Carta ao DN e daí…

1. A carta

“Caros Senhores,

Quero expressar ao DN os meus sinceros parabéns pelo facto de não ter adoptado o Desacordo Ortográfico. Só assim lhes garanto continuar o DN a ser o diário que, há muitos anos compro e leio diariamente. E, outrossim, garanto: quando me aparecer o DN ortografado em brasileiro, deixará o DN de ser lido por mim. Quero que saibam que não é contra os Brasileiros que estou! Nem contra o brasileiro (le brésilien, dizem os Franceses). Até acho, vejam vocês, que, depois do belo e cantante italiano, será o brasileiro o mais cantante linguajar novilatino…

Estou contra o Acordo – este! –, contra a imposição da ortografia brasileira aos falantes lusos e não só, cuja adopção está sendo, em toda a parte onde é adoptada, um descalabro linguístico, só comparável ao descalabro político em que estamos. O estado a que tudo isto chegou! Mas não venham agora dizer-me que ninguém vos avisou! Que o Vasco Graça Moura não vos avisou! Que alguns dos nossos mais qualificados linguistas não vos avisaram!

Cumprimentos.

Pombal, 18/Fevereiro/2011”

2. E  daí?…

…Daí, eis que, no mesmo dia, o mano César, lá de Paris, m’ appelle, me chama, me liga (liga-me sempre quando recebe o Rodilha…), a comentar o Rodilha de Fevereiro que acabara de receber com a nova cara. A esse respeito disse que sim senhor, que antigamente “as da Ilha iam à fonte sem rodilha”…, mas as (e os) da Ilha de agora já não vão às fontes sem o Rodilha

E acabei por puxar a conversa para a minha carta ao DN, e que, no DN, não foi ainda publicada, pelo menos até à data em que estou escrevendo. A propósito do brésilien, dizia-me ele que muitas vezes, lá na Renault, quando apareciam textos em português, os colegas franceses diziam que os ditos textos estavam escritos em brésilien... Era preciso traduzi-los para francês. É claro que o César ficava sempre muito ofendido com a história do brésilien, et pour cause: C’était pas le brésilien, messieurs! C’était le portugais, bien sûr!

E agora, vejam vocês. Depois de lerem a minha carta e saberem tudo o que vos conto aqui e o que se está passando com o ensino e o uso do português escrito, com a adopção do tal Acordo (qualquer dia será “adoção”; ou “adução”?… ), nas escolas, na comunicação social, nas repartições, em toda a parte: é um caos, ninguém se entende!

Só mais três exemplos: no “Egito” os egípcios (ou “egícios”?) revoltam-se. De “fato”, não levo o “fato”. Há que ter “tato” no “contato”. Digam-me se eu tenho ou não tenho razão para, obstinadamente, continuar na minha contestação ao Acordo Ortográfico!

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