Arco da Velha, o Arco da Reinação: texto epigramático – 1

‘In hoc signo vinces’  
(Tradução literal: “com este sinal vencerás”, “com esta divisa – a cruz – vencerás”; palavras  dirigidas por Jesus Cristo ao Imperador Constantino quando marchava contra Maxêncio, segundo Eusébio de Cesareia, Vida de Constantino, 1–28).
(Tradução livre, adaptada à nossa vida política actual: “com  este sinal ganharemos” – as eleições, claro!).

O Arco da Velha ainda não sumiu?!…
Irrevogável?!..,  Arco da Reinação
virou à esquerda o sextante e… partiu!…
E os cacos do Velho Arco onde estão?…

Líder cunicular da Coligação
puxa do bolso e empunha uma cruz,
num  comício em dia cheio de luz!
(– Que, assim, atrai o Zé à votação!…)

Falta evocar alguém bem conhecido
que não reina nem governa mas quer ser
Presidente – com ou sem arco – do poder,
para recuperar o Arco  partido!…

Desde  o valente mergulho,  conhecido,
em água do Tejo, marulhada e fria,
enquanto rezava uma Ave-Maria
do seu terço diário, compungido…

Além dos ‘Direitos…’ da sua profissão,
há vinte e cinco anos,  o que faz e sente,
em tudo tem sempre a nervosa  tenção
da campanha (sua)… para Presidente.

António Ínsulo 
Pombal,  4/12/15

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Ao(s) sábio(s) da ‘Real’ Academia das Ciências de Lisboa

NO DESERTO: AVESTRUZES, WELWITSCHIA MIRABILIS, MIRAGENS E UMA INOCENTE PERGUNTA

Imaginem vocês, há tanto tempo que ando com ela ferrada na cabeça, e só nesta quarta-feira – 18/11/15 – me deu para verificar a ortografia usada na crónica do habitual cronista dessa página, Adriano Moreira (vide DN dessa data, pp 12 e 13). E, tendo-me alguém chamado a atenção para o caso, qual não foi o meu espanto ao confirmar que Adriano Moreira, presidente (que é ou que foi) da ‘Real’ Academia das Ciências de Lisboa, instituição oficialmente responsável (ou geralmente considerada como tal, desde que me lembro) por velar pela língua portuguesa, incluindo a ortografia, que, afinal, esse Sábio usa, no seu português escrito, o tal ‘acordês’, ou por outra, “essa coisa obscena chamada Acordo Ortográfico” (Vasco Graça Moura). Fui ler então A nave dos loucos. E, verdade se diga, quanto às tais ‘consoantes ditas mudas do Acordo (AO90, claro), encontrei nesta crónica por oito vezes só e apenas uma: o c antes do t – projeto, objetivos, afeto, perspetiva, atualidade, tática, objetivos, projeto. Mas não vou acabar este parágrafo sem referir que há muito tempo trago por aqui no computador um trabalhinho precisamente chamado ‘As tais consoantes ditas mudas do Acordo’ e que, se tiver vida e saúde e mo permitir a disposição, há-de ainda um dia destes aparecer aqui no blogue. Deparantes de acaso ou adrede visitantes, não percam a esperança...

[Chegada a 4ª-feira seguinte, 25/11/15, pude verificar os 5 exemplos de consoantes mudas nessa crónica: adjetivação, objetivos, fatores (será muda, esta?… escutem bem: factores ), protecionismo (e esta?… proteccionismo), atos].

Mas então porquê aqueles temas do sub-título que trazem consigo a evocação do Namibe? Pois. Lá iremos. Foi no Liceu Adriano Moreira,(notem bem!), em Moçâmedes, que iniciei, na Angola de então, a docência: 1 turma de Português (3º ano) e outra turma de Latim (11º). Um dia, com mais três compinchas, combinámos ir por ali abaixo até ao Deserto do Namibe. No meu ‘2 cavalos’, pois claro. Eis senão quando– a maravilha! – parados na estrada, verificámo-nos cercados de “água” por todos os lados, como se estivéssemos rodeados por um grande lago à nossa volta. A toda a volta, a vegetação se reflectia para baixo à superfície da “água”… E ali ficámos um bom bocado, embevecidos pela ilusão das miragens!… Mais para baixo, já no deserto, as avestruzes corriam por cima da vegetação, quase por nós enxotadas, por certo também da welwitschia mirabilis

“Lago das Miragens

Se eu morrer um dia aqui neste deserto,
atirem meu corpo ao Lago das Miragens!…
Assim bem fundo no sopé
daquele morro imóvel reflectido.
Talvez o meu desejo lá no fundo
alimentasse raízes destas welwitschiae mirabiles
que enterram no deserto o seu segredo…

Se eu morresse aqui… ou mesmo vivo
se no deserto chovesse o meu desejo
(neste deserto selvagem que em nós se transmudou)
seria revelado aos homens o mistério
deste não-sei-quê que não nos é propício…

Deserto-mar da Ilusão
dos que sofrem a sede da vingança
ou talvez só a sede da Justiça.
Se eu morrer aqui neste deserto
enterrem-me corpo e alma no lago-mar da Ilusão.”

