“…eu sou dos que acredito…”? Não!

Novembro 4, 2009 - Leave a Response

Na entrevista ‘Michael Moore, O bom americano’, texto de Rui Pedro Tendinha, Notícias Magazine 01/Nov/2009, p. 82, 3ª coluna:

“Este filme [Capitalismo – Uma história de amor] já tem mais de duas horas, cinco minutos mais, já com os créditos finais, e eu sou dos que acredito [sic] que nenhum filme deva ter mais do que duas horas.”

Perversão sintáctica grassando muito por aí, de mais; saída de plumas muito escolarizadas, mesmo algumas superiormente escolarizadas. Ora vamos analisar essa sintaxe:

… dos que acredito

Oração relativa ‘que acredito

Predicado/verbo – acredito está errado: deve ser ‘acreditam’.

Sujeito – ‘que’ com o antecedente ‘os’ de ‘dos’.

Numa relativa com ‘que’ por sujeito, o verbo tem de concordar com o antecedente do ‘que’: neste caso, o pronome demonstrativo ‘os’. Plural, logo o verbo tem de estar no plural (3ª pessoa).

‘Eu sou dos que acredito’?  Não! ‘Eu sou dos que acreditam’

Vamos agora fazer aqui umas variantes. Imaginemos a frase com quatro relativas ou mais que fossem::

Sou eu que acredito; sou eu quem acredita, sou um que acredita, um dos que acreditam.

Na primeira relativa – que acredito – o verbo vai para a 1ª pessoa do singular, porque o sujeito é ‘que’ com o antecedente ‘eu’; na segunda – quem acredita – o sujeito é o relativo ‘quem’, que leva sempre o verbo para a 3ª  pessoa do singular; na terceira – ‘que acredita’ – o verbo vai para a 3ª pessoa do singular, porque o antecedente do relativo é o pronome indrfinido ‘um; finalmente na quarta – que acreditam – o verbo vai para a 3ª pessoa do plural, porque o sujeito ‘que’ tem como antecedente o pronome demonstrativo ‘os’. E já agora…, se sois vós que acreditais em mim, ou se sois vós quem em mim acredita, por mim, ficarei satisfeito.

“Sobre Caim” de Pilar

Novembro 4, 2009 - Leave a Response

O que aqui se disse relativo à crónica de Vasco Graça Moura (ensaio mais histórico), pode voltar a dizer-se agora, depois de se ter lido Sobre Caim, de Pilar del Rio (mais antropológico) (DN 29/10/2009, p. 50). Termina assim:

“Sigamos então por caminhos marcados por lendas, com interpretações simbólicas ou não, mas tenhamos ao menos a decência de atribuir-nos a sua autoria: a de havermos criado a divindade e toda a dor e sacrifício que os deuses supostamente impuseram ao mundo. À imagem e semelhança do ser humano”.

É assim. Quando alguém passa da crença em Deus para a descrença, é quando a sua cabeça virou ao contrário o versículo da Bíblia relativo à criação do homem e, com convicção, o adopta assim virado : “ …e diz [Deus]: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gen. 1, 26). Lá dizia, há pouco tempo ainda, em Vila da Feira, o grande escritor Salman Rushdie: “Deus é o maior erro da espécie humana”. E então não será mesmo?

Mas vejam só se pode falar de coerência  o cronista habitual do DN Domingo, penúltima página. À afirmação de Pilar “os chamados seres racionais estão loucos, por isso talvez não mereçam a existência”, ele responde: “eu não chegaria a tão dramática conclusão, mas é notável ver uma comunista de sempre [sic] falar com tamanha franqueza do credo que professou e que, contra toda a coerência, continua a professar [sic].”

A crónica de Vasco Graça Moura

Outubro 29, 2009 - Leave a Response

Ninguém que esteja de algum modo interessado na polémica Caim/Bíblia/Deus/ Saramago/Igreja deverá dar por terminada a sua tarefa de participar ou simplesmente acompanhar sem ler a crónica de Vasco Graça Moura (VGM) Melhor crer do que ler? (DN, 28/10/2009, p. 54). Ali está tudo, tratado em género ensaio histórico, tudo o que Saramago disse, primeiro em género ficção (sátira ou “escárnio e maldizer”?) e, depois em debate, em entrevista, em conferência.

