Três cartas transcritas do DN, com a devida vénia

Presidenciais sob suspeita
“Os episódios anómalos que em catadupa se sucederam à volta da escolha  para o supremo magistrado da Nação suscitam a seguinte questão: Portugal merece os governantes que tem? A resposta é à primeira vista afirmativa, mas as teias legais à volta de qualquer reclamação sobre os impedimentos ocorridos  levam o povo a trocar a revolta pelo resmungo de impotência. Dei uns dias nos meios de comunicação para ver/ouvir/ler qualquer comentário à trapalhice  que envolveu os cadernos eleitorais, os impedimentos no acesso às assembleias de voto e as discrepâncias entre o vulgar cartão de cidadão  que impediram milhares  de eleitores de exercer o seu legítimo direito de voto. Na minha espera, apenas ouvi o MAI a sacudir a água do capote e uns deputados sugerindo a imediata demissão do ministro da tutela. Ora o que se poderia esperar ouvir, num país democrático e civilizado, era que se anulava esta eleição e se voltava a repetir a função. (…). Eduardo Fonseca – Alcabideche.”

Pois! Eu diria o mesmo!

Escolas privadas
“O lobby das filantrópicas escolas privadas não sabe nem quer saber dos lobos que povoam, ainda, os caminhos de montanha enfrentados por meninos pobres a tiritar de frio. Estes cenários de montanha, sensivelmente amenizados de há uns anos a esta parte, não disfarçam, todavia, a imodicidade das violentas assimetrias subsistentes em terras do interior. Assimetrias no interior das quais se entrecruzam a pobreza, a desnutrição e a aspereza de escolinhas onde o frio e a chuva são constantes que laceram as crianças. O senhores empresários do ensino privado evidenciam a mentalidade característica de quem se lembra de montar um qualquer negócio que “dê dinheiro”. Julgam-se patriotas interessados na “melhoria do ensino”? Cometeram, sim, a astúcia de esperar pelos resultados das presidenciais, convencidos de que chegou a hora do aluvião neoliberal triturador e devastador. Luís Alberto Ferreira”.

Pois, pois! Também digo!.

Liberdade de escolha
“Ontem, via TV, assisti a uma manifestação de caixões, crianças, adolescentes e adultos, frente ao Ministério da Educação. Reclamava-se da decisão tomada pelo Governo de revogar decretos-leis com mais de trinta anos, sobre as participações pecuniárias do Estado para com o ensino privado. Claro que os protestos se devem ao facto de irem acontecer cortes nessas verbas, já que o ensino em Portugal hoje nada tem que ver com o ensino existente naqueles períodos. Aliás, sobre isto, sugiro a todos os manifestantes, participantes em reuniões, protestantes há habituais e deputados do CDS e do PSD que leiam excelente crónica sobre este tema, da jornalista Fernanda Câncio, publicada há uns meses neste mesmo jornal. No protesto, a frase que me ficou foi a da “liberdade de escolha”, também ela já sumamente usada na Assembleia da República pelos deputados daqueles dois partidos.
Digo-vos então isto: gostava imenso de ter um Mercedes, mas a minha “liberdade de escolha”ainda só me permitiu ter um Fiat, que por acaso já vai a caminho dos 18 anos. Perceberam? Artur Cunha da Piedade”

Mas o autor desta carta podia muito bem ter feito outra pergunta: será que os donos do privado terão ao menos a lembrança de repartirem os chorudos dividendos com o  Estado que tão prodigamente os tem subsidiado, em enorme  detrimento do ensino público? É o repartes!…

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