A mais perfeita metáfora de Portugal

Julho 6, 2009 - Leave a Response

Sim, o Benfica, nestes últimos dias, nas pantalhas e em toda a comunicação social, foi, tem sido, indiscutivelmente, a mais perfeita e visível metáfora de Portugal. Note-se bem: se não fossem os complementos ditos circunstanciais, ou deícticos*, da afirmação (”nestes últimos dias, nas pantalhas e em toda a comunicação social”) , haveria outros que se poderiam incluir no superlativo do título: o FCP, o Sporting, e todos os grandes clubes deste país. Mas, repito, “neste últimos dias, nas pantalhas e em toda a comunicação social”, a mais perfeita e visível metáfora de Portugal foi, tem sido, o Benfica. E porquê? Nem precisa de explicação. Basta ter em vista o Portugal que serviu de espectáculo no último debate no Parlamento e o espectáculo que nos foi oferecido pelo Benfica, na eleição presidencial. Que diferença é que há? É bem de ver: a única diferença que vai da realidade política do País e seu Estado à realidade do Benfica que aqui nos serve de metáfora e que, infelizmente para nós e para os benfiquistas, é mais do que virtual!… Vá lá, que no Benfica, ao menos, não se viram gestos obscenos…

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* Deíctico
adj., s. m. LINGUÍSTICA: elemento linguístico que não tem sentido por si só, pelo que a sua função é fazer referência, num enunciado,  à situação, ao momento ou aos interlocutores  (Do gr. deíktikos) (Dos dicionários)

Pronome “hiatado”

Julho 2, 2009 - Leave a Response

Relevem-me o neologismo que, não sendo usado nem sequer registado nos dicionários, ninguém poderá dizer que não é formado pelos normais processos da nossa língua… A coisa ocorreu-me ao deparar o caso no texto a seguir citado:

“Neste momento temos de considerar que todos os países são zonas infectadas”, disse ontem a ministra Ana Jorge. Não há, ainda, razões para alarme, mas há-as para se estar atentíssimo” (negrito nosso) (DN 1/7/09, “Editorial”)

“Há-as!” Não terá o escritor jornalista, como qualquer falante bem escolarizado, obrigação de evitar os hiatos dissonantes?… Dissonantes sim, porque, ao depararmos com eles, mesmo lendo, soam mal ao ouvido… Como fazer? Por exemplo, pondo outra vez o nome em vez do pronome: “mas há razões para se estar atentíssimo”. Ou então, sem nome nem pronome, e perfeitamente entendível: “…, mas sim para estar atentíssimo”.

Até faz lembrar as formas anedóticas, em contextos um tanto brejeiros, mas bem conhecidos de todos: “Aqui hai-os, Aqui hai-as!”… Não há dúvida que o recurso anedótico releva de conhecimentos linguísticos que nos ensinam os especialistas da gramática ou da história da língua: tendência do povo para resolver o hiato acrescentando um “i” epentético, que muitas vezes nem se escreve.

Sophia, poetisa

Junho 29, 2009 - Leave a Response

É claro que li o DN Gente dedicado a Sophia (suplemento do DN 27/Junho/2009).

“Dizem que no outro mundo o sol é mais brilhante
E brilha sobre campos mais floridos
Mas os olhos que vêem essas maravilhas
São olhos apodrecidos”

Traduzido de Kleist – Livro Sexto

E vou reler a Sophia. Pela estética e ideologia greco-latina-lusa. Porque

“O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu”…

Mas estou convencido de que ela ficaria zangada com certa sintaxe da página 2. Vejam:

“Há mulheres que querem ser chamadas de poetas, como os homens, e outras que se chamam poetisas. Sophia de Mello Breyner Andresen dizia-se poetisa, e por isso é assim que se a chamará (Negrito meu).