Quem leu ontem a crónica de Miguel Tavares sobre o assunto, e hoje a de VGM!…

Heresia e blasfémia

Outubro 29, 2009 - Leave a Response

Heresia (L. haeresis >Gr.haeresis) f. Doutrina contrária aos dogmas da Igreja; contra-senso; acto ou palavra ofensiva da religião.

Blasfémia ( L.>Gr. Blaspemia) Palavras ultrajantes da divindade ou da religião; ultraje dirigido contra pessoa ou coisa respeitável; dito absurdo.

(Dos dicionários)

Começo por dizer que geralmente leio e aprecio as crónicas de João Miguel Tavares. Mas esta As afirmações religiosas do ateu José Saramago (DN, 27/OUT/2009, p. 9) mais me parece uma série de excertos da homilia que o autor terá ouvido no último domingo. Que grande confusão, meu Deus! Confusão semântica, confusão teológica, confusão filosófica. Então digam-me: um ateu, por ser ateu, não pode falar de ética? Não pode analisar um texto do ponto de vista da ética? Pois! Sócrates (nada de confusões aqui!), quando estava a virar a juventude grega contra os deuses do Olimpo, que pelos vistos estavam acima de toda a ética humana, foi obrigado a tomar  a cicuta letal. Ele, que “só sabia que nada sabia”! Vejam:

“… o escritor português defendeu ‘o direito à heresia’. Carreira das Neves respondeu, e muito bem, que Saramago não pode ser herético se não acredita em Deus. Tivesse o nosso Prémio Nobel da Literatura mais cuidado com as palavras e perceberia que aquilo que está a defender é, isso sim, o direito à blasfémia.”

E mais adiante:

“… uma série de gestos muito atinados mas que passam ao lado do essencial: um ateu pode perfeitamente dizer que a Bíblia é um manual de má literatura; não pode é dizer que é um manual de maus costumes”.

E porque não? E agora esta barbaridade:

“Só quem acredita que a Bíblia tem alguma relação com a palavra de Deus está habilitado para sobre ela fazer considerações éticas”.

Esta, é de pasmar! Ainda para mais saída da pena de um escriba jornalista! Pena que eu tantas vezes tenho visto passar com o bico sobre a ética de figuras políticas e não só! Poderá um jornalista fazê-lo: ler um texto e analisá-lo do ponto de vista ético? E porque não um escritor? E porque não um ateu?

E agora vejam só mais esta:

“… A maior parte dos cristãos dirá que a Bíblia é um Manual de bons costumes. Mas seja para dizer que os costumes são bons, seja para dizer que os costumes são maus, é preciso acreditar no ‘poder ético’ daquele livro, ou seja, na transformação da palavra em acção. Ora, um ateu necessariamente não acredita nessa transformação, e por isso tem de olhar para a Bíblia como olha para outro livro qualquer: estética e nada mais.”

Nada mais porquê? Quer isto dizer que um crente terá de deixar de se preocupar com a ética quando deixar de crer em Deus? Não haverá aqui uma grande confusão de ética com teologia moral?

Jogo da Língua polémico

Outubro 29, 2009 - Leave a Response

Fiquei com pena daquele concorrente ao Jogo da Língua (Antena 1, 14:30 h) que ligava da linda terra das alheiras, Mirandela. Foi-lhe posta a questão assim: “Qual é o plural de decreto-lei?” E ele disse logo: “Decretos-leis”. Mas em seguida o problema foi-lhe proposto assim: “Tem de escolher uma destas duas: decretos-leis ou decretos-lei?” E o homem, muito baralhado, pensou pensou e disse: “bom, decretos-lei”… Veio a senhora doutora e explicou: decretos-leis, porque não sei quê não sei quantos, porque era assim mesmo… E o homenzinho ficou sem o livro. E eu sou capaz de dizer: em um “jogo da língua” assim, questões polémicas não se devem pôr! Polémica, esta? Sim.

