Brasil adia Acordo Ortográfico: e agora?… (I e II)

I

(Das notícias: “Brasil adia obrigatoriedade do Novo Acordo Ortográfico para 2016” e “Governo brasileiro prepara decreto para adiar acordo ortográfico para 2016”)

E agora!, que o Brasil adiou – et pour cause! – ?!…
E agora, Senhores Professores da Associação?
E agora, Senhoras e Senhores Linguistas (universitários alguns)?
E agora, Senhoras Editoras e Senhores Editores?
Que ireis vós, agora, fazer com o vosso “acordo/desacordo”? Com a vossa inovação pela inovação? Com o vosso “pronome indefinido” (sic) “se”, que estais querendo que substitua a partícula apassivante “se”, tão vernácula, tão portuguesa! – “faz-se coisas” em vez de “fazem-se coisas”?…
E agora, Senhoras Editoras e Senhores Editores? Que ireis vós fazer com os vossos livros “acordados”? Ortografados nessa língua bárbara, que não é português nem brasileiro?! Certamente porque a achais muito bonita!
E agora, Senhores governantes subservientes, calculistas ou nem isso?… E agora, Senhores Deputados de todos os partidos?!
Todos vós, estais satisfeitos com a triste brincadeira que querem impor aos falantes do português ?!
E AGORA?! Vejam bem como a ignorância é inovadora! Vejam bem como a inovação, quando não tem outra razão que não seja ela mesma e só, pode ser leviana e, tratando-se de uma língua, pode ser “estragante”, como está sendo com essa “coisa obscena chamada Acordo Ortográfico” (VGM)!
E agora?!

II – ‘BLIMUNDA’ em língua bárbara (?)…

Agora que o Brasil adiou… E agora, Senhora Presidenta?!
Estou certo de que, se o genial criador de Blimunda estivesse cá, a revista Blimunda, da sua fundação, seria ortografada, decentemente, em Português!
Com os respeitosos cumprimentos do leitor de Saramago,
António Marques.

2 Respostas

  1. Na generalidade concordo com o exposto mas discordo da sua visão sobre partícula apassivante. Acho até que não faz sentido que exista.Eu falo naturalmente sem a PA, que no meu entender perturba a lógica da exposição.

    Em muitos casos não se percebe se o “se” é PA ou outra coisa.
    A famosa confusão “VENDEM-SE CASAS” – “VENDE-SE CASAS”

    Sou contra o acordo porque acho que o rigor gráfico duma língua deve respeitar a etimologia.Estamos irremediavelmente num mundo onde predomina o Inglês, língua muito mais simples que a nossa, na qual as raízes são respeitadas e estranho que o Brasil se tenha metido nisto quando a sua ligação Aos EUA e à língua inglesa é muito forte

    Mas força pois aprecio o seu espírito e labor.

    Cumprimentos

    • Caro Sebastião,

      O seu comentário é-me deveras gratificante, começando “Na generalidade concordo”… e terminando em “força pois aprecio o seu espírito e labor”. (Gosto muito deste ‘labor’, até porque o ‘b’ latino, oclusiva bilabial, se manteve, não tendo alternado com o ‘v’, constritivo labiodental, como aconteceu na divergente ‘lavor’, a qual diverge não só foneticamente mas também algo semanticamente)… Digo-lhe “obrigado”, não por ‘concordar’ e ‘apreciar’, mas sim porque o teor do texto todo é para mim prova provada da seriedade do comentador.

      Agora, a partícula apassivante (PA). Antes de mais, deixa-me um pouco baralhado ao dizer “que não faz sentido” e que “fala naturalmente sem PA”…

      Eu acho que não se trata de falar sem ou com PA… Trata-se de uma questão gramatical que, no processo evolutivo da língua, foi nela introduzida, como toda a gramática da língua, pelos falantes. E os linguistas, os gramáticos, se o são na verdade, nada mais fazem do que investigar e registar gramaticalmente. Tenho aqui, nas minhas estantes mais de uma dezena de compêndios de gramática da língua portuguesa, todos alguma vez adoptados no ensino secundário como suporte escolar do ensino do português, e todos eles falam da questão que tem a ver com a tal PA. Ou, se preferir a terminologia brasileira, pronome apassivador (vide “Nova Gramática do Português Contemporâneo”, Celso Cunha, Lindley Cintra, Edições João Sá da Costa, 3ª edição, p. 307).

      Mas acho melhor remeter o benevolente comentador para a postagem deste blogue intitulada O ‘se’ apassivante. É só ir lá e clicar. Lá está expressa a minha convicta opinião sobre o assunto. Convicta. Mesmo que o simpático comentador continue a discordar.

      Permita-me um abraço.

      António Marques

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