Postagem aberta ao Director do “Diário de Notícias”

Caro Senhor Director João Marcelino,

Tendo, como na altura lhe comuniquei, deixado de comprar e ler diariamente o DN, desde que aí foi adoptada uma língua bárbara chamada Acordo Ortográfico, nunca deixei de o comprar e ler, pelo menos à quarta-feira e ao domingo, para não perder, sobretudo os bons cronistas que se recusaram (e recusam) a escrever nessa bárbara língua e que estão entre os melhores, mesmo os dos outros dias, como já tive a curiosidade de ver. Poderá calcular…, estou cada vez mais convicto das razões que me levaram (levam) a tomar tal atitude.

Escrevo-lhe agora, depois de ter lido, no passado domingo – 27/01/13 –, forçando o ruído da ortografia, o seu notável trabalho sobre a Obra, leitura que me forneceu alguns dados, novos, apesar de, na juventude, ter conhecido o Opus Dei, tendo-lhe sempre resistido, depois de, antes, pela leitura do livrito de Josemaria Escrivá – Camino –, ter estado quase… a ceder ao assédio…. E só não me convenceu, porque o analisei comparativamente com os Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola (E. E.) e tive a suspeição, depois a convicção (vencedora…), de que Camino era um novo E. E: para conquistar (convencer…, manipular) a Sociedade, sobretudo a Sociedade Intelectual. Como está hoje à vista para quem queira ver deveras… De resto, não será novidade, para gente bem atenta, que a tal dita Obra é uma organização ‘parajesuítica’, mas pretensamente mais actual, mais moderna. Eu não tenho dúvida de que Escrivá escreveu o Caminho, tendo em mente os E. E. de Loyola. Note-se que na 1.ª edição (1934) o nome do livrinho era, certamente não por acaso, Considerações Espirituais… Adiante!

Os dados novos que o vosso bom trabalho me deu não são muitos, mas reforçam a minha convicção: ligações perigosas, proximidades suspeitas e esquisitas… Eu não sabia, por exemplo, da proximidade de Pilar e de Zita. Eanes, desde o ‘doutoramento’ na universidade da Obra, nunca mais me enganou. Da ‘proximidade’ de Pilar, nem de longe… Apesar de dizer que não é membro. Aquela paixão… da Casa dos Bicos… Depois da notícia do voto no Costa (PS), de quem insistentemente se confessava militante indefectível do PC (Saramago, claro…). E Zita?… Tudo isto nos faz pensar em motivações que se misturam na nossa cabeça: fé, convicção, proselitismo, credulidade, interesses, oportunismos, negócios…

Já agora, outra coisa (cito o jornalista): “O próprio responsável do gabinete de comunicação da obra, Pedro Gil, esclarece que ‘qualquer membro da Prelatura do Opus Dei que actua na área pública, fá-lo sempre por exclusiva iniciativa própria, com total liberdade e responsabilidade pessoal sem qualquer mandato do Opus Dei.” ‘Exclusiva’? ‘Própria’? Será caso para perguntar: O que é que significa “exclusiva”? Leia-se e analise-se bem Camino e Exercícios Espirituais: maquiavelicamente (em nome de Deus, claro!) concebidos para manipular grandes intelectos; e deduzir que é possível alguém proceder convencido de que o faz sponte sua, mas fá-lo é com a cabeça feita pelo que o agente manipulador lhe gravou no consciente ou subconsciente… Moisés também disse aos que dançavam à roda do bezerro de ouro de Aarão, que as Tábuas tinham sido ditadas por Jeová… E o povo de Deus teve medo e acreditou… Naquele tempo e no sopé do Sinai, não havia bancos, mas havia um bezerro de ouro à roda do qual todos dançavam com a bênção do Sumo Sacerdote…

Com os meus cumprimentos.

António Marques

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