“… que se a chamará?!”… Penso que ela ficaria zangada com semelhante sintaxe. Experimentemos com o “lhe”: que se lhe chamará. Em todo o caso fica, sempre feio; seja com o pronome “a” ou o “lhe”, só estraga a beleza da sintaxe. Vamos então evitar a fealdade do discurso, aplicando a norma de todas a gramáticas normativas que me rodeiam, deixando apenas a partícula apassivante “se” ou pronome apassivador, como diz Celso Cunha e Lindley Cintra. Se assim fizerem, vejam, agora, a beleza da frase:  e por isso é assim que se chamará (= será chamada).

Palavras: manipulação / subversão

Junho 29, 2009 - Leave a Response

Remetem-se os deparantes de acaso ou adrede visitantes para a rubrica 271 de Tento na Língua! – 3, de que se transcrevem aqui, nesta postagem, os seguintes parágrafos, para melhor se compreender o sentido deste post:

“Espero me relevem a citação [na rubrica 271] um pouco longa, mas achei-a oportuna. ‘Convencer o interlocutor da justeza duma causa’ ou, por vezes, procurar convencê-lo de que é justa uma causa injusta!… Ou até mesmo mentir conscientemente, desavergonhadamente, com uma capa de discurso aparentemente perfeito, mesmo belo (quanto mais belo mais sedutor), ou então lisonjeiro (quanto mais lisonjeiro mais hipnotizante), contrariando o pensamento de quem o usa!… Convencer o interlocutor, não da justeza da causa, mas encobrindo, escondendo, a “injusteza” e a injustiça da causa, no interesse objectivado do enunciante ou de seus compinchas!…

E a que propósito vem toda esta lengalenga, ainda por cima com uns laivos de erudição? – poderá perguntar o impaciente leitor. A propósito, é claro, do discurso político de alguns, demagógico, populista, quantas vezes ajudado pela linguagem gestual da beijoca babujante ao Zé Povinho (e à Zefa Povinha…) que se deixa iludir, digamos o arcaísmo, se deixa alienar… Estão vocês a ver: a retórica, inventada pelos súbditos para iludir o tirano [Cf. rubrica 271], foi sendo apropriada pelas tiranias para iludir os súbditos…”

Vamos então ao nosso post. A gente vê/ouve/lê e, simplesmente, a gente pasma !… Eis três exemplos:

1. Falar ou agir? – Sócrates: “PS tem de falar de forma a chegar mais perto dos cidadãos” “Sócrates ensaia nova imagem de líder humilde” (DN 17/6/09, p. 1) . Então o que é preciso mesmo, não é mudar o rumo da acção: é sim mudar a fala, a imagem, para chegar mais perto dos cidadãos, ou seja para enganar, mais e melhor, o Zé Povinho!…

2. Sondagens, que sondagens? – Presidente da República: “Cavaco Silva, antes de receber os partidos com assento parlamentar, afirma ter ouvido dizer que a maioria do povo teria manifestado em sondagens não especificadas a sua preferência em fazer coincidir ambos os escrutínios num só dia” (DN 24/6/09, Editorial). Vejam bem até Sua Excelência fala em sondagens que apenas imagina, para ver se leva o Zé a aderir à sua opinião!… Com a ideia de S. Exa até podíamos concordar; com o método de a impor, não!

3. Otium / Negotium – Zeinal Bava: “Quanto à entrada da PT no universo da Media Capital, Zeinal Bava recusou sempre falar de um ‘negócio’, até porque, como explicou, não há qualquer acordo, apenas contactos e conversações. […] Todos os negócios têm uma oportunidade. Não falo de negócios que são do foro confidencial” (DN 26/6/09, p. 3). Lembrando o conceito da dicotomia ócio / negócio (Otium et negotiumnec-otium – dos Romanos). Otium: ócio, fruto das horas vagas, versos, trabalho artístico; negotium: o contrário de ócio; ocupação; negócios públicos; negócios comerciais, etc. Mas atenhamo-nos, por agora, ao negócio do Sr. Zeinal. Então, senhores, negócio não é tudo o que tem a ver com um contrato, desde que nasce a ideia, mas sobretudo desde que se comunica, mesmo na fase confidencial, passando pelo acordo, o trato (dos tratantes) e finalmente o contrato? Ou negócio será só e apenas o contrato? Ou, muito menos ainda, só a escritura notarial?

