“Um capítulo para o ‘evangelho'”

José Saramago,

(a um Nobel  não se trata por Excelência, nem por Senhor, trata-se simplesmente)

começo por dizer que tenho ali ao lado, na minha estante, os seus livros que mais aprecio, a começar, por ordem da importância que para mim têm como leitor, pelo Memorial, logo seguido de o Evangelho… É só virar-me para a direita e lá estão eles – estes e outros.

Li a sua crónica “Um capítulo para o ‘evangelho'” DN 26/7/2009. Não sei bem que capítulo há-de ser por ordem numérica. Se fosse o último, creio que seria o 25, pois me dei ao trabalho de voltar ao Evangelho para os contar e marcar a lápis, já que o Autor achou por bem não poupar ao leitor mais esse ‘ruído’. Digo ‘mais esse’, porque o da pontuação é para mim o maior… Gostei muito da ‘crónica’, como muito tinha gostado do Evangelho, que lera há já uns anos. E por falar de ‘evangelho’, que eu acho ser, repito, um grande livro, do melhor da obra saramaguiana, quero cingir-me agora àquele outro capítulo que, na minha contagem, eu marquei de 22: aquele longo ‘trímonólogo (digamos assim) em que Deus (o Padre Eterno da ‘Velhice’?…), perante a severa crítica em prolepse de Jesus, e também do Pastor (que é o Diabo, pois), a tanta desgraça trágica que Deus ‘irá’ fazer, mandando à sua Igreja que fizesse – ou consentindo, ‘Ele’, impávido e sereno como ‘Lhe’ convém – mantém a sua omnipotente, infalível e inamovível frieza-insensibilidade-fixidez. Só este capítulo valeria bem o livro.

E se ele fosse pontuado como este ‘capítulo’, digamos ‘póstumo’, o da crónica do título desta?… Ao lê-lo, ia perguntando a mim mesmo por que razão o Autor da ‘crónica’ não usou esta pontuação no Evangelho segundo Jesus Cristo, o ‘original’, preferindo uma pontuação que, em minha modesta mas convicta opinião, não terá (felizmente) futuro?… E faço ainda outra pergunta. Se o grande escritor prova – nas crónicas, no blogue e noutros textos que tenho lido ultimamente, mesmo ficcionais,  incluindo a ‘crónica’ (?) de 26 de Julho que me serve de motivo – que sabe usar com mestria estilística a pontuação convencional e universal, de forma a enriquecer, tornando-o mais legível, o estilo barroco ‘saramaguiano’, porque se lembrou ele, e decidiu,  dessoutra pontuação ‘ruidosa’, em que a vírgula é para todo o serviço? Decidiu que deveria ser, para si, a pontuação particularmente ficcional?

Coloquei o recorte da sua crónica bem dobradinho no fim do ‘meu’ Evangelho, como capítulo ‘adendo’, numerado de 25.

Uma resposta

  1. Olá, gostei muito de seus artigos, gostaria de te convidar para partipar de uma rede de troca de conteúdo, para mais detalhes me adiciona no msn co_herdeiro@hotmail.com ou me manda um email ok. Abraços. Samuel

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