que, afinal, a ‘mudança de estilo’ não estva assim tão garantida. Francamente não gostei nada do título. E acho que não terei sido o único. Pires Laranjeira, por exemplo, escreve, no seu artigo: “O romance Jesusalém contém, logo no título, o sinal da criatividade de Mia” e “Brincando ainda com as palavras, Mia Couto está mais contido nos neologismos, o que beneficia deveras o seu texto.” Mesmo assim, digo eu. E, se calhar, foi logo por aí que me fugiu a vontade de procurar o livro para ler… “Não sei se sabe, mas já há um livro do Gonçalo M. Tavares que se chama Jerusalém, atira uma senhora da plateia”…

“Mia Couto esteve em S.Paulo e no Rio de Janeiro onde lançou o seu novo romance, que tem por título Jesusalém, em Portugal, Angola e Moçambique e Antes de nascer o Mundo, no Brasil.” (Notícias Magazine, Todos os nomes , introdução à entrevista, nm 2/AGO/2009, p.31)

Gostaria então que Mia Couto, se acaso deparasse comigo, me resolvesse uma pergunta que fiz aqui aos meus botões. É que o romance tem dois títulos, bem diferentes no universo lusófono. Porquê? Foi imposição da editora ou o que foi então? Olhem, em todo o caso, para iniciar a minha leitura de Mia, vou ver se consigo encontrar um exemplar da edição brasileira: gosto muito mais do título. E prometo que vou ler Mia Couto. Mas queria que soubessem que não leio ninguém só por ser Nobel ou o maior best-seller (passe o pleonasmo). E, às vezes, quanto mais seller menos me apetece. Vejam só, não li e já não vou ler o Código Da Vinci, o Harri Potter! Do Paulo Coelho e do José Rodrigues  li só um por engano!…

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