“Jogo da Língua”: mais uma ignorância

Foi mesmo há poucochinho, à hora da sesta deste 8 de Fevereiro de 2012. Três alíneas para o superlativo absoluto sintético do adjectivo “amargo”: a) amaríssimo; b) amarguíssimo; c) amarguérrimo.

O concorrente aponta para a alínea b). Segundo a senhora doutora, resposta errada. Certa seria “amaríssimo”, porque vem do latim etc. e tal. Aceitou-se a solução (que faz lei) E pronto! O homem perdeu um livro que tinha ganho! E, além do resto (que é a ignorância), perdeu-se uma belíssima oportunidade de lembrar, aos concorrentes e aos ouvintes da Antena 1, que a norma gramatical do português admite que certos adjectivos, como é o caso de ‘amargo’, têm duplo superlativo absoluto sintético: um de cariz erudito, de origem latina, e outro de origem popular (que nem por isso deixa de ser legitimamente abrangido pela norma.)

Para evitar a gaffe , bastaria, na preparação do jogo, consultar uma boa gramática em uso nas escolas: “amargo (ou amarguíssimo)” (Gramática do Português Moderno, José Manuel Castro Pinto / al. Remodelada, p. 134, Plátano). Ou então um bem cotado dicionário: entradas “amargo”, “amaro”, “amaríssimo” [esta] – “extremamente amargo; amarguíssimo, sup abs. sint. de amargo” (DICIONÁRIO HOUAISS da Língua Portuguesa).

Se eu fosse ao concorrente exigia a tal “Fazenda” que lhe ficaram a dever!

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