Mais parónimos: extracto/estrato

Extracto (istratu ou eistratu) /estrato (istratu). O Dicionário da Academia das Ciências (DAC) apresenta estas duas entradas com a respectiva pronúncia, entre parênteses, representada em alfabeto fonético internacional (IPA), o que equivalerá, no nosso alfabeto, a istratu eistratu.

O prefixo ‘extra’ que nos vem do latino extra (pronun.: ecstra), em português pronuncia-se, generalizadamente, ‘eistra’, mas, admite o referido dicionário que se pronuncie também ‘istra’, pelo menos em algumas palavras, como esta – extracto. Não queria eu voltar aqui à polémica da pronúncia coimbrã e da pronúncia lisboeta. Mas a verdade é que, seguindo o uso de Coimbra, aprendi a dizer eistraordinário; outros dirão istraordinário. Aliás, nas palavras da mesma composição, o referido dicionário admite as duas pronúncias. E em todas as palavras com o prefixo ‘extra’, derivadas do latim ou formadas já no vernáculo português, o mesmo dicionário indica para o prefixo, além das duas já referidas, uma terceira forma de o pronunciar, com o ‘e’ aberto. Por exemplo, a palavra extraconjugal (pronun.: eistraconjugal ou estraconjugal) (DAC).

Como eu ouvi, no Jogo da Língua, pronunciar a palavra extracto, teríamos de admitir que há uma quarta maneira de pronunciar o prefixo que eu acho que deveria evitar-se, sem a vogal inicial, seja ‘i’, seja ‘ei’, seja ‘é’; será então: xetratu (Não represento em IPA, pela impossibilidade de reproduzir aqui os seus caracteres). E, pronunciado assim extracto, os dois parónimos do título  passariam a ser, além de parónimos, homófonos.

Aliás, seja pelo princípio do menor esforço, seja porque é moda, ou porque assim aprenderam (não há nada a fazer…), há falantes que pronunciam a palavra excelente assim: xelente. Mas isto já tem a ver com outro prefixo: ‘ex-‘. Sobre este assunto, remetem-se os deparantes de acaso ou adrede visitantes para Tento na Língua! – 2, rubrica 151. Xelente, xecional, xessivo, xerto e outros xes… ou – Pobre do prefixo ‘ex-‘! O ‘ex-’ que normalmente se pronuncia eis (ou is quando evoluiu em ‘es’, como em ‘escavar’). Assim: ex-aluno (eis-aluno), ex-professor (eis-professor), ex-qualquer-coisa (eis-qualquer-coisa)…

Quanto a estrato (do lat. stratu-), o caso é diferente; não há prefixo, mas a vogal protética ‘e’ que, com o ‘s’ inicial, sugere a ideia de prefixo, e se pronuncia como se fosse ‘i’, o que acontece em outras palavras em que se deu o mesmo fenómeno da prótese do ‘e’, como, p. e., escola ( do lat. schola).

Pronunciar xetratu, nas duas palavras do título, acho que devia ser evitado.

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