Sujeito indeterminado, partícula apassivante e verbo impessoal

Em resposta a um comentário da postagem “Tratam-se de? Não! Trata-se de” (Ver):

“mas tenho uma dúvida: a partícula ‘se’ do verbo tratar-se não pode ser índice de indeterminação do sujeito, pois não se trata de sujeito indeterminado certo? Então a que classe gramatical ela pertence?” (citação sic).

Meu ou minha caro ou cara visitante ou deparante de acaso,

o que me parece é que, na sua dúvida há uma certa  confusão. Abramos uma boa gramática (cuidado, também as há menos boas e até péssimas…). Abramos então uma em que tenho confiança: Compêndio de Gramática Portuguesa, A. Gomes Ferreira / J. Nunes de Figueiredo (Porto Editora, edição de Outubro de 2000):

1. Sujeito indeterminado e partícula apassivante

“65. SUJEITO

[…]

67. O sujeito pode ser:

simples: O cão é um animal doméstico.

composto: O cão, o gato e o cavalo são animais domésticos.

. indeterminado: Batem à porta

[…]

b) quando é indeterminado (§ 67), isto é, quando se não pode ou se não quer nomear a pessoa a quem a acção podia ser atribuída:

– Batem à porta.

– Trouxeram uma carta.

Obs.: No Português actual, exprimimos a indeterminação do sujeito com:

– a palavra gente: Estava muita gente no cinema.

o verbo na 1ª ou na 3ª pessoa do plural:

Devemos amar o próximo como  a nós mesmos; dizem que a guerra foi declarada.

. a partícula se junto dos verbos intransitivos na 3ª pessoa do singular: Bate-se à porta; ou se é amigo ou não.»

«Voz passiva com partícula apassivante

119. Os verbos intransitivos, construídos na voz passiva com partícula apassivante, para deixar indeterminado o sujeito e o agente da acção, ficam sempre no singular:

Trabalha-se muito.

– Aqui vive-se mal.

Os verbos transitivos, construídos deste modo, empregam-se no singular ou no plural:

A casa vendeu-se (=foi vendida).

As casas venderam-se (=foram vendidas).» (Compêndio de Gramática acima referido)

2. Verbo impessoal

Porque o comentário do visitante, a que aqui se responde, tem a ver com uma postagem deste blogue em que se fala do verbo tratar na acepção reflexa impessoal, remete-se o caro duvidante e qualquer outro curioso, para outra postagem deste blogue, intitulada “Trata-se de, il s’agit de, agitur de. É só clicar aqui.

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