Deuses! Ao que chega a manipulação e a subversão das palavras, querendo fazer de nós anjinhos, criancinhas, palerminhas!

Carpe diem

Junho 25, 2009 - Leave a Response

Tenho aqui um Q. Horatius Flaccus (Hachette, Paris 1872), comprado há uns anos nas arcadas do Terreiro do Paço, em que se pode verificar que a expressão tão conhecida ‘carpe diem’ está no verso 8 da ode X, portanto em I, X, VIII (e não I,XI,VIII, como vi em algum dicionário e outros sítios) . Para que possam lê-la na íntegra, aí vai:

Carmen X
AD LEUCONOEN

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
Finem, Di dederint, Leuconoe; nec Babylonios
Tentaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati!
Seu plures hiemes, seu tribuit Jupiter ultimam,

Quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum, sapias, vina liques, et spatio brevi
Spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida
Aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

(Q. Horatius Flaccus, Carmina, I, X, VIII)

Para entender a Ode X:
Esta ode é dirigida a uma pessoa imaginária ou a uma amiga de Horácio (Ad Leuconoen = A Leucónia, Leucónoe), e é também dirigida contra a superstição, tão espalhada então, das consultas astrológicas: não vale a pena procurar penetrar os mistérios do futuro. Foi escrita entre o ano de Roma 724 e o ano 728 (correspondentes a 30 AC e 26 AC).

Tradução:
Não procures saber – saber é proibido – qual o fim que os Deuses terão destinado a mim ou a ti, Leucónia; nem sejas tentada a desvendar os números Babilónios. O melhor mesmo é aceitar o que vier! Sejam os vários invernos, seja o último que Júpiter nos mandou,

O qual agora subleva o mar Tirreno contra os rochedos, saboreia a boa comida, degusta os bons vinhos e do breve espaço da vida procura sacar uma longa esperança. Enquanto falamos, já a invejável vida se escapou: colhe (frui) o dia que vai passando, de modo nenhum sejas supersticiosa sobre o que virá depois.

(Tradução: A. Marques)

A sesta

Junho 19, 2009 - Leave a Response

Saudação à 3.ª Conferência Nacional da Sesta, em Avis (20.06.2009)

Meridiationibus uti
(= à letra: fazer uso de ‘meridiações’)*
vel-uti
(=isto é, a saber, quer dizer)
ao meio-dia
fazer
uma boa soneca
(= meridiare )
à hora ‘sexta’
adormecer
nos braços de Morfeu.

Ao Deus dos sonhos
filho da Noite
oferecer
um repouso
uma pausa descansada
uma sorna
à hora ‘sexta’
a sesta.

É bom para  fazer
da nossa pequena vida
nossa pequena festa.

Como diria Horácio:
“Carpe diem”;

Com ele diremos nós:
Carpe meridiem.

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* meridiationibus uti, meridiare = dormir a sesta

A todos os Conferencistas em Avis.
A todos os Amigos da Sesta em Avis e Fora.

Pombal, 20/Jun/2009
António Marques
(sócio nº 4)

Homónimos: o cisma / a cisma

Junho 17, 2009 - Leave a Response

A cisma é a recusa de sujeição ao Papa ou de comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos. (DN 7/6/09, p. 14)

“Cisma (L. schisma < Gr. schisma), m. Separação religiosa, política ou literária; f. acto de cismar, preocupação constante; ideia, pensamento fixo; mania; devaneio” (Dos dicionários. Negrito nosso).

