“Jogo da Língua” (Antena 1): dois casos que fazem pensar

1. Foi há poucos dias e a questão era saber se o grau superlativo absoluto sintético de ‘célebre’ era ‘celebrérrimo ou ‘celebérrimo’. É claro que o concorrente, deitando fora aquele barbarismo que não lembraria senão à senhora doutora que superintende no Jogo, respondeu que era pela alínea que dava como correcta a forma ‘celebérrimo’.
– Sim senhor, estava certo, é celebérrimo? Porque – palavras da senhora doutora – “celebérrimo é um adjectivo latino que serve de superlativo absoluto sintético do adjectivo português célebre”. Estou a citar de cor, mas a coisa era tão esquisita, que eu poria as mãos no fogo se não foi assim… Ora uma explicação nestes termos só tende a confirmar-me que a senhora não se dá lá muito bem com o latim, porque , se desse, teria esclarecido a coisa de outra maneira. Por exemplo, assim:É que, em latim, o superlativo absoluto sintético dos adjectivos com o nominativo do singular terminado em ‘er’ formam o superlativo absoluto sintético (antigamente dizia-s ‘simples’) em -errimus, -errima, -errimum; e isto, quer o adjectivo seja da primeira classe – pauper, paupera, pauperum –, quer da segunda classe – celeber (celebris), celebris, celebre.  E assim passaram (regra geral) para o correspondente português: pobre (pauper) – paupérrimo; célebre (celeber) – celebérrimo; etc. E este superlativo em ‘érrimo’ tonou-se tão expressivo, que, não raro, por brincadeira, se recorre a ele para superlativar (patuscamente…, mas muito expressiva e enfaticamente) outros adjectivos que não têm nada a ver com o étimo latino. Por exemplo: ‘chiquérrimo’, ‘grandérrimo’, …

2. No Jogo de ontem, 19/06/13, perguntava-se se ‘hipertensão’ se deve escrever, segundo o novo acordo, com ou sem hífen. Respondeu o concorrente:
– Sem hífen.
– Sempre escreveu assim? – perguntou a locutora.
– Sim, sempre escrevi assim.

Ora , francamente, o que seria de perguntar era se alguma vez, depois da reforma ortográfica de 1945, se deveu (ou se deve) ter escrito (ou escrever) aquela palavra com hífen… Ou então, porque se utilizou a expressão ‘segundo o novo acordo’? Foi para gozar com a gente ou quê?…

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