Melhor ou mais bem, pior ou mais mal?

(Descansem, vou deixar em paz o Jogo da Língua. Acho que é melhor deixar-me adormecer nos braços de Morfeu, na minha quotidiana sestinha. No entanto, não posso deixar de dizer que é de lá que venho, ainda hoje).

Melhor ou mais bem? Pior ou mais mal? Outra vez esta gralha a grasnar, este erro a grassar. Um mau uso que alastra por aí, e cada vez mais entre gente altamente escolarizada. E é uma questão tão simples de memorizar. Querem ver?

Trata-se de dois advérbios: bem e mal. Advérbios que, integrados nas classes de palavras inflexivas ou invartáveis, são flexivas, estas duas, quanto a grau. Muitos advérbios variam em grau (não em género, não em número, sim em grau). Vejamos estes:

BEM
Grau positivo ou normal: bem; grau comparativo de superioridade: melhor ou mais bem; grau superlativo absoluto: muito bem.

MAL
Grau positivo ou normal: mal; grau comparativo de superioridade: pior ou mais mal (não se seja tentado a pensar que é o grau superlativo de inferioridade, simplesmente por ser antónimo do anterior – bem); superlativo absoluto: muito mal.

E então quando é que é melhor ou mais bem, pior ou mais mal?

Normalmente é melhor ou pior: “este casaco fica-te bem, mas aquele fica-te melhor; ou seja, “este fica-te pior do que aquele.

Quando, porém, estes dois advérbios – bem, mal – se usam afectando (os advérbios afectam outras palavras e até por isso mesmo é que se chamam “advérbios”) um particípio verbal, assumem normativamente (ou seja, obrigatoriamente) a forma ‘mais bem’ e ‘mais mal’. Note-se: antes de qualquer particípio verbal (passado), quer se trate da forma regular ou irregular do particípio :

“Hoje a lição foi mais bem preparada“; “a de ontem fora mais mal preparada“. “Este desenho está mais bem acabado do que aquele”; aquele, é claro, está mais mal acabado, mais mal feito“.

Mais exemplos:

“Este peixe está melhor cozido do que aquele? Não, este peixe está mais bem cozido do que aquele”. “Este conselho foi melhor aceite do que aquele? Não, este conselho foi mais bem aceite do que aquele”. “Aquelas pessoas são melhor instruídas do que as outras? Não, aquelas pessoas são mais bem instruídas do que as outras”. Etc., etc. Não esqueçam: antes de particípio, sempre, mas sempre: mais bem, mais mal.

Remete-se o deparante de acaso ou adrede visitante, antes de mais, para outras  postagens deste blogue sobre o assunto (o erro grassa  por aí de tal forma, que me obrigam, aqui, a não ter mãos a medir…), e, já agora, para as rubricas do(s) livro(s) atinentes ao assunto,  nomeadamente: 44 in Tento na Língua! – 1, e  350 e 4 in Tento na Língua! – 3.

4 Respostas

  1. E não pode ser «eu conheço-te mais bem do que qualquer outra pessoa»? Porquê?

  2. Lamento que não tenha havido uma explicação sobre o por que de um emprego em vez de outro. Já sabia acerca do mencionado, mas minha dificuldade é justamente essa que abordo por hora.

    Grata

  3. Corrigindo: “…o porquê…”

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