Versatilidade sintáctica da língua

O curioso é que, estando já a fechar as pestanas, na indispensável sesta (in meridiatione mea, diriam os latinos…), e, continuando a minha cabeça a laborar (ou a lavrar…) na questão sintáctica que me proporcionou a crónica de Lima-Reis (ver postagem anterior), o meu inconsciente tirou da frase o ‘se’ apassivante. E então vi a razão por que me atrapalhara, à primeira vista. É que  podia muito bem ser: “a queda desamparada e a ignomínia que lhe vaticinavam”. A semântica não ficaria afectada com esta pequena alteração sintáctica. O sujeito passava a ser indeterminado: ‘as pessoas’; e o relativo ‘que’, que, nas duas construções anteriores – apassivante e passiva – é sujeito, passa a ser, nesta, complemento directo. Vejam lá bem, é ou não é versátil a sintaxe da nossa língua?

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