“O amor é…”

“O amor é…”, foi, neste Natal de 2011, uma longa exposição sobre Cristo, eu diria um longo sermão cristológico, em que foi evidenciado o ‘homem’ mas não negligenciado o ‘deus’… Durou para aí uma hora (dava para ouvir um belo sermão de Vieira), e foi proferido pelo ateu (acho que ele se diz) Júlio Machado Vaz. E eu cheguei a uma conclusão: com ateus assim, os cristãos podem prescindir de cardeais a pregar mensagens de Natal. Poderia, ao menos, o Senhor Professor Psi substituir o epíteto ‘ateu’ pelo seu eufemismo ‘agnóstico’, tão do gosto de políticos que, tendo uma prática ateísta (e decerto um pensar…), preferem o eufemismo para não dificultar uma certa relação frontal e não afastar o povo mais ou menos crente de votar neles. Gostaria de perguntar ao ilustre professor, psiquiatra e sexólogo (talvez não ficasse nada mal, aqui, acrescentar teólogo…) como é que ele explica que todos os grandes dogmas de todas as religiões, incluindo o cristianismo (ou sobretudo o cristianismo?) têm na base um mito, uma lenda, qualquer coisa inacreditável e inexplicável a não ser por milagre, por intervenção sobrenatural, que ninguém ainda provou até hoje, parece-me a mim (o ónus da prova não está do lado dos descrentes…). Experimente abrir qualquer um dos quatro volumes da Synopsis Theologiae Dogmaticae, de Tanquerey, e veja como tudo ali é provado… Só, como exemplo, uns tantos dogmas: pecado original; virgindade de Maria – antes, durante, e depois do parto; imaculada concepção; infalibilidade do papa; divindade de Cristo; etc, etc. Folheie, são quatro volumes. Posso emprestar… E, já agora, fora do Tanquerey, mas bem oportuna na actualidade, já que foi há pouco proclamado o ano da proclamada Padroeira da América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe. Vale a pena investigar a origem da Senhora de Guadalupe. Posso dar uma ajudinha…

Guadalupe (Nossa Senhora de) – REL. Dois famosos santuários conhecem a mesma designação de “Nossa Senhora de Guadalupe”.

Em Espanha. Na prov. de Cáceres, Estremadura, no fim do séc. XIII, o pastor Gil Cordero, por indicação de Nossa senhora teria descoberto uma imagem da Virgem que haveria sido enviada pelo Papa S. Gregório a S. Leandro de Sevilha e ali enterrada, c. 711, durante a invasão sarracena. Em 1329 já existia uma pequena capela. Prodígios vários fizeram acudir cada vez mais peregrinos. Igreja (estilo mudéjar, séc. XIV) e mosteiro (jerónimo) constituem o santuário de N. S. G., de muita devoção em Espanha, sobretudo nos sécs. XIV-XVII, e que por isso foi divulgado pelos novos países de colonização espanhola. N. S. G, em 1928, foi coroada, por Afonso III, como padroeira da Hispanidade.

No México. Nos subúrbios da capital, a 9.12.1531, o nativo João Diogo teria ouvido Nossa Senhora que o mandava ao bispo Zumárraga, para ali, em Tapeyrac, construir uma igreja em sua honra. Ao apresentar, como comprovação, rosas e flores (em pleno Inverno) no bornal em que as levava apareceu pintada uma imagem de Nossa Senhora. É esta a ‘tela’ que se venera no santuário mexicano, elevado a verdadeiro símbolo nacional. A humilde ermida, construída em 14 dias após as aparições, converteu-se em magnífico templo, construído em 1622, substituído, em 1709, pelo actual. O nome de Guadalupe é a forma castelhana, por semelhança com esta invocação mariana, muito conhecida dos Espanhóis da designação náhoa de coatlaxope* – “Aquela que esmagou a serpente”. N. S. G., coroada solenemente, em 1895, como “Rainha do México”, foi declarada, por Pio X, em 1910, Padroeira da América hispânica, e invocada por Pio XII, a 12.10.1945, como Imperatiz da América”. Assina M. Alves de Oliveira.  (Enciclopédia VERBO, Edição Século XXI).

* Nota minha: [“A etimologia talvez esteja no ár. uad al-lubb”. (Dic. Onomástico Pedro Machado]

Por mim, sugeria: Memória do Fogo 1. Os Nascimentos de Eduardo Galeano, tradução de António Marques, ed. Livros de Areia, p. 96: “A Virgem de Guadalupe”, que remete para as fontes: Nigel Davies, Los aztecas, Barcelona, Destino, 1977; Juan Friede, Bartolomé de las Casas: precursor del anticolonialismo, México, Siglo XXI, 1976.

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