“De modo a que”… porquê?

Atenção à consecutiva!

Da entrevista a Ângelo Correia’ (DN 18/10/2009, p. 3, caixa ao alto, antep. linha):

“…de modo a que (sic) a estrutura partidátria que ajudou a fazer nascer consiga responder aos desafios…”; repete-se na p. 5, última coluna ‘O meu candidato não é um cavalo’, antep. linha: “ … um corpo de ideias e um conjunto de práticas de modo a que (sic) volte a ser importante termos causas…”

Chamamos a atenção de quem depare connosco ou adrede nos visite, para a incorrecção que vai grassando por aí, mesmo a níveis escolares elevados. Trata-se da oração consecutiva que, como nos ensinam (a mim ensinaram) todas as gramáticas normativas que conheço, é introduzida por uma das conjunções subordinativas consecutivas –  de (tal) maneira que; de (tal) modo que; de (tal) forma que; de (tal) jeito que, etc. – as quais não têm lá intrometida  (não precisam nada de ter) qualquer preposição: a preposição “a” está a mais.

Se fosse Camões, ou Vieira, ou Garrett, ou Eça, ou Pessoa, ou decerto… Saramago, escreveriam (diriam) assim: “… de modo que a estrutura partidária…”. E assim: “… de modo que volte a ser importante…”. É claro que não punha as mãos no fogo por outros escritores (talvez muitos) da nossa praça das letras, mesmo alguns já bem conhecidos, que, se calhar, já terão sido contaminados…

(Cf. rubricas atinentes ao assunto em Tento na Língua! e neste blogue).

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