“Sobre Caim” de Pilar

O que aqui se disse relativo à crónica de Vasco Graça Moura (ensaio mais histórico), pode voltar a dizer-se agora, depois de se ter lido Sobre Caim, de Pilar del Rio (mais antropológico) (DN 29/10/2009, p. 50). Termina assim:

“Sigamos então por caminhos marcados por lendas, com interpretações simbólicas ou não, mas tenhamos ao menos a decência de atribuir-nos a sua autoria: a de havermos criado a divindade e toda a dor e sacrifício que os deuses supostamente impuseram ao mundo. À imagem e semelhança do ser humano”.

É assim. Quando alguém passa da crença em Deus para a descrença, é quando a sua cabeça virou ao contrário o versículo da Bíblia relativo à criação do homem e, com convicção, o adopta assim virado : “ …e diz [Deus]: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gen. 1, 26). Lá dizia, há pouco tempo ainda, em Vila da Feira, o grande escritor Salman Rushdie: “Deus é o maior erro da espécie humana”. E então não será mesmo?

Mas vejam só se pode falar de coerência o cronista habitual do DN de Domingo, penúltima página (01/11/2009). À afirmação de Pilar “os chamados seres racionais estão loucos, por isso talvez não mereçam a existência”, ele responde: “eu não chegaria a tão dramática conclusão, mas é notável ver uma comunista de sempre [sic] falar com tamanha franqueza do credo que professou e que, contra toda a coerência, continua a professar [sic].”

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