“Jogo da Língua” em três Notas e uma Observação

Nota 1: Era para recorrer ao Torrinha, mas preferi este Lexicon Latino-Portuguez, [ vejam bem, ACTUALISADO, tudo sic] que comprei um dia no alfarrabista, já sem dados identificativos, nem autor, nem data , nem nada:

“pejor, us, gen. óris [sic] (comp. de malus), mais ruim, peior [sic]; mais mau; menos bom; mais perverso; mais vicioso; mais infeliz; que é de condição inferior; mais doente. Vid. malus”.

E preferi este, porque, além de pejor, étimo do nosso pior, regista o verbo pejorare que, por sua vez, é étimo do nosso pejorar, coisa que o Torrinha não faz.

Mais um Jogo da Língua (16/01/09, 14:40), mais uma pergunta: “pejorativo, prejorativo ou perjorativo?” Resposta não acertada. A senhora doutora esclarece: “Pejorativo. Embora haja tendência para” não sei quê, “o correcto é pejorativo, porque deriva de pejorar”. E pronto. Nem uma referência a que o primeiro elemento desse grupo de palavras – pejorativo, pejorativamente, pejorar – não é nenhum prefixo per nem pre, mas sim o comparativo latino pejor, comparativo de malus-mala-malum, do qual deriva directamente o nosso pior que significa, simplesmente, “mais mau” , como o latino. Não se trata, pois, de prefixo pre nem per nem pe. Se de prefixo se pode falar é o prefixo adjectival pejor, comparativo do tal adjectivo latino. E não seria nada de mais que um concorrente, mesmo com pouca escolaridade, nunca mais se esquecesse do pejor (experimente-se a pronunciar, aberto ou fechado,  o ‘e’ de pejor).

Nota 2: Para onde foi a minha querida locutora Filomena Crespo?  Notem que o adjectivo “querida”, aqui, não tem significado pejorativo nenhum. Se algo lhe quero, é devido tão somente ao seu desempenho profissional. E volto a dizer: a melhor locutora da Antena 1 que me era dado ouvir, já não é. Será que a esta minha avaliação de ouvinte, elogiosa, foi dado algum sentido pejorativo? Não quero dizer mal da senhora locutora que a substitui. Mas, nos meus parâmetros avaliativos de ouvinte, falta-lhe algo, que talvez se possa resumir em duas palavras: naturalidade elaborada (inteligentemente elaborada: bom uso da boa voz que é dom da natureza). Lembram-se da naturalidade elaborada que o grande Almeida Garrett nos ensinou a fazer na prosa literária? Era o que fazia a minha querida locutora na locução. É só isso.

Nota 3: Desta vez, acho que vou queixar-me ao provedor. Vejam bem, eu que não acredito na moda do provedor. E então, nos órgãos de comunicação social! Provedor do leitor? Provedor do ouvinte? São provedores mas é do patrão que os nomeia. Mas desta vez sim, vou tentar: mando este texto para o senhor provedor.

Observação: Remete-se o deparante de acaso ou adrede visitante para a rubrica 65 de Tento na Língua! – 1.

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