Por esta definição se vê que a palavra cisma serve para significar conceitos diferentes consoante o género – masculino ou feminino. ‘A cisma’, género feminino significa coisa bem diferente de ‘o cisma’. Anota-se, pois, o erro da jornalista, verificado na citação acima. Mas poderá alguém querer saber a razão da diferença de género. Sendo as duas acepções derivadas do mesmo étimo – grego via latim – e sendo a palavra grega um nome de género neutro terminado em ‘a’ (alfa), manteve o género (neutro) na sua passagem pelo latim. Ao chegar às novilatinas, o neutro grego e latino derivou, regra geral, para o masculino. Tudo bem: o cisma. E então, o feminino – a cisma? É claro que, sendo mais tardio, mais popular, o povo falante atribuiu-lhe o género feminino – a cisma – certamente por terminar em ‘a’…

Não virá a despropósito tecer aqui umas breves considerações de tipo sociolinguístico (ou histórico-linguístico). Se normalmente as palavras de género neutro que nos vieram do grego são, em português, masculinas – lema, problema, teorema, etc –, porque é que cisma, além do regular masculino, deu em feminino numa das duas acepções? Acho que posso aventar aqui uma hipótese provável, que terá a ver com o facto de que o Cisma, na história da Igreja, ou na História simplesmente, não se ficou, como as outras, pelo nível erudito: desceu ao nível popular; e de tal modo que, só de ouvi-la, a palavra cisma era geradora de horror, de pânico. Porquê? Porque o destino do ‘cismático’ era, naturalmente, toda a gente o sabia, a tortura, a fogueira, a morte atroz. Por isso a palavra se popularizou e sofreu a influência dessa popularização; palavras em ‘a’ são femininas: logo, a cisma. Daí também as duas acepções, cada uma com o seu género: o cisma, a cisma. E dá para cismar, não dá?!…

Abre os olhos, Zé Povinho!

Junho 5, 2009 - Leave a Response

Meu querido Zé Povinho (de que eu também sou),

Zé Povinho há só um: somos nós e mais nenhum! E porque somos nós? É boa! Porque só nós tivemos um artista genial que nos criou. Sim porque nós Zé Povinho somos criatura do grande Rafael Bordalo Pinheiro que ninguém mais teve!

Pois bem., querido Zé Povinho. Dize-me lá então, quem, de há mais de trinta anos a esta parte, pôs o nosso País de calhostras, neste fosso do pantanal em que nos encontramos? Não foram 3 partidos ( três! ), jogando, como eles dizem, uma tal de alternância? Olha no que deu a alternância! Deu nisto! E então vais, uma vez mais, voltar a votar neles? Não sejas masoquista, Zé Povinho! O teu (nosso) Criador quis tudo menos isso: que fosses masoquista. Apura mas é o gesto que te deu o nosso Criador, e  te distingue bem da carneirada! Votar neles é que não! Isto não quer dizer que eu, fazendo parte de ti, estou para aqui a aconselhar-te que não vás votar. Nada disso! Vai votar, cumprir o teu direito, o teu dever: vai votar pois! Mas neles não! Se o fizeres, só ajudarás a empurrar mais para o fundo pantanoso, este nosso querido País, meu querido Zé Povinho! Não te abstenhas, pois! Olha que se te absténs, arriscas-te a que eles fiquem lá!…

Abre os olhos, Zé! Mas, olha bem, abrir os olhos não quer dizer que vás votar em qualquer um, desses novos, que te cantam ao ouvido cantigas de fé, esperança e caridade! Cuidado, Zé! Não te deixes ludibriar pelas palavras ‘mansas’ de promessas de esperança! Não ‘t’acredites’, Zé!

Abre mas é, de uma vez, os olhos, Zé!

Fé merece respeito, fanatismo e beatice não!