Embora o tal Dicionário da Academia diga que o plural de decreto-lei é decretos-leis, e mais nada, há quem, com muita autoridade, diga que esse nome substantivo composto pode ter como plural: decretos-lei ou decretos-leis ou vice-versa (Cf. Dicionário Aurélio e Dicionário Houaiss). Mas a polémica não fica por aqui. A Nova  Gramática do Português Contemporâneo, de  Celso Cunha e Lindley Cintra (Sá da Costa, 3.ª ed., p. 188) diz: “c) também só o primeiro toma a forma de plural quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico: navios-escola…”, opinião seguida por gramáticas adoptadas nas escolas. Ora se decreto é um diploma com força de lei emanado do Governo, e lei é um diploma legislativo emanado do órgão propriamente legislador, no composto decreto-lei, o segundo elemento bem pode(deve) ser considerado um determinante específico. E ainda, conforme o Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa, Notícias, 47ª edição, p. 56:

“- Nos compostos formados por dois nomes (normalmente ligados por hífen) em que o segundo elemento tem uma função adjectival só o primeiro elemento vai para o plural: escolas-modelo, expressões-chave, projectos-piloto, etc.”

Neste “etc.” poderíamos acrescentar, entre outros, os nossos “decretos-lei”.

Mas o Jogo da Língua não acaba aqui. Há dois dias, a pergunta era: “deve-se escrever/dizer precaridade ou precariedade?” A senhora doutora explicou: precariedade, porque é assim nos nomes deste tipo derivados de adjectivos terminados em –ário. Está bem. Mas eu acho que a senhora doutora podia muito bem alargar a explicação, porque esta não abrange substantivos do mesmo tipo, como ansiedade (de ânsia), piedade (de pio), sobriedade (de sóbrio), sociedade (de sócio), seriedade (de sério); e decerto alguns outros que não derivam de adjectivos terminados em –ário, mas simplesmente em –io (ou –ia). Há, ainda, o caso de saciedade que nos vem do latino satietate, derivado não de adjectivo ou substantivo, mas sim de advérbio – satius – comparativo de superioridade de satis. Saciedade é, pois, o estado de qualquer coisa que é “mais que bastante”, ou seja, o estado de saturação.

Até porque, de minha experiência, não posso considerar o Dicionário da Academia o “papa” dos dicionários da língua portuguesa, muito ao contrário.

Adenda à postagem “A polémica e o insulto”

Outubro 24, 2009 - Leave a Response

Tendo em vista o penúltimo parágrafo, relativo à pontuação, achei oportuno acrescentar algo. O problema da pontuação, remete para aquilo a que os linguistas chamam sinais diacríticos e volto a dizer que me parece que o seu uso mais normativo, em Caim como em outras grandes obras anteriores do Autor (v.g. O Evangelho), não só não prejudicariam o estilo, como, ainda, aumentariam a clareza do discurso e, em consequência, facilitariam a leitura. Lendo Caim, não raras vezes me aconteceu parar para ver se  determinada vírgula era interrogativa ou não. E reparei que em muitos casos, o narrador vê-se obrigado, para confirmar a interrogação, usar a intercalada “respondeu”, “perguntou” e outras. Estaria também resolvido o problema didáctico do ensino/aprendizagem, quando, na escola, se recorre a textos saramaguianos.  Mesmo o uso da maiúscula em nomes próprios. Mas, repito,  a genialidade da narrativa lá está sempre, seja com o desvio diacrítico original ou fosse com a pontuação de uso universal.

A polémica e o insulto

Outubro 24, 2009 - Leave a Response

As palavras, na sua forma, na sua significação e no seu uso, têm muito que se lhes diga; precisam de ser bem definidas antes de serem usadas, seja em monólogo, em diálogo, ou em debate. Quem estudou um pouco de Lógica, devia saber isto e mais coisas.

