Como os do Mestre venceram a sua “troika” e os seus “troikados”

 Eleito rei nas cortes de Coimbra e constituído o novo Conselho…,

 “A 6 de Outubro [1384], no Paço d’El-Rei, fidalgos e cidadãos renovavam a menagem ao Mestre como regedor e defensor do reino. As mãos nos santos Evangelhos, juraram servi-lo. E beijaram-lhe a mão como senhor, deles de coração e obra, e outros fingindo e não de vontade”.

“O Conselho era agora constituído por Gonçalo Telo, Álvaro Gonçalves Camelo, o arcebispo de Braga Lourenço Vicente, o bispo de Lisboa João Escudeiro, Pai de Meira, bispo de Silves, Nuno Álvares Pereira, Diogo Lopes Pacheco, senhor de Ferreira, e os doutores João das Regras e Martim Afonso. A hierarquia tradicional é dominante, mas, como vamos ver, os cidadãos e os mesteres continuam a ter a última palavra.

“Assim, na primeira reunião, o Conselho deliberou libertar a cidade dos tributos feudais que oneravam a produção: o relego [Direito com que o soberano ou seu donatário podia livremente vender o vinho que se produzia nos reguengos…], a  jugada de pão e vinho [antigo tributo que recaía em terras lavradias], o mordomado [imposto que pagavam os que tinham mordomo], a anadaria [imposto para o anadel (capitão de besteiros)], a açougagem [imposto que incidia sobre os estabelecimentos onde se vendia carne], o salaio [imposto indirecto sobre o pão cozido a que eram obrigados os mouros depois da conquista de Lx.], a mealharia [tributo que pagavam os vendedores e vendedeiras de Lx. à Câmara Municipal pelo lugar que ocupavam nos mercados…], os lombos [imposto que tinha a ver com a cedência dos lombos das reses], alcavala [imposto devido pelo vassalo ao senhor feudal]. Doou-lhe os paços onde se cobravam esses direitos; e ainda o paço do Trigo, o Paço das Fangas da Farinha e o Paço onde ora os carniceiros cortam a carne. Doou-lhe ainda 16 tendas que iam desde os Arcos das Marceiras até à Porta das Carniçarias, oito duma parte e oito doutra, as quais mandou que derribassem para a porta da cidade ficar mais formosa.

“Derrube as portas do castelo. Foram derrubadas. A cidade não confiava nos fidalgos que acompanhavam o Mestre.”

(in História de Portugal, Volume II – Portugal Medievo, António Borges Coelho, Caminho, pág. 313, remetendo para Crónica de Dom João I, Fernão Lopes)

Comentários? Não. Só 3 observações:

1. A primeira medida do Conselho do Novo Rei, Dom João I, Mestre de Avis, foi – diríamos nós hoje aqui – baixar drasticamente o IVA, precisamente nos bens de consumo de primeira necessidade; ou mesmo suspendê-lo, acabar com ele para – imaginem vocês! – incentivar a produção! (3º parágrafo, linha 2).

2. Isto há mais de seis séculos, neste País, depois de terem vencido os Castelhanos, ou seja, a Troika dos portugueses de então, que estavam com o Mestre (nem todos como hoje!…) na Revolução vitoriosa!

3. Entre parênteses rectos, explicam-se os impostos com os nome arcaicos.

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