(Moçâmedes, Deserto do Namibe, 1967, publicado in O PROFESSOR, Jan./Abril 2005.p. 66)

Mas voltemos ao ‘nosso’ Liceu Adriano Moreira, ou melhor, ao patrono do liceu, porque tudo o que fica escrito com ele tem algo a ver. Personalidade de grande envergadura, ministro do Ultramar de então, sócio da Academia das Ciências de Lisboa e depois seu presidente (e, na verdade, não sei se ainda o é…). E voltámos aqui porquê? Para quê? Para fazermos ao Sábio (e aos outros Sábios seus sócios), uma pergunta inocente.

Porque que é que esse homem tão importante e sábio, com um importante currículo, sinal de sabedoria, como é o dele, assim tão ligado à Academia guardiã da Língua Portuguesa, consentiu a RATIFICAÇÃO do Acordo (e, pelos vistos, consente ainda porque na sua escrita usa “essa coisa obscena chamada Acordo Ortográfico”)?

Os debates

QUEM VAI SER PRIMEIRO-MINISTRO? PASSOS? COSTA? SÓ?… E PORQUE NÃO HÁ-DE SER O JERÓNIMO?…

Eu, por mim, nem queria ver… OS DEBATES. Não queria mesmo!. Mas a mulher lá me bateu nas costas: “E porquê não? E porque não hás-de ouvir e ver? Etc. e tal!” E lá caí na esparrela: sentei-me no sofá a ver e a ouvir… “Promessas para aqui, não cumpridas.” “Promessas para ali, por cumprir, para não ter de cumprir”. Etc., etc., etc… “Porque eu prometo mas não cumpro…” “Porque tu não prometes para não ter de cumprir!” “Pois, porque estamos aqui é só para… debater! E se não debatermos, batem-nos”. Porque o programa é de debate não é de política! (Ou pulhítica?…) E um debate só pode ter um objectivo: ver quem ganha… o debate…, pois o que haveria de ser?!…

Então quem ganhou? Foi o Costa porque foi mais frontal e “varídico”! Foi Passos porque foi mais técnico e cínico! E o debate acabou!

Estás satisfeita, mulher?! Pronto, acabou o debate, já ninguém nos bate!… Agora, só falta ir às urnas e votar nos mesmos! Nos de antanho! Nos do Arco! Porque eles, agora, não vão prometer: vão cumprir o que não prometeram. Se eles não cumpriram o que prometeram, como vão eles cumprir o que não prometeram?! Mas que grande confusão! E o que é que poderá ser isto tudo senão uma “gandessíssima” confusão?! Mais do que isso: uma desgraçadíssima confusão! Vocês entendem? As mentiras? As meias-verdades que escondem as meias-mentiras? Tudo?…

Quão

De uma mensagem de pessoa amiga (não digo se homem ou mulher para tornar mais fácil o anonimato) tirei o advérbio “quão”, usado por duas vezes na dita mensagem:

1. “… mostrar o quão bom lugar é [esta terra]…”
2. “De resto, espero que esteja tudo bem [….. ]. Espero também que vá dando novidades, pois sinceramente fico a sentir-me mal quando recebo estes e-mails e percebo à quão tempo [sic] não falava consigo.”

Trata-se de um advérbio de quantidade que tem no latim o étimo correspondente – quam – e a mesma ideia significativa de quantidade, quase sempre comparativa. Mas vamos às gramáticas e aos dicionários buscar a classificação e o uso correcto em contexto discursivo:

Quão, adv. (lat. quam). Quanto, como: quão desgraçado eu sou! Tão feia quão bondosa. (Dicionário Prático Ilustrado, Lello).

“Outros advérbios de quantidade: pouco, menos, demasiado, quão, tanto, tão, assaz, que…” (Compêndio de Gramática Portuguesa. A Gomes Ferreira, J. Nunes de Figueiredo, Porto Editora (edição mais recente).

Comentários aos dois usos referidos:

1. Não é muito usado assim, mas preferindo-se este uso, ficaria mais confome a norma, suprimindo o artigo inicial, ficando assim a frase: quão bom lugar é esta terra.

2. “à quão tempo…” é incorrecto: ‘à’ está errado, deve ser ‘há’ do verbo haver; e, em vez de ‘quão’ usar ‘quanto’: Há quanto tempo te não vejo!

E daqui podemos passar ao nome que os eruditos (gregos, claro) deram a este tipo de erro ou vício de linguagem: solecismo. Solecismo porquê? Eis (trancreve-se do mesmo Dicionário Prático Ilustrado da Lello):

Solecismo. Substativo masculino (gr. Soloikismos, lat. soloecismu. Erro contra as regras da sintaxe: houveram homens por houve homens [Este desgraçado verbo haver que anda por aí assim tão desgarrado!…]. Por extensão, qualquer erro ou falta. Falava-se muito mal o grego, em Soles, cidade da Silícia, fundada pelos Atenienses. Do nome dos habitantes dessa cidade provém a palavra solecismo.