Vem isto a propósito de Saramago e o seu Caim, da Bíblia e o seu Deus, e a polémica que daí vem. Dizem alguns crentes, a começar pelos que se consideram guardiões da crença e da fé em Deus, que o que escreve Saramago, o que ele diz, é insulto à fé dos crentes (ou aos crentes da fé), confundindo polémica, opinião e insulto. Antes de mais, vamos lá então definir.

Polémica s. f. discussão acesa, controvérsia; debate (Do grego polemike, feminino do adjectivo que deriva do substantivo pólemos que significa guerra).

Insulto s. m. (Do lat medieval insultu). O verbo insultar, do lat. insultare (in+saltare com o afrouxamento do ‘a’ em ‘u’ = saltar sobre, atacar, injuriar).

Opinião s. f. modo de ver pessoal ou subjectivo; parecer emitido sobre um assunto…

(Dos dicionários)

E agora vamos lá ver.

O senhor A diz que isto é assim. O senhor B diz que isto é assado

O senhor A diz que o que diz o senhor B é insulto ao que aquele diz e crê.

E então podemos perguntar. Se o que o senhor B diz de uma coisa é insulto ao senhor A pelo que ele diz dessa coisa, não será também insulto ao senhor B o que diz dessa mesma coisa o senhor A?

Mais concretamente. O senhor A diz que Deus existe. O senhor B diz que deus não existe. O senhor A diz que o senhor B está a insultá-lo ao dizer que Deus não existe.. Então e o senhor A não estará a insultar o senhor B ao dizer que Deus existe? São duas opiniões, contraditórias, subjectivas  que, no nosso caso têm, uma e outra, como referência a Bíblia, que o senhor A diz que tem Deus por autor e o senhor B diz que é da autoria de homens e está a ser lógico: não pode ter Deus por autor, porque ele não existe.

Então o melhor será, na base da Democracia e da Lógica, o senhor A e o senhor B, em liberdade de pensamento e expressõo, poderem expressar a sua opinião, sem que alguém possa arrogar-se o direito de ter mais direito de livre expressão do que o outro… Deixem o Caim de Saramago (e o da Bíblia) cumprir o seu destino de uma errância sem limite, como, de resto, lhe está traçado pelo autor da Bíblia, seja ele quem for.

Uma narrativa genial que só me põe um problema: a pontuação. Problema que, em minha modesta opinião, sem afectar o estilo e mesmo decerto a barroca fluidez do discurso,  podia ser resolvido pelo próprio Autor… Com duas vantagens: 1) não dificultava, aos alunos de português, a aprendizagem da pontuação normativa, e 2) tornaria o discurso mais claro e assim facilitaria a leitura.

Comentário complementar. Este Caim de Saramago assume notábvel relevo na linha satírica tradicional da nossa literatura. Camões, Vieira ( a quem Saramago tanto deverá felizmente), Eça, o próprio José da Silva o Judeu que foi queimado na fogueira da Inquisição, e da qual Saramago se livrou (pelo menos por enquanto!). E tantos outros, mesmo já no escárnio e maldizer medieval. O próprio Gil Vicente. Mas aquele de que me lembrei logo, ao começar a ler Caim, foi Guerra Junqueiro e a sua A Velhice do Padre Eterno contra a qual se insurgiram os guardiões infalíveis da Verdade/Dogmática. E fizeram constar que o velhinho Poeta morreu com os sacramentos… Tem cuidado Saramago! O que te valerá é que a Anjo da Guarda Pilar não deixará…

Uma narrativa genial que só me põe um problema: a pontuação. Problema que, em minha modesta opinião, sem afectar o estilo e mesmo decerto a barroca fluidez do discurso,  podia ser resolvido pelo próprio Autor… Com duas vantagens: 1. Não dificultava, aos alunos de português, a aprendizagem da pontuação normativa; 2. Tornaria o discurso mais claro e assim facilitaria a leitura.

Mais parónimos: contratocontracto

Outubro 23, 2009 - Leave a Response

“Oposição admite juntar-se para travar contracto (sic) com a Liscont” (DN 18/10/2009, p. 1, chamada para a p. 7).

