Casamento: porque não?

“Homossexuais católicos contra referendo no casamento ‘gay’. Associação condena postura da Igreja” (DN 11/11/09, chamada de primeira página para PAÍS, p. 19).

1. Silogismo bíblico (Ou a lógica é uma batata!)
Premissa maior
. Então, digam-me cá, os católicos não dizem no seu Credo ‘Creio em Deus Padre todo poderoso, criador do céu e da terra, criador de tudo quanto existe?” Não foi “Deus que criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança”? (Gen. 1,26).  Todos os homens e todas as mulheres, machos e fêmeas? E todos os outros – os que são, metade por metade ou em partes desiguais, machos e fêmeas, ou fêmeas e machos? Foi ou não foi Deus que os fez assim, hormonalmente, fisiologicamente e até anatomicamente? Repito a pergunta, não foi Deus que os fez todos à sua imagem e semelhança? E que fossem felizes?!

Premissa menor. Então, já que o sexo não é só para procriar, não têm, todos eles e elas, o direito de gozarem o sexo como Deus lho deu? Ou alguém, por ser crente, terá receio de que um homossexual, uma lésbica, um hermafrodita esteja a dar, só por essa razão, uma imagem errada do Deus que assim os criou? Ou apenas o homem bem homem e a mulher bem mulher, são imagem de Deus? E os outros e as outras, são imagem de quem? Do Diabo?

Conclusão. Logo (Ergo), o casamento dos (das) homossexuais está nos planos de Deus.

2. Silogismo ateísta (A lógica não é uma batata!)
Premissa maior
. Segundo a teoria evolucionista (Darwinista…), primeiro a vida, depois as espécies vivas, vegetais ou animais, foram evoluindo naturalmente, todos na procura instintiva, compulsiva de viver o melhor possível – vegetais –, de gozar, de procriar, de pensar na medida em que foram atingindo a inteligência – micróbios, bichos, animais , humanóides e humanos. Documentários têm-nos evidenciado que nem só os humanos usam o sexo não só para procriar, mas também, compulsivamente, para gozar, ter prazer.

Premissa menor.  O sexo não é, pois, só para procriar: é também para gozar.

Com Natália Correia, ilustra-se a menor:

Na sessão de 3 de Abril de 1982, em resposta à afirmação do deputado do CDS João Morgado de que “o sexo é só para fazer filhos”, a grande poetiza Natália Correia subiu à tribuna e leu o seguinte poema, escrito  num repente:

“Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado,
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca,
sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca porção ! –
uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.”

Conclusão. Ergo, cada um poderá casar-se com hétero- ou com homo-, como lhe é natural.

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