Junho 2, 2009 - Leave a Response

A propósito do agora São Nuno, vou aqui contar um caso que merece ser contado. Que é preciso que se conte. Mas antes, quero apresentar uma série de palavras que, assim dispostas, os estilistas classificam de gradação (neste caso, descendente): fé, crença, crendice, fanatismo, beatice. Para os respectivos conceitos, socorro-me do Dicionário Complementar da Língua Portuguesa, de Augusto Moreno:

(L. fide), f. Crença religiosa; firmeza na execução de uma promessa; crédito; confiança; virtude teologal” [Realçado meu].
Crença (L. credentia), f.. Fé; convicção; crédito diplomático.”
Crendice Crença absurda ou ridícula; crendeirice.”
Fanatismo,  m. Excessivo zelo religioso; facciosismo partidário; adesão cega a uma doutrina; dedicação excessiva; paixão.”.
Beatice, f. Devoção afectada; hipocrisia religiosa.”

E agora, sim, vem o caso. Alguém muito religioso, muito dentro das práticas católicas, fez-me um dia destes esta pergunta: “Já ouviu falar da ligação de S. Nuno a Fátima?” Respondi: “Não, não sei. Nem estou bem a ver que ligação com Fátima poderá ter esse santo que viveu quase seis séculos antes de Fátima!…”
“Então ouça. Dizem que quando Nuno Álvares calhava de passar em Fátima com o seu exército, os cavalos ajoelhavam todos”.
Vejam então agora, deparantes de acaso ou adrede visitantes, até onde pode chegar a crendice, o fanatismo!… E é assim que se fazem as lendas e até os milagres!…

Latim maltratado

Maio 25, 2009 - Leave a Response

Ao pobre do Latim (ou melhor, aos pobres de nós, falantes do Português, que tanto precisávamos dele) não bastava já que, em Portugal, o escorraçassem dos currículos nas últimas reformas curriculares! Pois! E, assim, como podemos admirar-nos  que ele esteja, a toda a hora, a ser maltratado por muitos daqueles que, entre nós, resolvem, de vez em quando, usar uma expressão ou uma palavra latina e, dando provas de que não sabem latim nenhum, o usam mal? Vou só referir-me a dois casos em que o mau-uso saiu da boca ou da pena de Senhores Professores Doutores, que vou evitar nomear:

1.  statu quo – Ouvi há dias alguém utilizar este latinismo, pronunciando “stato quo”, com o ‘o’ da primeira palavra bem aberto. E era tão fácil, a um senhor professor doutor, evitar a calinada: bastaria consultar um bom dicionário (provavelmente o seu), antes de a usar. Olhem, querem ver o que está no Dic. Complementar da Língua Portuguesa, de Augusto Moreno?

statu quo (por: in statu quo ante)  (L.) – O estado em que as coisas se encontravam precedententemente.”

Nunca podia ser “stato” porque status é um nome de tema em ‘u’, regular. Cf. rubrica 34 in Tento na Língua-1.

2. Numa grande entrevista a um professor doutor, que ontem li, encontrei duas vezes, lembrando Clinton, “o felatio”, assim, com o artigo masculino e sem os dois ‘ll’ que a palavra latina deve ter. Vamos agora, por exemplo, ao Dic. da Língua Portuguesa da Porto Editora de 2003:

felação s.f. Sexo oral praticado em homens. Do lat. fellare)”.

É claro que o Torrinha não traz a palavra fellatio, porque no tempo dele (vade retro!) não se punham palavras dessas nos dicionários, nem mesmo nos latinos… Quem quiser, mesmo sem saber latim, usar a palavra latina, terá de escrever “a fellatio”. Sim porque saberia que, em latim, todos os nomes terminados em –tio são do género feminino (O sufixo indica que se trata de ‘acção’ relativa a determinado verbo). Só mais dois ou três exemplos exemplos: delatio (verbo deferre); corruptio (verbo corrumpere); damnatio (verbo damnare). Remete-se o deparante de acaso ou o adrede visitante para a postagem “Considerações sobre a Ratio”. E também a rubrica 98 de Tento na Língua-1.