Contrato, de contratar, sem ‘c’ antes do ‘t’; contracto, adjectivo sinónimo e ‘mano’ divergente de contraído. Podemos dizer que as três divergem do mesmo étimo (substantivo ou adjectivo) Contractu-: contrato da forma substantiva; contracto da forma adjectiva, via erudita; contraído da forma adjectiva, via popular.

“De modo a que”… porquê?

Outubro 23, 2009 - Leave a Response

Atenção à consecutiva!

Da entrevista a Ângelo Correia’ (DN 18/10/2009, p. 3, caixa ao alto, antep. linha):

“…de modo a que (sic) a estrutura partidátria que ajudou a fazer nascer consiga responder aos desafios…”; repete-se na p. 5, última coluna ‘O meu candidato não é um cavalo’, antep. linha: “ … um corpo de ideias e um conjunto de práticas de modo a que (sic) volte a ser importante termos causas…”

Chamamos a atenção de quem depare connosco ou adrede nos visite, para a incorrecção que vai grassando por aí, mesmo a níveis escolares elevados. Trata-se da oração consecutiva que, como nos ensinam (a mim ensinaram) todas as gramáticas normativas que conheço, é introduzida por uma das conjunções subordinativas consecutivas –  de (tal) maneira que; de (tal) modo que; de (tal) forma que; de (tal) jeito que, etc. – as quais não têm lá intrometida  (não precisam nada de ter) qualquer preposição: a preposição “a” está a mais.

Se fosse Camões, ou Vieira, ou Garrett, ou Eça, ou Pessoa, ou decerto… Saramago, escreveriam (diriam) assim: “… de modo que a estrutura partidária…”. E assim: “… de modo que volte a ser importante…”. É claro que não punha as mãos no fogo por outros escritores (talvez muitos) da nossa praça das letras, mesmo alguns já bem conhecidos, que, se calhar, já terão sido contaminados…

(Cf. rubricas atinentes ao assunto em Tento na Língua! e neste blogue).

A salgalhada e o carácter

Outubro 23, 2009 - Leave a Response

Para que não pensem que o Tento se mete em política, extravasando os limites da linguística, lembrei-me de antepor aqui uma introdução de cariz linguístico. Sim, porque a língua é base de tudo, da nossa vida social e, por isso mesmo, também da nossa vida política. Vamos lá então às palavras.

Salgalhada , s. f. Pop. Confusão; mistura de coisas diferentes; mixórdia, trapalhada, mistifório” (Dic. Da Língua Portuguesa, J. Pedro Machado, vol VI). Etim.: De salgar. Em em 1873, D,V. (Dic. Etimológico da língua Português, mesmo autor). Explicita-se D. V.: Grande Dicionário Português ou Tesouro da Língua Portuguesa, pelo Dr. Frei Domingos Vieira. Porto, 1871-1874).

Tudo isto para para dizer que a palavra é bem vernácula, formada já na nossa língua bem crescidinha, com o seu sentido próprio e figurado. Deriva de salgalho (= acto ou efeito de salgar).

“Carácter (L. character <Gr. charaktér), Cunho; marca; impressão traçada; tipo de imprensa; distintivo; especialidade: sinal de abreviatura; índole; natureza; sentimentos; feitio moral; firmeza de vontade; expressão ajustada; propriedade.” (Ibidem).

Agora, o que nos traz aqui, hoje.

Eis o que diz o DN (18/10/2009, p. 12 “Somos todos crescidinhos”) citando o Expresso:

“Se se confirmar que o encontro foi combinado e até promovido por Carvalho da Silva, como diz o Expresso, este terá induzido em erro Jerónimo de Sousa e a outros dirigentes comunistas. Isto porque, na nota que o secretário-geral da CGTP enviou para os comunistas, este diz que transmitiu a mensagem a António Costa ‘num encontro casual’, enquanto, afinal tudo terá sido preparado ao pormenor.”

A ser verdade, poderemos então perguntar: se somos todos crescidinhos, como é possível gente tão grada comportar-se como se o não fosse?