Dois grupos lexicais parónimos e não homónimos

Ante-scriptum: Na loja onde comprei os óculos, sentado diante da secretária da senhora atendedora, olhei à minha volta, para o décor da sala, e vi, em vários sítios, a palavra óptica (assim escrita com o “p” antes do “t”). Noutros sítios estava ótica (sem, ´p´, como, por exemplo, no saco em que me entregaram os meus óculos). À entrada do supermercado em que está integrada a loja, podemos ver no cartaz da dita, em letras garrafais de publicidade, a palavra ótica sem o “p”. Foi por isso que me decidi a compor este ’post’.

1.
ÓPTICA
(nome substantivo): parte da física que se ocupa da luz e dos fenómenos da visão (ou de artigos que têm a ver com a visão, como, p. e., óculos… (Etimologia: do substantivo grego optiké).
ÓPTICO/ÓPTICA (adjectivo): referente à óptica ou à vista; visual; o que fabrica instrumentos de óptica; oculista […].

Atenção à ortografia e mesmo à prosódia: por mais que “uma coisa obscena chamada Acordo Ortográfico” (na feliz expressão de Vasco Graça Moura) insista na asneira de os considerar homónimos, nunca este grupo (da óptica) poderá deixar de se escrever com o ‘p’ que precede o ‘t’, Por duas razões, a etimológica e a prosódica: é que aquela consoante “p” não será assim tão muda (quando muito, poderia dizer-se “semimuda”, porque os falantes sabedores pronunciam-na: “óptica”, pois.

2.
ÓTICO/ÓTICA (adjectivo): do ouvido; relativo ao ouvido; diz-se do medicamento contra as dores dos ouvidos. [Etimologia: do grego ótikos, “auricular” pelo lat. oticu; da mesma família do “oto” de otorrinolaringologia; elemento de formação de palavras que exprime a ideia de “ouvido”: do grego ous- otós – ouvido ].

Nota final: Posto isto, não vejo onde possa haver confusão entre as palavras destes dois grupos lexicais, nem que razão assistirá a esses ignorantes que mandam escrever as palavras do grupo 1 sem “p” ou do grupo 2. com “p”!…

Europa de hoje (União Europeia) e Europa dos tempos feudais: que diferença?

É na primeira página do DN de 14/07/15: aquela gargalhada dos três, entre os mandões maiorais do Eurogrupo, foto explicada em legenda sobreposta, na qual se vê, bem realçado, o riso alvar mostrando os dentes até bem ao fundo da garganta, de um tal senhor Djisselbloem. Para ficar mais completo o grupo, sentimos nós que falta lá pelo menos uma quarta gargalhante: a chanceler Merkel, pois claro. São estes, e mais alguns, os novos suseranos da Europa de hoje, União Europeia chamada (UE). Será então bem oportuno perguntar: entre os novos suseranos da Europa de hoje (UE) e os suseranos da Europa dos Tempos Feudais, que diferença?!

Querem vocês ver? Vejam:

Das quatro idades em que se costuma dividir a História Universal – Antiga, Média, Moderna e Contemporânea –, a Idade Média é, sem dúvida, a mais longa e, por ventura, a mais negra. Convém ver, numa boa enciclopédia, as seguintes entradas, sobre as instituições e principais aspectos característicos da Época Medieval, a saber: Feudalismo, Cruzadas, Inquisição, Escolástica (Filosofia serva da Teologia). Mas, vamos então ao

FEUDALISMO (de origem germânica). “Os reis bárbaros conseguiram êxito nas invasões graças sobretudo aos seus bandos de companheiros ajuramentados e dedicados. Em particular Clóvis (adrede baptizado cristão) deveu ao seu globus o domínio da Gália. E em breve toda a Europa era feudal [atentem ao radical globus]. O vínculo entre o vassalo e o senhor (suserano) é criado pelo juramento e os deveres originados do juramento exprimiram-se pela palavra obsequium. O vassalo, de joelhos e desarmado, punha as mãos unidas nas mãos do seu senhor e declarava-se seu homem por tal feudo; o senhor levantava-se, beijava-o na boca e depois o vassalo, de pé, prestava, sobre o Evangelho, o juramento de fidelidade a que correspondia da parte do senhor a investidura.” (Das enciclopédias).

Pergunta-se agora: o que é que falta a estes mandantes (na sua maioria nem sequer eleitos pelos vassalos, quanto mais pela legião de escravos dos pobres dos povos europeus!
– Sim, o que falta? O que é que falta?
– Apenas o rito, que é subentendido lá entre eles…

Então, voltemos ao princípio: Europa de Hoje (União Europeia (EU) e Europa dos Tempos Feudais. Que diferença?!…