“As reflexões de Paulo Rangel sobre Jesus e a política ‘são redutoras’ para Jaime Gama”

(Com a devida vénia, de:)
“Ensaio” (Margarida Gomes, Público, 19.06.2015, p. 8, a propósito do livro de Paulo Rangel Jesus e a Política: Reflexões de um Mau Samaritano, escrito e publicado em homenagem ao pai).

“Eurodeputado considera ‘importante perceber que o cristianismo sempre defendeu a separação entre religião e política’.

“Ao contrário do que acontece, por exemplo na Alemanha ou em Inglaterra, onde se discutem todos os temas, em Portugal o debate sobre a religião é pobre e o eurodeputado considera “importante perceber que o Cristianismo sempre defendeu, desde a sua origem, a separação entre a Igreja e o Estado ou entre a religião e o poder político”.

“Toda a sua reflexão teve por base os quatro evangelhos e Jesus Cristo e Jaime Gama, que Rangel convidara para apresentar o livro, não perdeu de vista este aspecto e aproveitou para dizer que “é preciso fazer uma leitura mais abrangente de Jesus”, o que, na sua perspectiva, proporciona uma análise diferente sobre os evangelhos e a sua relação com a política. Não me parece que seja relevante ter má consciência evangélica em termos da política”

Agora, o meu comentário aos ‘desconhecimentos’ (eufemismo de ‘ignorância’…) de alguns políticos. Como é que gente grada (e tão política!), que tinha obrigação de saber História – da Europa, Universal e, daí, do Cristianismo – como é que esta gente revela tanta ignorância, sobretudo desta última: a do Cristianismo?! E não sabem (ou fazem de conta que não sabem?) que esta religião, o Cristianismo sim, cruelmente perseguida e martirizada nos três primeiros séculos da era cristã, foi, no final do século III, tornada, por Constantino, a religião oficial do Império, e por ele elevada à Sumidade do Pontificado, revestida da púrpura imperial, na cabeça as mitras e nas mãos o poder político imperial – tudo como os Pontífices do Império – a partir de finais do século III, a Igreja Cristã passou de perseguida a perseguidora e durante uns dezasseis ou dezassete séculos perseguiu, de guerra, de matança ou de fogueira, tudo quanto fosse heresia ou herege, ou contrariação da doutrina definida em concílios sob protecção do Imperador e, depois, dos detentores do poder político, que “lhe” vinha, directamente, de Deus!…

Começando logo, após o concílio niceno-constantinopolitano (não esqueçam: convocado pelo próprio Imperador, não, ainda baptizado. E se calhar nunca o chegou a ser…) – começando logo, dizia eu – com os arianistas do ‘filioque’ desse concílio. Depois, os cátaros (ai os cátaros! Os puros!…). Depois os albigenses! Depois, os luteranos e seus derivados! Todos! Tudo o que fosse heresia ou herege. Por aí adiante, até ao século XVIII. Pelo menos!…

Com que então, meus caros senhores, “o Cristianismo sempre defendeu, desde a sua origem [vejam bem: “sempre, desde a sua origem”!…] a separação entre a Igreja e o Estado ou entre a religião e o poder político”?!

Mas… a História diz-nos, sem rebuços, que, desde Constantino até bem perto do fim do século XVIII, foi exterminar, foi queimar, foi matar!… Que o diga (ainda…) António José da Silva, “O Judeu” – ele, sua mulher e sua mãe – que foram dos últimos a serem queimados no Rossio de Lisboa, em pleno auto-de-fé, pela Santa Inquisição. E Bocage, que, quase no final do séc. XVIII, pouco lhe faltou para o fazerem também arder!…

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