Carta ao Jornal de Letras

Exmos Senhores,

Por não ser do meu conhecimento, quando decidi assinar o Jornal de Letras por dois anos, que este iria adoptar o chamado Acordo Ortográfico, e dado que eu tinha já decidido não assinar nada que adoptasse este Acordo, por ele mesmo, e também tendo em conta a situação de implementação, mais que precária, em que ele se encontra em todos os espaços da Lusofonia (se calhar até mesmo no Brasil…), venho comunicar a V.Exas que suspendo a minha assinatura do JL, já a partir do próximo número (1036).

Pela minha posição “estrenuamente defensora” (Cf. JL n.º 1031, p. 4, DESTAQUE) da nossa Língua e “denodadamente” contrária ao referido Acordo, tenciono não assinar nada que adopte o tal Acordo: nem jornais, nem revistas. E os livros escritos com a ortografia brasileira que nos querem impor, só os de autores brasileiros, porque de há muito que não tenho outro remédio.

Com os meus cumprimentos.

António Marques

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6 thoughts on “Carta ao Jornal de Letras

  1. Caro Senhor Visitante,

    muito grato pelo seu comentário. Permita-me, no entanto, observar o seguinte.

    1.Tratando-se de anglicismos, teríamos muito que falar e, talvez, debater; ou então, apenas conversar.

    Implemento, implementação, implementar
    . Todos os vocábulos deste grupo lexical têm a ver, etimologicamente, com o latino implementum e vão, radicalmente, dar ao verbo implere que, segundo o meu “Torrinha”, significa, entre outras acepções, “encher, […], completar, concluir, executar”.

    2. Se pensarmos bem, grande parte (não será mesmo a maioria) das palavras da língua inglesa têm, lá no fundo, a ver com vocábulos latinos que o Império lhe impôs. E muitos dos anglicismos, rigorosamente, não são mais do que latinismos. Haja em vista, por exemplo, o que se passa com o latinismo media (= meios de comunicação social) que os brasileiros pronunciam mídia, pelo que será um anglicismo mas apenas prosódico. (Cf. Tento na Língua! – 1, rubrica 35).

    3. Acha então o caro visitante que “aplicação” tem menos pendor anglicista do que implemento, implementar, implementação? Se consultarmos o MICHAELIS, v. 1, lá encontraremos, do grupo lexical de aplicação, nada menos do que sete palavras (7), incluindo application. A seguir as transcrevo com o respectivo étimo (latino) que o é também da correspondente portuguesa: applicability < applicabilitate-; applicable < applicabile-; applicant < applicante-; application < applicatione-; applicative < applicativu-; applicator < applicatore-. Do grupo de implemento, só encontrei uma: implement< implementu-.

    4. Não será caso para perguntarmos qual é mais anglicismo: implementação ou aplicação? Ou será que nenhuma o será ?…

    António Marques

  2. E devolvem-lhe o dinheiro já pago pelos números que não vai receber?
    Há publicações que fazem isso (se calhar só no estrangeiro…)

    1. Caro Visitante Senhor Belard, Grato pela sua solidariedade. Espero que seja mais do que isso: que seja o seu vero acordo com o meu desacordo… Julgo que terá lido todas as minhas referências, neste blogue, ao Acordo, que considero ‘neocolonialista ao invés’: o belo falar brasileiro a impor-se à Lusofonia e ao Mundo como o genuíno, o único, o verdadeiro português, que eu não sei qual é. Sei apenas que o do Acordo não é! Quanto ao pagamento de que fala, como era por transferência bancaria autorizada, suspendi. Agora estou para ver se a minha suspensão é imperativa…

      Com os gratos cumprimentos do António Marques

  3. Penso que o esforço que faço para escrever na nossa língua já tem alguma coisa de quixotesco… Contra mim, para além das minhas próprias insuficiências, há a influência surda e venenosa de tantos vícios da Língua à minha volta, meios de comunicação social incluídos.
    O que me causa algum incómodo é que sou professor (penso que somos, por isso, colegas) e não quero mesmo cometer erros de linguagem na comunicação com os meus alunos!
    Por exemplo, nunca lhes escreveria “Exmos”, como o colega escreve num destes seus apontamentos. Na pior das hipóteses, se lhes escrevesse ao computador, sem que tivesse a possibilidade de por “mos” em índice elevado, eu escreveria “Ex.mos”.
    Gostaria de ouvi-lo sobre isto. Obrigado! Saudaç~poes cordiais!

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