Pessoas e coisas que eu não entendo: Vasco Graça Moura / Carlos Reis

Compro o DN todas as quartas-feiras. Para ler duas crónicas: a de Baptista Bastos e a de Vasco Graça Moura. Mas desde já digo que as deste último leio-as, geralmente a contragosto. Não pelo estilo – grande escritor, bom poeta e ainda melhor poeta-tradutor. E, nesse aspecto, merece ser lido. Quanto às ideias, aí, deixa-me muito baralhado: acérrimo militante contra “uma coisa obscena chamada Acordo Ortográfico” (na sua voz), é politicamente que ele me faz virar o juízo. Li, pois a sua crónica da quarta-feira passada (31/07/13): “Ainda o apanhamos”. Esta, porque pode ser neutra, é mesmo de não deixar de ler. “Ainda o apanhamos”: é assim que termina, como toda a gente escolarizada deve saber, o célebre romance Os Maias de Eça.Quem, por obrigação profissional, teve de ensinar Eça de Queirós no ensino secundário, não pôde passar sem frequentar o professor catedrático Carlos Reis, “sem dúvida, um dos maiores especialistas contemporâneos da obra de Eça de Queirós…”.

Mas eu, sinto uma pedra no sapato e não sei como livrar-me dela. É simples: como é que Vasco Graça Moura se entende com Carlos Reis quando falam (se falam…) n’“essa coisa obscena chamada Acordo Ortográfico”. E agora, perante as repetidíssimas notícias sobre os resultados negativíssimos dos exames de Português, tenho mesmo de perguntar aos dois tão ilustres entendidos na matéria: alguma vez falaram em que a  mais que provável  causa maior  desses resultados é, sem dúvida, a bagunça em que puseram a língua portuguesa com a ratificação ( a meu ver ilegítima, acho mesmo que ilegai, inconstitucional…) dessa tal “coisa obscena”?!.. Falaram nisso? Não falaram? E, enquanto falavam, não disseram os dois: “ainda o apanhamos”?!…

Em verdade vos digo, senhores ilustres professores e literatos, que enquanto não desratificarem (ia-me saindo desratizarem…) essa absurda ratificação, os resultados não vão melhorar. É que ninguém entende nada, ninguém se entende! E entretanto a língua – a nossa língua – vai-se deteriorando, não melhorando, não evoluindo. E “essa coisa obscena” vai-se tornando cada vez mais obscena; vai-se estragando e estragando a média avaliativa dos nossos alunos!

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